Espelho Das Águas
14 Bis
1981
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Por Que Esse Disco é Importante
Espelho Das Águas, lançado em 1981, representa um capítulo crucial na trajetória do 14 Bis, consolidando a sonoridade característica da banda que amalgama o rock progressivo internacional com a riqueza melódica e poética da MPB e do Clube da Esquina. Sendo o terceiro trabalho do grupo mineiro, este álbum aprofundou a identidade musical que já vinha se destacando, marcada por arranjos elaborados, harmonias vocais refinadas e letras introspectivas, posicionando o 14 Bis como um expoente do pop sofisticado brasileiro. Um dos pontos altos do disco é a inclusão de "Nos Bailes da Vida", uma parceria inédita de Milton Nascimento e Fernando Brant, que se tornou um dos maiores clássicos do repertório da banda e da MPB. Essa canção emblemática reforça a forte conexão do 14 Bis com o universo do Clube da Esquina, movimento do qual o grupo é herdeiro direto, e sublinha a habilidade do álbum em transitar entre a energia do rock e a delicadeza lírica e melódica da música mineira.
Contexto
A banda 14 Bis emergiu no cenário musical brasileiro em 1979, um período efervescente que marcava os últimos anos da ditadura civil-militar no Brasil, um contexto que permitia ao rock nacional florescer e retratar os anseios de uma geração. O grupo foi formado por músicos já experientes, com passagens por bandas como O Terço (Flávio e Sérgio Magrão) e Bendegó (Hely Rodrigues e Vermelho), e colaborações com artistas como Lô Borges (Cláudio Venturini), todos buscando criar uma sonoridade que unisse a influência de gigantes do rock progressivo internacional, como Yes e Pink Floyd, com a rica tradição do Clube da Esquina. Apadrinhados por Milton Nascimento, figura central do Clube da Esquina, o 14 Bis conseguiu um contrato com a multinacional EMI para lançar seu álbum de estreia em 1979. Após o sucesso dos dois primeiros discos, que já haviam emplacado canções como "Canção da América", "Planeta Sonho" e "Caçador de Mim", o lançamento de Espelho Das Águas em 1981 chegou para consolidar a proposta artística do grupo, aprofundando suas experimentações musicais e líricas e afirmando sua originalidade no panorama da música brasileira da época.
Gravação
Espelho Das Águas foi gravado e lançado pela gravadora EMI em 1981, seguindo a parceria estabelecida com a banda desde o seu álbum de estreia. Embora detalhes específicos sobre o estúdio ou a produção deste álbum em particular sejam escassos, sabe-se que o 14 Bis se destacava pelo cuidado com os arranjos e a qualidade da produção em seus trabalhos iniciais, mesmo considerando as limitações técnicas da época no Brasil. A formação que gravou o álbum incluía Flávio Venturini nos teclados, violão acústico e vocais; Sérgio Magrão no baixo, violão acústico e vocais; Vermelho nos teclados, violão acústico e vocais; Cláudio Venturini nas guitarras elétrica e acústica e vocais; e Hely Rodrigues na bateria e percussão. A instrumentação diversificada e as intrincadas harmonias vocais, características da banda, foram elementos-chave na concepção sonora do disco.
Músicas
O álbum Espelho Das Águas é composto por onze faixas que demonstram a versatilidade e a profundidade musical do 14 Bis. Além da já mencionada "Nos Bailes da Vida", uma joia da parceria Milton Nascimento e Fernando Brant que se tornou um hino geracional, o disco apresenta uma rica tapeçaria de sonoridades. Canções como a faixa-título "Espelho Das Águas" (de Flávio Venturini e Vermelho), "Queima, Baby", "Razões do Coração" e "Doce Loucura" (parceria de Flávio Venturini com Luiz Carlos Sá) exploram as harmonias vocais e os arranjos instrumentais que são a marca registrada do grupo. O álbum também se aventura por novos ritmos e influências, com a inserção de elementos do country mineiro em "Mesmo de Brincadeira" e uma clara inspiração barroca em "A Qualquer Tempo", evidenciando a constante busca por experimentação e a verve poética afiada da banda.
Legado
Espelho Das Águas foi fundamental para solidificar a reputação do 14 Bis como uma das bandas mais sofisticadas e influentes da MPB e do rock brasileiro dos anos 80. Embora dados específicos de vendas ou posições em paradas para este álbum sejam difíceis de encontrar, a sua recepção crítica e popular foi positiva, sendo elogiado por seu "pop sofisticado que cumpriu o que prometeu" e por manter a alta qualidade de seus trabalhos anteriores. O disco, particularmente através de "Nos Bailes da Vida", deixou uma marca indelével na cultura musical brasileira, sendo uma canção frequentemente relembrada e reinterpretada. O álbum é frequentemente citado entre os quatro primeiros trabalhos da banda, cujos sucessos são frequentemente apresentados em versões acústicas até os dias de hoje, evidenciando sua perenidade e relevância. Suas edições originais em LP, muitas vezes em capa gatefold e com encarte, tornaram-se itens procurados por colecionadores.