A Cor do Som
A Cor do Som
1977

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Por Que Esse Disco é Importante
O álbum de estreia homônimo d'A Cor do Som, lançado em 1977, é uma peça fundamental na música brasileira, marcando o surgimento de um grupo que ousou criar uma linguagem sonora inovadora e sofisticada. O disco é um pioneiro no jazz fusion brasileiro e no rock progressivo nacional, distinguindo-se por uma fusão orgânica de virtuosismo instrumental com a riqueza dos ritmos regionais, como frevo, baião e choro. Esta obra se destaca pela originalidade e pela alta técnica de seus músicos, estabelecendo um novo padrão para a música instrumental brasileira. A peculiar mistura de influências resulta em um som vibrante e complexo, que se tornou a marca registrada da banda desde o seu primeiro trabalho.
Contexto
A banda A Cor do Som surgiu em 1977, no Rio de Janeiro, a partir do séquito de músicos que acompanhavam Moraes Moreira após sua saída dos Novos Baianos. Os membros Dadi Carvalho, Mú Carvalho, Armandinho Macêdo e Gustavo Schroeter já traziam experiências sólidas do cenário nacional, experimentando novos padrões sonoros que misturavam samba, rock, frevo, choro e baião, sendo frequentemente definidos como um movimento pós-tropicalista. O nome do grupo, A Cor do Som, foi uma sugestão de Caetano Veloso, inspirada em uma música de Moraes Moreira e Luiz Galvão. O ano de 1977 no Brasil foi marcado pela continuidade do regime militar, que, sob a chamada política de 'distensão lenta, gradual e segura', iniciava um processo de abertura política, embora a censura ainda fosse uma realidade. Neste cenário, a Música Popular Brasileira (MPB) desempenhava um papel cultural e político importante, sendo um veículo de expressão e reflexão sobre a modernidade brasileira.
Gravação
O álbum foi gravado no Estúdio Vice Versa, em São Paulo, e lançado pela gravadora Atlantic, selo da recém-fundada WEA no Brasil. A direção artística ficou a cargo de Mazzola. Curiosamente, antes de assinar com a WEA, o grupo teve seu som considerado com pouco apelo comercial pela Polygram, que não se interessou pelo trabalho. Foi André Midani, ao fundar a WEA no Brasil, quem ouviu a fita demo da banda e se encantou, oferecendo um contrato de três anos. Essa parceria com a WEA se estenderia por nove anos e resultaria em dez discos. Durante as gravações, o grupo contou com a participação de um trio de percussionistas formado por Joãozinho, Nenê da Cuíca e Ary Dias, sendo que Ary Dias se juntaria oficialmente à banda a partir do segundo disco.
Músicas
Essencialmente instrumental, o repertório do álbum de estreia d'A Cor do Som é composto por onze faixas que demonstram a versatilidade e a maestria dos músicos. As composições exploram uma rica tapeçaria sonora, mesclando choro, baião, frevo e rock progressivo. Entre as faixas, destacam-se reinterpretações inovadoras de clássicos, como o choro "Odeon" de Ernesto Nazareth, que ganha uma roupagem carregada de lisergia, e "Brejeiro", também de Nazareth, que recebeu um arranjo progressivo (originalmente gravada como "Double Morse" e que mais tarde se tornaria "Pombo Correio" com letra de Moraes Moreira). O álbum também apresenta uma versão instrumental da canção "Tigreza" de Caetano Veloso, além de composições originais como "Arpoador" e a faixa-título "A Cor do Som", que solidificam a identidade sonora do grupo.
Legado
O álbum A Cor do Som recebeu reconhecimento imediato no circuito da música de vanguarda brasileira, sendo elogiado pela crítica especializada por sua qualidade e originalidade. Apesar de as vendas iniciais não terem sido expressivas o suficiente para a gravadora na época (o que quase levou ao seu desligamento antes do terceiro álbum), o impacto artístico foi inegável. Sua repercussão internacional foi notável já no ano seguinte ao lançamento, quando a banda foi convidada para se apresentar no prestigiado Montreux Jazz Festival, na Suíça, em 1978. Essa participação histórica fez d'A Cor do Som o primeiro grupo musical brasileiro a marcar presença no evento, resultando na gravação de um disco ao vivo que consolidou sua reputação global. O álbum de 1977 é amplamente considerado uma obra precursora do movimento da música instrumental brasileira moderna, influenciando gerações de artistas e estabelecendo um marco na fusão de ritmos nacionais com elementos do jazz e rock.
Faixas
Créditos
Mazzola
A Cor Do Som
Guti Carvalho
Guti Carvalho, Marcus Vinicius
Andy Mills, Carlinhos, Deraldo, Don Lewis
Antonio Henrique Nitzsche, Ivan Cardoso
Antonio Henrique Nitzsche
Ivan Cardoso
Livros
Análises
Destrinchamos o primeiro álbum do A Cor do Som - VICE
vice.com
Para entender um pouco mais dessa obra, aproveitamos a ocasião do show para trocamos aquele ideião maneiro com o Mú Carvalho, compositor, tecladista e uma das cabeças do A Cor do Som.
Aquela Musica Apresenta "A Cor do Som - 1977"
aquelamusica.com
O disco é todo instrumental com exceção da música "A Cor do Som". Aqui, o grupo mostra toda sua influência de choro e baião ao misturar com o rock progressivo que era a tendência estética da época.
Tarati Taraguá: A Cor do Som (Jornal Hit Pop - 1977)
taratitaragua.blogspot.com
Mistura de baianos e cariocas, menos de um ano de idade, A Cor do Som faz um trabalho 'em cima de raízes nacionais, como choro, frevo e baião, com uma linguagem rock' - como eles explicam.
Indicação de Álbum - A Cor do Som 1977 (446/500) Cãotural - Bastter.com
bastter.com
A Cor do Som 1977 (446/500)A Cor do Som Choro Jazz Rock Armandinho seria o Steve Vai ou Jeff Beck brasileiro? Guardadas as proporções, seria tudo isso com menos propaganda, grandes gravadoras e fãs alucinados. Em compensação, com mais requebruliço e tempero.
Criatura de Sebo: A cor do som - 1977 - A cor do som
criaturadesebo.blogspot.com
Esse é o primeiro LP do grupo A cor do som com a formação que à época já vinha acompanhando os membros dos Novos Baianos, seja no conjunto ou em seus trabalhos solos.
