Maré
Adriana Calcanhotto
2008

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Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 2008, Maré representa o sétimo álbum de estúdio de Adriana Calcanhotto e um marco crucial em sua discografia, sendo o segundo volume de uma trilogia dedicada ao tema do mar, iniciada com Maritmo (1998) e concluída com Margem (2019). Este trabalho reafirma a identidade artística de Calcanhotto, que se distingue por um padrão estético elevado, mesclando MPB, pop e folk de maneira coesa e original. O álbum é uma jornada poética e metafórica, utilizando o mar não apenas como cenário físico, mas como um vasto campo de simbolismos que evocam renovação, ilusão e a impermanência da vida. Calcanhotto mergulha em referências líricas profundas e estabelece um diálogo contínuo com as artes visuais, como evidenciado pela marcante capa de Gilda Midani, consolidando sua reputação como uma das artistas mais inteligentes e refinadas de sua geração.
Contexto
Antes de Maré, Adriana Calcanhotto já havia consolidado uma carreira de sucesso na música brasileira, iniciada em meados da década de 1980 em Porto Alegre. Álbuns como Enguiço (1990), Senhas (1992) e A Fábrica do Poema (1994) a estabeleceram como uma voz singular na MPB. Na década de 2000, a artista também havia experimentado grande êxito com o projeto infantil Adriana Partimpim (2004), que lhe rendeu um Grammy Latino. Maré, portanto, surgiu uma década após Maritmo, retomando e aprofundando o conceito da trilogia marítima que a cantora havia iniciado, solidificando essa linha temática em sua obra.
Gravação
As sessões de gravação de Maré ocorreram entre agosto e dezembro de 2007, sob a produção atenta da própria Adriana Calcanhotto em parceria com o renomado músico e produtor Arto Lindsay. A produção do álbum se notabiliza pela economia de instrumentos e pela crueza dos timbres, resultando em um som conciso e condensado, que buscou a essência das canções. Um núcleo de talentosos músicos formou a banda base, incluindo Moreno Veloso (violão, violoncelo, congas), Kassin (guitarras, piano elétrico) e Domenico Lancellotti (bateria, percussão). O álbum também contou com participações especiais de peso, como Jards Macalé no violão em "Teu Nome Mais Secreto" e Gilberto Gil no violão em "Sargaço Mar", de Dorival Caymmi. A mixagem foi realizada por Flavio Souza no Ar Studios, no Rio de Janeiro, com a exceção de "Um Dia Desses", mixada no Ilha dos Sapos, em Salvador, e a masterização ficou a cargo de Eugene Nastasi no Sterling Sound, em Nova York.
Músicas
Com 11 faixas e uma duração de pouco mais de 34 minutos, Maré apresenta um repertório equilibrado entre composições inéditas e releituras. A faixa-título, "Maré", em parceria com Moreno Veloso, abre o álbum com uma sonoridade suave e violões bossa-novistas, estabelecendo a proposta lírica do disco. "Mulher Sem Razão", de Dé Palmeira, Bebel Gilberto e Cazuza, despontou como o maior sucesso do trabalho, cativando o público com seu balanço preguiçoso e irresistível, e foi incluída na trilha sonora da novela A Favorita. Outras canções também se destacaram em novelas: "Três", de Marina Lima e Antônio Cícero, com sua atmosfera de tango, na novela Ciranda de Pedra, e "Um Dia Desses", de Kassin e Torquato Neto, um flerte surpreendente com a canção ruralista, na novela Três Irmãs. O álbum ainda explora profundidade poética em faixas como "Teu Nome Mais Secreto", última parceria com Waly Salomão, e "Sem Saída", que musicaliza um texto do poeta concretista Augusto de Campos, com melodia de Cid Campos. O disco encerra com a desafiadora "Sargaço Mar", de Dorival Caymmi, revelando a intenção de Adriana de navegar por caminhos musicais menos óbvios.
Legado
Maré alcançou sucesso comercial notável, especialmente em Portugal, onde vendeu mais de 10 mil cópias em apenas dois dias e recebeu a certificação de disco de ouro. A projeção do álbum foi amplificada pela inclusão de diversas de suas faixas em trilhas sonoras de telenovelas de grande audiência da Rede Globo, como "Mulher Sem Razão" em A Favorita, "Três" em Ciranda de Pedra e "Um Dia Desses" em Três Irmãs, consolidando sua presença na cultura popular brasileira. A crítica especializada recebeu Maré com entusiasmo, com o AllMusic atribuindo 4 de 5 estrelas. Críticos consideraram o álbum um dos melhores trabalhos de Adriana Calcanhotto, destacando sua evolução sonora e a busca por um estilo mais original e imprevisível. Maré foi elogiado por manter o alto padrão estético, as referências poéticas e a modernidade que caracterizam a obra da artista, reafirmando sua posição como uma das vozes mais inteligentes e sofisticadas da MPB. O álbum é hoje visto como um elo essencial na "trilogia marinha" de Calcanhotto, ganhando uma reavaliação de sua importância conceitual com o lançamento posterior de Margem.
Análises
Discogs
Maré – Discogs
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