Y'Y

Amaro Freitas

2024

Capa de Y'Y
Top 100

Ranking nas Listas

Por Que Esse Disco é Importante

Y'Y, o quarto álbum do pianista Amaro Freitas, representa um marco na sua discografia e na música instrumental brasileira contemporânea. O trabalho aprofunda a linguagem musical única de Freitas, caracterizada pela fusão inovadora de ritmos brasileiros ancestrais, percussão pianística e a complexidade harmônica do jazz. O álbum se destaca por ser uma obra profundamente enraigada em temas de ancestralidade, natureza e espiritualidade, traduzindo essas inspirações em sonoridades ricas e texturas envolventes. Freitas utiliza o piano não apenas como um instrumento melódico, mas também como um conjunto de percussão, explorando técnicas de piano preparado e a polirritmia que ecoa tambores e o pulsar da floresta. Y'Y oferece uma experiência auditiva que é ao mesmo tempo contemplativa e dinamicamente expressiva, convidando o ouvinte a uma jornada sonora que transcende as fronteiras tradicionais do gênero.

Contexto

Amaro Freitas, originário de Recife, Pernambuco, vem lapidando sua identidade musical desde seu álbum de estreia, Sangue Negro (2016), seguido por Rasif (2018) e Sankofa (2021). Nessas obras anteriores, ele já explorava a mistura de ritmos pernambucanos, como maracatu e frevo, com a improvisação jazzística, desenvolvendo um estilo rítmico complexo e musculoso. Para Y'Y, Freitas embarcou em uma jornada de 4.600 quilômetros até Manaus, na bacia amazônica, em 2020. Essa experiência imersiva na floresta e o contato com a comunidade indígena Sateré Mawé foram cruciais para a concepção do álbum, direcionando sua criação musical para um reino de magia, possibilidades e uma profunda conexão com a preservação ambiental. O título Y'Y, que significa "água" ou "rio" no dialeto Sateré Mawé, reflete essa homenagem à floresta e aos rios do Norte do Brasil.

Gravação

O álbum Y'Y foi gravado em parte no Estúdio Carranca, em Recife, Brasil, e no Maxine Studio, em Milão, Itália, com gravações adicionais em Los Angeles e Brooklyn. A produção ficou a cargo de Amaro Freitas, Laercio Costa e Vinicius Aquino, sendo este último também responsável pela engenharia e mixagem, junto com Rinaldo Donati na engenharia. A sonoridade do álbum é enriquecida pela participação de notáveis músicos convidados. Shabaka Hutchings contribui com a flauta nas faixas "Y'Y" e "Encantados", Jeff Parker no violão em "Mar de Cirandeiras", Brandee Younger no harpa em "Gloriosa", e a seção rítmica é complementada por Aniel Someillan no baixo e Hamid Drake na bateria na faixa "Encantados". O uso de piano preparado, assobios e percussão variada foram técnicas empregadas para evocar os sons da floresta amazônica.

Músicas

As nove faixas de Y'Y são uma ode à natureza e aos seres encantados da floresta. A faixa de abertura, "Mapinguari (Encantado da Mata)", evoca uma divindade da floresta com frases cintilantes de piano e suaves sons de chocalhos e pratos. Em "Uiara (Encantada da Água) – Vida e Cura", dedicada ao espírito da "mãe da água" e aos botos cor-de-rosa da Amazônia, Freitas utiliza piano preparado com fita adesiva e e-bow para criar ritmos em cascata que simulam o som da água. "Dança dos Martelos" demonstra uma introdução caótica que se transforma em uma explosão de frases frenéticas na mão direita do piano, canalizando a energia de uma tempestade, com o uso de pregadores de roupa e sementes amazônicas para percussão. A faixa título, "Y'Y", com a flauta de Shabaka Hutchings, mescla cantos tribais e ritmos, buscando traduzir a força ancestral do encontro das águas. O álbum conclui com "Encantados", uma celebração da diáspora africana com a participação de Hamid Drake e Shabaka Hutchings, sendo descrita como um "jam" vibrante e uma súmula urgente da mensagem do álbum.

Legado

Y'Y foi amplamente aclamado pela crítica, sendo descrito como um disco "transcendente", "envolvente", "cativante" e "soberbo", que expande a visão do jazz brasileiro. A obra é vista como o momento em que Amaro Freitas se revela plenamente ao mundo, consolidando sua posição como uma voz singular na música instrumental. Críticos destacaram a acessibilidade do álbum, apesar de sua complexidade, e sua capacidade de evocar emoções profundas no ouvinte. O álbum tem sido reconhecido como uma "interpretação descolonizada" do jazz brasileiro, com potencial para redefinir as percepções sobre o que o gênero pode ser. Sua recepção positiva o levou a ser considerado um dos melhores álbuns de 2024 por diversas publicações, com alguns críticos o apontando como um dos melhores discos do ano.

Faixas

Créditos

Direção Artística

Kris Chen, Martin Anderson

Produção, Engenheiro de Som, Mixagem

Vinicius Aquino

Produção, Gerenciamento

Laercio Costa

Produção, Intérprete, Composição

Amaro Freitas

Baixo

Aniel Someillan

Bateria

Hamid Drake

Flauta

Shabaka Hutchings

Guitarra

Jeff Parker

Harpa

Brandee Younger

Engenheiro de Som

Rinaldo Donati

Corte

Kevin Gray, Matthew Lutthans

Masterização

Kevin Reeves

Direção de Arte, Design [Package]

Rob Lewis

Texto do Encarte

Ayana Contreras

Fotografia [Artwork]

Helder Tavares

Fotografia [Studio, Additional]

Daniel Topete

Fotografia [Studio]

Julye Jacomel

Podcasts

Amaro Freitas: o alquimista da Brasilidade, mistura jazz com suas raízes para conquistar o mundo
Amaro Freitas: o alquimista da Brasilidade, mistura jazz com suas raízes para conquistar o mundo

Emoção Criativa · Pedro Garcia de Moura

1h 4min27 de nov. de 2024

Pedro Garcia conversa com Amaro Freitas, pianista e compositor pernambucano que está revolucionando o jazz brasileiro ao misturar ritmos como o maracatu, o baião e o frevo em suas composições. Amaro compartilha sua trajetória inspiradora, refletindo sobre a relação entre improvisação, identidade cultural e espiritualidade na música.Amaro revela momentos decisivos de sua carreira, desde a infância

Vídeos

Grandes Lançamentos de Março de 2024!

Som de Peso

Análises

Amaro Freitas se agiganta na imersão espiritual e amazônica do álbum 'Y'Y'

g1.globo.com

Celebração da diáspora africana, na visão do pianista, o álbum Y'Y é mais um passo ousado e certeiro de Amaro Freitas no universo ilimitado do jazz.

Amaro Freitas - Y'Y (2024)... - Hominis Canidae

hominiscanidae.org

Em rotação a partir de hoje, 1º de março, o quarto álbum do artista, Y'Y, flagra Amaro imerso em águas amazônicas e embebido na espiritualidade que rege o disco, formatado com produção musical orquestrada pelo artista com Laércio Costa e Vinicius Aquino, este também responsável pela mixagem.

Crítica | Amaro Freitas: "Y'Y" - Música Instantânea

musicainstantanea.com.br

Utilizando do piano como um tambor de 88 teclas, Freitas segue de onde parou no disco anterior, Sankofa (2021), porém, transportando a ritualística percussão africana para o ambiente esverdeado dos trópicos.

Pianista Amaro Freitas mergulha em águas amazônicas no quarto álbum, 'Y'Y'

g1.globo.com

Mixado pelo mesmo Vinicius Aquino e masterizado por Kevin Reeves, Y'Y sucede os álbuns Sangue negro (2016), Rasif (2018) e Sankofa (2021) na irretocável discografia de Amaro Freitas.

Amaro Freitas, Y'Y: O piano dentro da água funda

oinimigo.org

Do fio traçado em 1973, o pianista pernambucano Amaro Freitas acende uma fagulha na ponta que se inscreve ao final daquele disco e inicia seu Y'Y, um disco aquoso e flutuante que traz em si uma renovação da linguagem proposta inicialmente pelo percussionista (que era seu conterrâneo, inclusive).

Mais Informações