Foley Room
Amon Tobin
2007

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Por Que Esse Disco é Importante
Foley Room, lançado em 2007, representa um marco significativo na discografia de Amon Tobin e na música eletrônica contemporânea. O álbum se destaca como uma ruptura radical com as técnicas de produção que o consagraram, abandonando o uso de samples de vinil em favor de uma biblioteca de sons inteiramente original. Tobin embarcou em uma jornada de coleta de 'field recordings' e sessões de improvisação com músicos, construindo cada textura sonora do zero. Essa abordagem transformadora elevou o álbum para além de uma mera experimentação técnica, buscando infundir o rigor do 'sound design' com a vitalidade de melodias e ritmos capazes de 'mover as pessoas'. O resultado é uma obra intrincada, densa e atmosférica que redefine a percepção dos limites da música eletrônica, solidificando Amon Tobin como um inovador constante no cenário mundial.
Contexto
Antes de Foley Room, Amon Tobin já era uma figura respeitada na cena da música eletrônica, especialmente por sua produção de intrincados álbuns de drum and bass, breakbeat e trip-hop pela renomada gravadora Ninja Tune. O produtor brasileiro, que passou seus anos de formação no Reino Unido, era conhecido por sua maestria em manipular samples de discos de vinil, criando paisagens sonoras complexas e cheias de nuances jazzísticas em obras como *Bricolage* (1997), *Permutation* (1998), *Supermodified* (2000) e *Out from Out Where* (2002). Essa fase inicial estabeleceu sua reputação como um 'maestro da manipulação sonora', mas também preparou o terreno para sua busca por novas fronteiras criativas. Após anos explorando os limites dos samples pré-existentes, Tobin sentiu a necessidade de uma reinvenção, o que o levou à concepção ambiciosa de Foley Room, um álbum que desafiaria suas próprias metodologias e a percepção do público sobre a fonte do som na música eletrônica.
Gravação
O processo de gravação de Foley Room foi tão revolucionário quanto o conceito do álbum. Amon Tobin realizou parte da gravação no estúdio de efeitos Foley da Ubisoft Montreal, um ambiente tipicamente utilizado para criar sons para filmes. Diferentemente de seus trabalhos anteriores, que se baseavam em samples de discos de vinil, este álbum foi construído inteiramente a partir de gravações originais. Tobin e uma equipe de assistentes muniram-se de microfones de alta sensibilidade e saíram para registrar uma vasta gama de sons: do rugido de tigres a gatos comendo ratos, vizinhos cantando no banho, formigas comendo grama, motocicletas, correntes, máquinas industriais, água pingando e trilhos de trem. Além dessas 'field recordings', ele reuniu um grupo diversificado de músicos, incluindo o aclamado Kronos Quartet, Patrick Watson e Stefan Schneider (do To Rococo Rot), para improvisar e criar material musical que também seria sampleado e transformado. O objetivo era registrar os sons de forma 'plana e sem alma', para que ele tivesse total liberdade para moldá-los na pós-produção, resultando em uma coesão sonora que mascara as origens inusitadas dos elementos.
Músicas
A essência das composições de Foley Room reside na fusão inovadora de sons orgânicos e inusitados com a estrutura da música eletrônica. Faixas como a de abertura, 'Bloodstone', contam com as contribuições densas e melancólicas do Kronos Quartet, cujas cordas tecem texturas complexas em meio a ruídos percussivos industriais. Em 'Esther's', os sons de motores de motocicleta são habilmente processados para criar ritmos pulsantes, enquanto 'Big Furry Head' incorpora rugidos de animais selvagens e batidas industriais. O álbum explora uma sonoridade 'cinemática' e 'ominosa', com batidas que frequentemente parecem geradas por 'exércitos de insetos' e orquestrações que evocam uma sensação de destino iminente. Mesmo com a predominância de ritmos, as fontes desses sons são tão intrinsecamente mascaradas que o ouvinte é convidado a mergulhar na atmosfera extraterrena criada. O objetivo de Tobin era criar 'melodias e paisagens sonoras únicas', transformando sons do cotidiano, como panelas batendo ou tubos de PVC arrastados, em solos de bateria jazzísticos, exemplificando sua habilidade em forjar algo belo e dançante a partir do inesperado.
Legado
Foley Room foi recebido com entusiasmo pela crítica, sendo amplamente elogiado por sua audácia conceitual e execução. O álbum foi considerado uma 'master-class' e um 'clássico em si mesmo', embora alguns o considerassem menos imediatamente acessível que seus antecessores. A imprensa especializada destacou sua capacidade de transcender a originalidade de seu processo de produção para se firmar como um trabalho instrumental forte e envolvente. O trabalho de Amon Tobin neste álbum, ao explorar profundamente o papel do 'sound design' e das gravações de campo, consolidou sua reputação como um dos artistas eletrônicos mais visionários de sua geração, exercendo 'grande inspiração para muitos'. O impacto de Foley Room ressoa não apenas na música eletrônica, mas também em como o som pode ser concebido, gravado e manipulado para criar experiências auditivas ricas e inesperadas. O lançamento foi acompanhado por um documentário em DVD, detalhando o processo de gravação, o que ajudou a aprofundar a compreensão e apreciação da obra.
Análises
Discogs
Foley Room – Discogs
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