Permutation

Amon Tobin

1998

Capa de Permutation
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Permutation, lançado em 1998, representa um marco fundamental na discografia de Amon Tobin, um produtor brasileiro que, embora nascido no Brasil, consolidou sua carreira no cenário global da música eletrônica. É crucial ressaltar que, apesar de sua origem, a obra de Tobin se afasta das sonoridades tradicionais da Música Popular Brasileira (MPB), mergulhando profundamente nos domínios do drum and bass, trip hop e IDM experimental, gêneros que ele ajudou a redefinir com sua abordagem inovadora. Este álbum é uma exploração sonora densa e atmosférica, caracterizada por batidas intrincadas, texturas sonoras ricas e um uso sofisticado de samples, elementos que se tornaram a assinatura de Tobin. Permutation solidificou sua reputação como um dos mais visionários arquitetos sonoros de sua geração, criando paisagens auditivas que são ao mesmo tempo enigmáticas, rítmicas e profundamente imersivas. O trabalho transcende barreiras de gênero, misturando jazz, funk, hip-hop e percussão latina com técnicas eletrônicas de ponta, resultando em uma colagem sonora única e etérea.

Contexto

Antes de Permutation, Amon Tobin já havia estabelecido uma base sólida com seu trabalho sob o pseudônimo Cujo e, mais notavelmente, com o álbum Bricolage de 1997, que foi amplamente considerado um manifesto estético em sua abordagem de colagem baseada em samples. Sua assinatura com a prestigiada gravadora Ninja Tune, conhecida por ser um berço da música eletrônica experimental, impulsionou seu perfil, preparando o terreno para Permutation. O período de meados para o final dos anos 90 foi efervescente para a música eletrônica, com artistas buscando expandir os limites da produção e da composição, e Tobin estava na vanguarda desse movimento.

Gravação

A produção de Permutation foi meticulosa, refletindo a dedicação de Amon Tobin à arte da amostragem e da síntese sonora. O álbum foi lançado pela Ninja Tune, um selo sinônimo de inovação na música eletrônica. Tobin é conhecido por sua habilidade em manipular timbres de instrumentos, criando novos sons e os tecendo em um fluxo orgânico. Sua técnica envolvia a cuidadosa montagem e distorção de trechos de discos de big band, transformando-os em uma tapeçaria complexa de batidas e melodias que se assemelhavam a uma "Capela Sistina da música baseada em batidas". Kevin Foakes, sob o pseudônimo Openmind, foi responsável pela fotografia e pelo design da embalagem do álbum, contribuindo para a estética visual que complementa a complexidade sonora do trabalho.

Músicas

As composições de Permutation são notáveis pelo uso criativo e muitas vezes perturbador de diálogos e trechos de trilhas sonoras. Faixas como "Like Regular Chickens" e "People Like Frank" exemplificam essa abordagem, incorporando diálogos dos filmes Eraserhead (1977) e Blue Velvet (1986), respectivamente, de David Lynch. "People Like Frank" vai além, também sampleando partes da trilha sonora de Blue Velvet, composta por Angelo Badalamenti. Esses elementos cinematográficos adicionam uma camada de narrativa e uma atmosfera peculiar às já intrincadas paisagens sonoras de Tobin. O álbum apresenta uma fusão de ritmos complexos de drum and bass com samples jazzísticos e melodias exóticas e misteriosas, como demonstrado em faixas como "Bridge" e "Nightlife", que são frequentemente citadas como exemplos da genialidade do álbum. A sonoridade é coesa, mas nunca repetitiva, mantendo o ouvinte engajado com sua natureza hipnótica e experimental.

Legado

Permutation desempenhou um papel crucial na ascensão contínua do perfil de Amon Tobin no cenário global da música eletrônica. O álbum foi amplamente aclamado pela crítica, solidificando sua posição como um inovador do gênero e um mestre na arte da colagem sonora. A repercussão positiva do lançamento impulsionou Tobin a se apresentar em festivais e locais de prestígio, como o Coachella Valley Music and Arts Festival, o Knitting Factory e o Montreal International Jazz Festival, expandindo significativamente seu público e influência. Considerado um "clássico" e um "marco" do trip hop e do drum and bass da década de 90, Permutation inspirou muitos artistas e críticos, sendo descrito como um álbum acessível apesar de sua complexidade, capaz de cativar tanto fãs de longa data quanto novos ouvintes. A habilidade de Tobin em criar puzzles sonoros sofisticados e fluídos neste álbum continua a ser referenciada como um ponto alto em sua discografia e na história da música eletrônica experimental.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Composição, Produção

Amon Tobin

Design, Fotografia

Openmind

Referências