Little Electric Chicken Heart

Ana Frango Elétrico

2019

Capa de Little Electric Chicken Heart
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Little Electric Chicken Heart, o segundo álbum de Ana Frango Elétrico, lançado em 2019, firmou-se como um marco na MPB contemporânea por sua fusão ousada e singular de estilos. A artista carioca tece uma tapeçaria sonora que abrange o pop barroco, o pop psicodélico, o jazz pop e o samba jazz, criando uma estética que evoca a nostalgia e as sonoridades dos anos 1960 e 1970, com ecos de mestres como Quincy Jones e Burt Bacharach. O disco não apenas homenageia essas influências, mas as reimagina sob uma ótica fresca e experimental. O título enigmático, "Little Electric Chicken Heart", traduz a ideia de um "paralelismo miúdo": a simultaneidade de um coração pequeno e grandioso, inconsequente e elétrico, que reflete uma sensibilidade brasileira ao pensar em inglês. Essa dualidade permeia o trabalho, que, embora remeta a tempos passados com sua atmosfera de "chamber pop" e "balada-jazz", mantém uma linguagem contemporânea e idiossincrática. É um convite a uma experiência sensorial, onde camadas de guitarras, metais e vozes se sobrepõem de maneira propositalmente inexata, revelando uma artista que busca o inusitado no familiar.

Contexto

Após o lançamento de seu álbum de estreia, Mormaço Queima, Ana Frango Elétrico embarcou em uma jornada de pesquisa e experimentação para a concepção de Little Electric Chicken Heart. Sua intenção era aprofundar-se em novas sonoridades e influências, visando construir uma atmosfera que despertasse memórias afetivas e um senso de nostalgia no ouvinte. A ideia do título "Little Electric Chicken Heart" surgiu de forma peculiar, durante um churrasco com amigos, ao observar um coração de galinha cozinhando. Essa imagem despretensiosa, carregada de simbolismo, tornou-se o catalisador para a exploração de temas como amor e sentimentos profundos. A capa, desenvolvida por Caio Paiva, optou por um close-up íntimo de Ana, reforçando a sensação cinematográfica e pessoal que a artista desejava transmitir, mesmo que o título em inglês estivesse ausente, evidenciando uma forma brasileira de pensar na língua estrangeira.

Gravação

A produção musical de Little Electric Chicken Heart foi um esforço colaborativo, liderado pela própria Ana Frango Elétrico em parceria com Martin Scian, o que garantiu a autenticidade da visão artística. Os arranjos de metais, elemento crucial para a sonoridade rica e setentista do álbum, ficaram a cargo de Antonio Neves, contribuindo para o som expansivo e a ambientação nostálgica. As sessões de gravação se espalharam por diferentes espaços, incluindo o Estúdio Verde e o Estúdio Barco, permitindo uma diversidade de texturas e ambientes sonoros. O projeto também se beneficiou da participação de uma constelação de talentos da cena musical brasileira, como Guilherme Lirio, Dora Morelenbaum e Tim Bernardes, cujas contribuições enriqueceram a instrumentação e os vocais, forjando a identidade sonora única do disco.

Músicas

As nove faixas de Little Electric Chicken Heart apresentam uma tapeçaria lírica e instrumental que desafia o óbvio. O álbum se abre com "Saudade", uma peça que ressoa fortemente com a sensibilidade brasileira, iniciando com um solo de piano envolvente antes de se transformar em um arranjo caloroso, pontuado por delicados sopros de jazz e a entrega vocal sutil de Ana. Já "Promessas e Previsões", a única faixa não composta por Ana, mas por Chico França, se destaca como um "groove" crepuscular que cresce em picos absorventes, abordando temas de nostalgia e doces memórias, explorados também em seu videoclipe em colaboração com Paula Gaitán. Outros destaques incluem a efervescente "Chocolate", aclamada como um hino em apresentações ao vivo e elogiada pela liberdade vocal e concepção musical, além de explorar o amor e "pequenos sentimentos que são bastante grandes". A faixa "Se No Cinema" cativa com seu charme peculiar e melodias pegajosas, que por vezes se metamorfoseiam em um espírito de carnaval. A abordagem lírica de Ana frequentemente se inclina para o "nonsense" construtivo, onde as palavras servem como complemento rítmico e melódico, mais do que por seu sentido literal, criando um universo particular que convida o ouvinte a uma imersão na mente da artista.

Legado

Little Electric Chicken Heart rapidamente solidificou sua reputação como uma joia da música brasileira contemporânea, recebendo aclamação crítica tanto nacional quanto internacional. O álbum foi reconhecido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como um dos 25 melhores discos brasileiros do segundo semestre de 2019. Sua repercussão internacional foi notável, culminando em uma avaliação de nota 8 pelo influente crítico musical estadunidense Anthony Fantano, do The Needle Drop, que o descreveu como uma "fusão autenticamente vintage de chamber pop, rock, samba e jazz". Em 2020, o trabalho de Ana Frango Elétrico foi celebrado com indicações a prêmios importantes, incluindo "Álbum do Ano" no Prêmio Multishow de Música Brasileira e, de forma ainda mais significativa, uma indicação ao Grammy Latino na categoria de "Melhor Álbum de Rock/Alternativo em Português". Essa indicação ao Grammy Latino sublinhou a capacidade do álbum de transcender barreiras de gênero, misturando referências de MPB, Tropicália, indie rock, punk e pop em um estilo coeso e distinto. Desde seu lançamento, a demanda por cópias físicas do álbum cresceu exponencialmente, tornando-o um item de colecionador e cimentando seu status como um futuro clássico da música brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo [Backing Vocals]

Dora Morelenbaum

Arranjo [Backing Vocals], Arranged By [Vocals]

Tim Bernardes

Arranjo [Brass]

Antonio Neves

Arranjo [Vocals]

Vovô Bebê

Produção Executiva

Santiago Perlingeiro

Produção, Creative Director, Composição

Ana Frango Elétrico

Produção, Masterização, Mixagem

Martin Scian

Vocais de Apoio

Dora Morelenbaum, Gil Sant'anna, Guilherme Lirio, João Caetano Soares, Juliana Thiré, Laura Lavieri, Raquel Dimantas, Thomás Duarte, Tuca, Victor Conduru, Vovô Bebê

Saxofone Barítono

Marcelo Cebukin

Baixo

Guilherme Lirio, Vovô Bebê

Cavaquinho

Gabriel Lodo

Congas

Thomás Duarte

Bateria

Antonio Neves, Guilherme Lirio

Guitarra

Ana Frango Elétrico, Guilherme Lirio

Piano Elétrico [Rhodes]

Antonio Neves, Martin Scian

Electronic Drums

Guilherme Lirio

Flauta

Marcelo Cebukin

Guitarra

Ana Frango Elétrico

Lap Steel Guitar

Guilherme Lirio

Metallophone

Guilherme Lirio

Órgão

Tim Bernardes, Vovô Bebê

Percussão

Marcelo Costa

Piano

Antonio Neves

Repinique

João Caetano Soares

Stylist [Costume Design]

Barbara Tavares, Raquel Dimantas

Synth

Alberto Continentino

Saxofone Tenor

Marcelo Cebukin

Timbales

Thomás Duarte

Trombone

Antonio Neves

Trompete

Antonio Neves, Eduardo Santana

Gravação

Angelo Wolf, Gui Jesus Toledo, Kayan Guter, Martin Scian, Pedro Dias Carneiro, Sarah Abdala

Gravação [Assistant]

Ricardo Richaid

Direção de Arte

Caio Paiva

Design Gráfico

Caio Paiva

Fotografia

Hick Duarte

Referências

Livros