Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua
Ana Frango Elétrico
2023

Porque Merece Estar na Lista
Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua, o terceiro álbum de estúdio de Ana Frango Elétrico, lançado em 2023, é uma obra que se destaca por sua audácia e originalidade no cenário da MPB contemporânea. O disco é uma fusão habilidosa de múltiplos gêneros, transitando com fluidez entre o MPB, jazz pop, synth-pop, boogie, lounge e funk, demonstrando a versatilidade e a inventividade musical da artista. Esta riqueza sonora é enriquecida por uma gama diversificada de instrumentos e arranjos, que criam uma experiência auditiva multifacetada e envolvente. Considerado o trabalho mais multifacetado de Ana Frango Elétrico, o álbum paradoxalmente alcança uma notável unidade em seu resultado final. Ele resgata e entrelaça sonoridades dos anos 1970 e 1980, incorporando influências de disco, soul, rock, pop e jazz, sem jamais soar datado. Pelo contrário, Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua reinventa essas referências, apresentando um som fresco e inconfundível que sublinha a singularidade da proposta artística de Ana.
Contexto
A gênese de Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua remonta a 2021, período em que Ana Frango Elétrico iniciou o processo de composição durante a pandemia, com uma intenção clara de explorar e expressar sentimentos e entendimentos sobre o amor queer. Esta perspectiva se tornou o cerne temático do álbum, permeando as letras e abordando questões ligadas ao não binarismo, aos gêneros e à sexualidade com uma sensibilidade particular. Ana buscou deliberadamente criar um disco permeado por uma energia sexual autêntica, presente em suas letras, melodias, composições e arranjos, mas de forma a se desvencilhar dos clichês frequentemente associados ao pop mainstream. O processo criativo da artista envolveu uma imersão profunda no estúdio com os músicos participantes, onde Ana, também responsável pela produção, moldou um trabalho que reflete sua subjetividade, confusões e "micromutações", funcionando como um "trabalho aberto" para o público acompanhar sua trajetória.
Gravação
O processo de gravação de Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua foi conduzido por Ana Frango Elétrico (Fainguelernt) de maneira experimental e espontânea, prescindindo de ensaios prévios. Esta abordagem permitiu uma criação mais orgânica, capturando a energia e a criatividade do momento entre os músicos. O trabalho foi intensamente realizado em um estúdio situado na região serrana do Rio de Janeiro, onde Ana e sua equipe de colaboradores passaram períodos concentrados de gravação. A cantora contou com a maestria de diversos músicos, incluindo Dora Morelenbaum nos arranjos de cordas e vocais de apoio, Marlon Sette no trombone e arranjos de metais, Alberto Continentino no baixo, Marcelo Costa na percussão e Sérgio Machado na bateria, entre outros, que enriqueceram a tapeçaria sonora do álbum com suas contribuições.
Músicas
A essência lírica de Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua é profundamente marcada pela temática queer, que se entrelaça nas composições para abordar questões pertinentes ao não binarismo, aos gêneros e à sexualidade. Ana Frango Elétrico delineou um disco com uma energia sexual palpável, manifesta nas letras, melodias e arranjos, mas com a intenção de romper com os padrões e clichês do pop mainstream. As canções refletem a multiplicidade da banda e as referências estéticas e musicais distintas de seus integrantes, gerando uma sonoridade coesa e inovadora. Ana menciona uma mudança em seu próprio processo composicional, oscilando entre a busca por uma canção mais clássica e a desconstrução intencional, tudo isso para expressar sua subjetividade, "confusão, autoteorias e micromutações" e as "construções e desconstruções da minha própria imagem".
Legado
Desde seu lançamento, Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua foi amplamente aclamado tanto pela crítica especializada quanto pelos fãs, consolidando-se como um marco na carreira de Ana Frango Elétrico. O álbum foi distinguido com o prestigiado prêmio APCA de Disco do Ano, um reconhecimento significativo no cenário musical brasileiro. Internacionalmente, a obra também obteve grande repercussão, sendo indicada ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Rock/Alternativo em Português. Além disso, a crítica internacional o recebeu com entusiasmo, com o renomado crítico musical estadunidense Anthony Fantano concedendo-lhe uma nota 8, reiterando o impacto e a qualidade do trabalho. O álbum foi também amplamente divulgado e elogiado em plataformas de streaming e redes sociais, aparecendo em diversas listas e resenhas que destacaram sua relevância.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Alberto Continentino, Ana Frango Elétrico, Marlon Sette
Dora Morelenbaum
Alberto Continentino
Aline Gonçalves, Vovô Bebê
Ana Frango Elétrico
Santiago Perlingeiro
Ana Frango Elétrico
Calu, Dora Morelenbaum
Ana Frango Elétrico
Alberto Continentino, Joca
Alberto Continentino
Aline Gonçalves
Daniel Silva, Thais Ferreira
Sérgio Machado
Lux Ferreira
Ana Frango Elétrico
Alberto Continentino
Gilberto Pereira, Jorge Continentino, Vovô Bebê
Ana Frango Elétrico
Guilherme Lirio
Lux Ferreira
Marcelo Costa, Pablo Carvalho, Rodrigo Maré, Thomas Harres
Guilherme Lirio
Ana Frango Elétrico
Gilberto Pereira, Jorge Continentino
Alberto Continentino
Ana Frango Elétrico, Lux Ferreira, Thomás Jagoda
Guilherme Lirio
Sérgio Machado
Marlon Sette
Diogo Gomes
Daniel Nogueira de Albuquerque, Luis Felipe Ferreira
Carla Rincón, Ivan Scheinvar, Luísa Neiva De Castro, Thiago Teixeira, Tomaz Soares
Paola Pagnosi
Beatriz Tannure, Bruno Di Lullo, Felipe Duriez, Luís Fernando F. Marques, Theo Albertino, Thomás Jagoda
Martin Scian
Ana Frango Elétrico, Angelo Wolf, Braulio Passos, Conrado Kempers, Eduardo Manso, Guido Pera, Ivo Costa, Kayan Guter, Luigi Tedesco, Pedro Paulo Monnerat, Vovô Bebê
Ana Frango Elétrico
Fernanda Massotti