Holy Land

Angra

1996

Capa de Holy Land
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Por Que Esse Disco é Importante

Holy Land, o segundo álbum da banda brasileira de heavy metal Angra, lançado em 1996, representa um marco fundamental na música pesada nacional e internacional. Este disco é uma obra conceitual audaciosa, que mergulha nas raízes históricas do Brasil, abordando a época do seu descobrimento no século XVI sob uma perspectiva europeia. A arte da capa, que se desdobra em um antigo mapa-múndi, já sinaliza a profundidade temática e a ambição do projeto. Musicalmente, Holy Land é um divisor de águas na discografia do Angra, consolidando uma sonoridade distintiva que transcende os limites do heavy metal tradicional. O álbum é notável por sua inovadora fusão de ritmos afro-brasileiros, influências da música clássica e o power metal progressivo que a banda já dominava. Essa alquimia sonora, que incorporou percussão "Santana-like" e instrumentos acústicos e de sopro, conferiu ao Angra uma identidade única e exótica, distanciando-o de seus contemporâneos e estabelecendo-o como um nome de peso na cena musical global.

Contexto

Antes de Holy Land, o Angra havia explorado uma sonoridade mais europeia em seu álbum de estreia, Angels Cry, em parte devido à influência do produtor alemão Charlie Bauerfeind. No entanto, Holy Land marcou uma mudança consciente para uma abordagem mais brasileira, buscando uma originalidade que misturasse as múltiplas identidades culturais dos membros da banda, que se viam como músicos clássicos, brasileiros e amantes do heavy metal. O conceito do álbum, que se centra na terra brasileira e na mistura de culturas, raças e religiões, nasceu de uma canção homônima escrita pelo vocalista Andre Matos. A ideia era narrar a história do nascimento do Brasil através da música, explorando não apenas a descoberta territorial, mas também a identidade cultural que se formava.

Gravação

A fase de composição de Holy Land ocorreu em 1995, ao longo de aproximadamente quatro meses, com a banda isolando-se em uma fazenda na cidade de Tapiraí, interior de São Paulo, para criar o repertório completo. O processo foi finalizado em um sítio pertencente ao baterista Ricardo Confessori, que fazia sua estreia em estúdio com a banda neste álbum. As gravações se estenderam de meados de 1995 até o início de 1996, utilizando uma rede de cinco estúdios. Os instrumentos principais foram registrados em estúdios alemães como Hansen Studios (Hamburgo), Big House (Hanôver) e HG Studio (Wolfsburg). As sobreposições com instrumentos tipicamente brasileiros, como percussão, flauta, viola e berimbau, além de coros e baixo acústico, foram gravadas no Djembe Studio, em São Paulo, entre agosto e outubro de 1995. A produção do álbum ficou a cargo dos renomados alemães Charlie Bauerfeind e Sascha Paeth, com Bauerfeind também responsável pela engenharia de som e mixagem, realizadas em janeiro de 1996 nos estúdios Vox Klang e Hansen. A produção de percussão brasileira e latina, que incluía congas, djembê, timbales e outros, foi assinada por Tuto Ferraz, e os arranjos orquestrais e programação de teclados foram feitos por Sascha Paeth.

Músicas

As particularidades de Holy Land se manifestam em faixas que celebram a diversidade sonora e temática. A abertura, "Crossing", incorpora uma versão de "O Crux Ave" de Giovanni Pierluigi da Palestrina, imediatamente imergindo o ouvinte em uma atmosfera de época. As canções subsequentes exploram a vida na "Terra Santa" antes da colonização portuguesa e as transformações decorrentes da chegada dos europeus, com "Z.I.T.O." sendo um exemplo de power metal direto, e "Make Believe" e "Deep Blue" apresentando baladas progressivas. "Nothing To Say" é uma das canções mais aclamadas da banda, surgindo de um riff de bateria criado por Ricardo Confessori e que, segundo ele, ditou o som do álbum. A faixa-título, "Holy Land", destaca-se por suas fortes influências indígenas e folclóricas brasileiras, combinadas com arranjos clássicos que remetem à Europa daquele período, com um notável toque de piano de Andre Matos. A épica "Carolina IV" é frequentemente citada como um dos pontos altos, misturando ritmos étnicos, riffs de power metal e frases sinfônicas, e seu solo de flauta é uma citação/variação de "Bebê", um tema de Hermeto Pascoal. Outras faixas como "The Shaman" também utilizam elementos de percussão e sons de floresta, enquanto "Lullaby For Lucifer" encerra o álbum de forma mais acústica e ambiente.

Legado

Holy Land consolidou o sucesso do Angra, repetindo o êxito comercial de seu predecessor, Angels Cry, tanto no Brasil quanto no Japão, onde conquistou novamente um disco de ouro por mais de cem mil cópias vendidas. A recepção crítica foi amplamente aclamada, com o álbum sendo considerado, até os dias atuais, uma obra-prima do metal nacional e internacional. Publicações como Roadie Metal o classificaram como um clássico do metal brasileiro, destacando a fusão de metal com percussão nacional. O Sputnikmusic descreveu-o como um "álbum ambicioso" que "nunca falha em atingir seu objetivo", elogiando a combinação de interlúdios clássicos, vocais potentes e elementos folk de forma intrigante, tornando-o "indispensável" para fãs de power, progressive ou folk metal. Reconhecido como uma "opus magnum" da banda e um marco no gênero power metal, Holy Land solidificou o status do Angra como um dos maiores representantes do heavy metal com identidade brasileira, influenciando e inspirando uma geração de músicos ao demonstrar a viabilidade e o brilho da fusão de sonoridades regionais com a complexidade do metal progressivo e do poder sinfônico.

Faixas

Créditos

Arranjo

Angra

Arranjo [Flute & Viola]

Andre Matos

Arranjo [Orchestral]

Andre Matos, Sascha Paeth

Coprodução [Brazilian And Latin Percussion Parts]

Ricardo Confessori

Produção Executiva

Antonio Pirani

Produção, Engenheiro de Som

Charlie Bauerfeind, Sascha Paeth

Letra [Assistance]

John L. Newman

Composição [Choirs]

Giovanni Pierluigi da Palestrina

Composição [Choirs], Arranged By [Choirs]

Andre Matos

Participação Especial, Arranjo [Brazilian And Latin Percussion Parts], Producer [Brazilian And Latin Percussion Parts]

Tuto Ferraz

Participação Especial, Berimbau

Pixu Flores

Participação Especial, Choir

The Farrambamba Vocal Group

Participação Especial, Choir, Alto Vocals

Mônica Thiele

Participação Especial, Choir, Bass Vocals

Reginaldo Gomes

Participação Especial, Choir, Soprano Vocals

Celeste Gattai

Participação Especial, Regência [Choirs]

Naomi Munakata

Participação Especial, Congas, Djembe, Timbales, Snare [Brush Snares], Claves, Triângulo, Repinique, Tom Tom

Tuto Ferraz

Participação Especial, Contrabaixo [Acoustic]

Holger Stonjek

Participação Especial, Didgeridoo [Special Solo]

Ben Bischoff

Participação Especial, Effects [Percussive], Voice [FX], Whistle, Tamborim

Castora

Participação Especial, Flauta

Paulo Bento

Participação Especial, Viola

Ricardo Kubala

Vocais

Andre Matos

Baixo

Luis Mariutti

Choir, Tenor Vocals

Andre Matos

Computer, Teclados [Programming]

Sascha Paeth

Crew [Euro Coach Driver]

Hugo Balslinke

Crew [Merchandiser]

Ingo C. Soares, Oliver Laudahn

Crew [Roadies]

Adriano Night, Claudinho, Claudião, Douglas, Filé, Gargamel, Marcão, Michael Berger, Mirko, Thomas Müller, Vespaciano Ayala

Crew, Participação Especial, Teclados

Leck Filho

Crew, Gerenciamento [Tour]

Antonio Pirani, Mark Nowak

Crew, Técnico

Alvaro "Huguinho", Everson, Junior Gaspari, Juréia, Mike Haymann

Bateria

Ricardo Confessori

Guitarra

Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt

Piano, Teclados, Órgão

Andre Matos

Sleeve [Design]

Kohlbecher & Partner

Mixagem

Charlie Bauerfeind

Arte [Cover], Illustration [Logo]

J. Alberto Torquato

Conceito Visual [Cover]

Andre Matos, Rafael Bittencourt

Design [Digidesign Support By]

Klang Konzepte

Texto do Encarte

Fernando Pessoa

Gerenciamento [Business]

R. Limb Schnoor

Gerenciamento [Personal]

Antonio Pirani

Fotografia

Nikolaj Georgiew

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Análises

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Um dos maiores clássicos da discografia do Angra e do Metal nacional. Assim pode ser definido o segundo álbum da banda, "Holy Land", de 1996. A mistura de Metal com percussão, que dá uma cara mais "abrasileirada", é um dos motivos para colocá-lo entre os maiores da cena tupiniquim e mundial.

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