No Ritmo da Terra

Antropoceno

2026

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Por Que Esse Disco é Importante

No Ritmo da Terra, o segundo álbum do projeto Antropoceno liderado pela artista Lua Viana, emerge como uma obra singular e profundamente relevante na cena musical brasileira de 2026. Lançado em 16 de março de 2026, o trabalho se destaca por sua fusão audaciosa de gêneros, transitando com fluidez entre o post-rock, o metal de vanguarda, o glitch e as raízes da Música Popular Brasileira, incorporando elementos do samba, afoxé, e cânticos de Candomblé e Capoeira. Este álbum não é apenas uma exploração sonora, mas um manifesto artístico que busca recontextualizar tradições afro-brasileiras e indígenas, promovendo um diálogo entre ancestralidade e futurismo. Ele convida o ouvinte a uma experiência imersiva e transportadora, desafiando a percepção ocidental de música e tempo ao integrar paisagens sonoras da floresta amazônica e vocais em português, tupi e iorubá.

Contexto

No Ritmo da Terra é a segunda parte de uma trilogia de álbuns idealizada por Lua Viana, inspirada no conceito de "futuro ancestral" do filósofo indígena brasileiro Ailton Krenak. Este trabalho sucede o álbum de estreia de Antropoceno, Natureza Morta, lançado em 2025, que já havia estabelecido a propensão de Viana para misturar samba, shoegaze, post-rock e toques de metal. Com o segundo capítulo, Viana aprofunda sua visão, utilizando a música como um veículo para desafiar visões antropocêntricas e a hegemonia de narrativas coloniais.

Gravação

A produção de No Ritmo da Terra apresenta uma notável melhoria em relação ao álbum anterior, Natureza Morta, com uma mixagem mais limpa e detalhes sonoros mais nítidos, permitindo que a riqueza das múltiplas camadas instrumentais se revele plenamente. O álbum incorpora uma paleta sonora idiossincrática, manipulando elementos da música folclórica brasileira e gravações de campo da floresta amazônica com técnicas eletrônicas futuristas. A composição densa e imersiva do trabalho interlaça percussão ritualística, cantos e os field recordings, que não são meros adereços estilísticos, mas sim fundamentos estruturais da música.

Músicas

As composições de No Ritmo da Terra são longas, complexas e ricas em detalhes, recompensando escutas repetidas. Faixas como "Pe Rembi'urama" destacam-se por seus ritmos propulsivos e acentos celestiais, mesclando sons estrondosos e cristalinos que flutuam na mixagem. A longa "Xe Anama (Coração no Ritmo da Terra)", com 11 minutos, exemplifica a maestria de Viana na composição e no ritmo, criando uma jornada sonora que oscila entre a intensidade e o transe. Letras em português, tupi e iorubá valorizam as populações indígenas e historicamente escravizadas do Brasil, e em algumas músicas, Viana inclui leituras de passagens da literatura de Krenak e até gravações de sua avó, adicionando uma profundidade ancestral e pessoal.

Legado

No Ritmo da Terra foi recebido com entusiasmo pela crítica, sendo considerado um dos destaques de 2026 por sua abordagem transformadora e imersiva. O álbum é elogiado por sua capacidade de fundir uma miríade de estilos musicais de forma coesa, criando uma sonoridade que é ao mesmo tempo "incrível e super única" e um "milagre sônico genuíno". É reconhecido não apenas por sua qualidade musical, mas também por sua profundidade filosófica e política, desafiando as relações entre gêneros ocidentais e influências culturais afro-brasileiras e indígenas, e propondo uma realinhamento ontológico com a natureza. O trabalho de Viana com Antropoceno é visto como parte de um movimento de artistas que contribuem para a música underground sul-americana, destacando-se por sua composição ousada e intenções políticas claras.

Faixas

Créditos

Vocais

Gabi D'Oyá, Pai Viny

Cover [Back Cover], Fotografia

Gabriel Cavalcanti

Arte [Cover Art]

g4laco

Análises

Resenha: Antropoceno - "No ritmo da Terra"

popfantasma.com.br

Criado pela musicista Lua Viana, o Antropoceno faz metal-afoxé. Uma mistura pesada, intensa, e que ainda abarca outras referências, incluindo vários outros ritmos afro, jazz, eletrônica à la Boards Of Canada, dream pop e até krautrock.

Crítica | Antropoceno: "No Ritmo da Terra" - Música Instantânea

musicainstantanea.com.br

Segundo capítulo da série de discos inspirados na obra do ambientalista, escritor e filósofo brasileiro Ailton Krenak, No Ritmo da Terra (2026, Longinus) revela o domínio criativo de Lua Viana em relação ao próprio trabalho no Antropoceno.

Stuckinmusic's Review of 'No Ritmo da Terra' by Antropoceno

albumoftheyear.org

Seria uma ótima ideia misturar ritmos brasileiros com post-rock enquanto explora a cultura brasileira, porém, No Ritmo da Terra parece sempre poder ser mais. O projeto é bonito ao escutar, porém ao reparar bem, é possível perceber vários erros de mixagem grotescos.

Review: Antropoceno - No Ritmo da Terra - The Progressive Subway

theprogressivesubway.com

The eleven-minute slow-burning "Xe Anama (Coração no Ritmo da Terra)" builds in classic post-rock fashion with mildly distorted guitars hyperventilating in aching tremolos, while a flute plays the main melody, interweaving between spoken word clips.

Album Review: Antropoceno - No Ritmo da Terra - Beats Per Minute

beatsperminute.com

The 11-minute "Xe Anama (Coração no Ritmo da Terra)" underscores Viana's talent for composition and pacing - stoking and tamping fire, to put it ritualistically - as she works with spaciousness, busyness, and lulling sounds contrasted with engaging melodic lines.

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