Noel Rosa e Aracy de Almeida

Aracy de Almeida

1950

Capa de Noel Rosa e Aracy de Almeida
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

O conjunto de álbuns "Noel Rosa e Aracy de Almeida", lançado entre 1950 e 1951 pela cantora Aracy de Almeida, representa um marco fundamental na preservação e na popularização da obra do "Poeta da Vila". Este trabalho não é apenas um registro fonográfico, mas uma declaração artística da mais fiel intérprete de Noel Rosa, que com sua voz inconfundível e estilo único, deu nova vida a canções que, treze anos após a morte do compositor, corriam o risco de cair no esquecimento. Através da sensibilidade de Aracy, sambas atemporais como "Palpite Infeliz", "Conversa de Botequim" e "Último Desejo" ganharam contornos definitivos, solidificando a imagem da cantora como a voz canônica do legado noelino. A parceria entre esses dois ícones da MPB transcendeu a amizade e a colaboração profissional, tornando-se uma simbiose musical onde a essência da malandragem e da poesia de Noel encontrou sua expressão máxima na interpretação de Aracy, estabelecendo um padrão de excelência para futuras releituras da obra do compositor.

#71

Essa inspirada junção de dois gênios resulta em clássicos como “Com Que Roupa”, “Fita Amarela” e “O Orvalho Vem Caindo”.

Adriana Alves · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Noel Rosa faleceu precocemente em 1937, aos 26 anos, deixando uma vasta e revolucionária obra que capturava as transformações sociais e urbanas do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX. Aracy de Almeida, por sua vez, já era uma figura estabelecida na música brasileira desde os anos 30, sendo conhecida por sua personalidade forte e seu talento singular. Apelidada de "Samba em Pessoa" ou "A Dama do Encantado", Aracy foi uma amiga íntima e a principal intérprete de Noel ainda em vida, tendo inclusive gravado seu primeiro samba, "Riso de Criança", em 1934. Na década de 1950, quando a obra de Noel Rosa enfrentava um período de menor visibilidade, foi Aracy quem assumiu a responsabilidade de resgatá-la para o público, dando início a uma série de regravações que reintroduziriam o "Poeta da Vila" no cenário musical brasileiro.

Gravação

Os dois álbuns originais, "Noel Rosa e Aracy de Almeida", foram lançados em 1950 e 1951, cada um composto por três discos de 78 rotações. Os discos de 78 rpm eram o formato padrão da indústria fonográfica da época no Brasil, com uma gravação por lado, demandando uma performance coesa e precisa dos artistas e músicos. Essas gravações iniciais pela gravadora Continental contaram com arranjos de Radamés Gnatalli, um dos mais importantes maestros e arranjadores da música brasileira, o que conferiu uma roupagem sofisticada e ao mesmo tempo autêntica aos sambas de Noel. Posteriormente, em 1954, parte dessas faixas foi compilada no LP "Aracy de Almeida Apresenta Sambas de Noel Rosa", já no formato de 33 rotações, uma novidade que permitia maior duração e um repertório mais extenso em um único disco.

Músicas

O repertório dos álbuns é uma verdadeira coletânea de joias do samba, apresentando canções que se tornaram clássicos absolutos da música brasileira. Entre as doze faixas que compõem os dois volumes originais, encontramos a melancolia de "Último Desejo", o humor de "Conversa de Botequim" (parceria com Vadico) e a ironia de "Com Que Roupa", que abre o segundo álbum. Cada samba, seja de autoria exclusiva de Noel Rosa ou em parceria com Vadico ou Kid Pepe, é interpretado com a voz grave e a dicção perfeita de Aracy de Almeida, que sabia extrair a nuance exata de cada letra, seja na crítica social, no drama amoroso ou na observação do cotidiano carioca. Músicas como "Feitiço da Vila" e "Não Tem Tradução" são exemplos da genialidade lírica de Noel e da capacidade de Aracy de traduzir essa poesia em interpretação memorável, tornando-se referências para a execução dessas composições.

Legado

A importância da coletânea "Noel Rosa e Aracy de Almeida" é inquestionável para a historiografia da música brasileira. Em 2007, a versão compilada, "Aracy de Almeida Apresenta Sambas de Noel Rosa", foi merecidamente incluída na lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil, atestando seu valor duradouro e sua influência contínua. Esses discos foram cruciais para o renascimento do interesse pela obra de Noel Rosa após seu falecimento, transformando Aracy na principal guardiã de seu legado musical. A partir dessas gravações, a discografia de Noel Rosa se expandiu exponencialmente, com centenas de intérpretes buscando gravar suas composições, perpetuando o "Poeta da Vila" para as gerações futuras. O trabalho de Aracy estabeleceu um padrão de interpretação que ressoou através dos anos, garantindo a Noel Rosa o reconhecimento que lhe é devido como um dos maiores compositores do Brasil.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Ilustração

Emiliano Di Cavalcanti

Referências

Livros