Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth

Arthur Moreira Lima

1975

Capa de Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

O álbum Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth, lançado em 1975, representa um marco fundamental na discografia brasileira, consolidando a ponte entre a música clássica e a popular. Arthur Moreira Lima, um pianista de renome internacional com projeção mundial por suas interpretações de Chopin, Liszt e Mozart, dedicou-se à obra de Ernesto Nazareth, um dos maiores compositores brasileiros, conhecido como "o rei do choro" e "o Chopin brasileiro". Este trabalho de Moreira Lima trouxe a sofisticação e o rigor técnico da execução erudita para a música de Nazareth, elevando-a a um novo patamar de reconhecimento. A escolha de um repertório tão vasto, compilado em um álbum duplo, ressalta a riqueza e a complexidade das composições de Nazareth, que transitam entre polcas, tangos e choros, revelando a maestria melódica e rítmica do autor. O álbum não é apenas uma interpretação, mas uma celebração da identidade musical brasileira, apresentada com um brilho e uma profundidade que capturam a essência de Nazareth, tornando-o acessível tanto para os apreciadores de música clássica quanto para o público que já reverenciava a música popular.

Contexto

Antes da gravação deste álbum, Arthur Moreira Lima já havia alcançado destaque internacional. Em 1965, conquistou o segundo lugar no VII Concurso Internacional de Piano Chopin, além do prêmio da audiência e de melhor interpretação de sonata. Posteriormente, obteve o terceiro lugar no Leeds International Piano Competition em 1969 e no Concurso Internacional Tchaikovsky em 1970. Sua trajetória era majoritariamente ligada ao repertório clássico europeu. A ideia de gravar um LP dedicado a Nazareth partiu do jornalista e escritor Sérgio Cabral, sendo prontamente aceita pelo publicitário Marcus Pereira, fundador do selo Discos Marcus Pereira. Moreira Lima, que já havia incluído composições de Nazareth em recitais desde 1966, como um histórico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, reconheceu a importância e a qualidade da obra do compositor, insistindo que a gravação fosse um disco duplo para abarcar sua extensão e valor.

Gravação

O álbum duplo Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth foi gravado em 1975 no Bishopsgate Hall, em Londres, Reino Unido. A produção e a engenharia de som ficaram a cargo de Anthony McMillon e Mark Sutton. A qualidade técnica da gravação foi considerada um fator decisivo para o sucesso do disco. O álbum foi lançado no Brasil pela gravadora Discos Marcus Pereira, que se destacou por seu catálogo dedicado à música brasileira de alta qualidade. As notas do encarte foram escritas pelo próprio Marcus Pereira.

Músicas

O álbum apresenta 25 composições de Ernesto Nazareth, abrangendo uma vasta gama de seus estilos e humores. Entre as faixas encontram-se peças emblemáticas como "Fon Fon", "Confidências", "Ameno Resedá", "Batuque", "Coração Que Sente", "Apanhei-Te Cavaquinho", "Famoso", "Floraux", "Odeon" e "Brejeiro". Essas composições são uma fusão única de ritmos brasileiros, como o choro, com elementos da polca, do tango e da valsa europeia, refletindo a originalidade e a genialidade de Nazareth. As interpretações de Arthur Moreira Lima evidenciam a complexidade harmônica e melódica das obras, traduzindo com sensibilidade tanto a vivacidade dos tangos e polcas quanto a melancolia e a profundidade das valsas, como a "requintadíssima 'Confidências'". Os críticos da época ressaltaram a "exata compreensão" do pianista em relação ao "estilo nazarethiano", elogiando os andamentos ideais aplicados às peças, do tranquilo "Floraux" ao super-rápido "Vem cá, Branquinha".

Legado

Arthur Moreira Lima Interpreta Ernesto Nazareth foi um dos grandes acontecimentos da música brasileira em 1975. O crítico Ronaldo Miranda, no Jornal do Brasil, classificou o LP como "uma incisiva contribuição para a solidificação da nossa cultura musical". José Ramos Tinhorão, também no Jornal do Brasil, considerou o LP duplo uma "obra obrigatória", sugerindo que o próprio Nazareth aprovaria as magníficas interpretações. O álbum desempenhou um papel crucial no resgate e na valorização da obra de Ernesto Nazareth, apresentando-a a um público mais amplo e solidificando seu lugar não apenas na música popular brasileira, mas também no repertório erudito. A gravação se tornou uma referência e tem sido relançada em diversos formatos ao longo dos anos, incluindo CDs em 1984 e 2004, atestando sua relevância duradoura.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Anthony McMillon, Mark Sutton

Composição

Ernesto Nazareth

Piano

Arthur Moreira Lima

Engenheiro de Som

Anthony McMillon, Mark Sutton

Texto do Encarte

Marcus Pereira

Referências

Livros