Arthur Verocai

Arthur Verocai

1972

Capa de Arthur Verocai
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

O álbum de estreia de Arthur Verocai, lançado em 1972, é uma obra singular que transcende as categorias musicais de sua época. Embora inicialmente negligenciado, ele se estabeleceu retrospectivamente como um marco da música brasileira, distinguindo-se por sua rica fusão de elementos. Verocai orquestrou uma sonoridade inovadora que combina a efervescência do pop brasileiro com a profundidade do soul, funk e folk americanos. Influenciado por figuras como Frank Zappa, Miles Davis e Wes Montgomery, o disco apresenta um mosaico sonoro progressivo que, embora superficialmente alinhado à Tropicália, foi uma expressão artística independente e visionária do músico. A presença de solos instrumentais marcantes, alguns com toques da música tradicional brasileira como em "Pelas Sombras" e "Karina", adiciona camadas de sofisticação e brasilidade à sua proposta. Apesar de não ter alcançado reconhecimento imediato, Arthur Verocai é hoje celebrado por sua audácia e complexidade musical, demonstrando uma maestria em arranjos e composições que viria a ser reconhecida por novas gerações de artistas e apreciadores da música global.

Contexto

A gravação do álbum Arthur Verocai ocorre em um período de intensa atividade musical para o artista, que havia abandonado o curso de engenharia civil em 1968 para se dedicar integralmente à música. Antes de seu debute solo, Verocai já era um nome requisitado nos bastidores da MPB, atuando como arranjador e instrumentista para grandes nomes como Jorge Ben, Ivan Lins, Gal Costa, Célia e Marcos Valle. O lançamento do disco, em 1972, aconteceu no auge da ditadura militar brasileira, um regime autoritário que persistiria por mais de duas décadas. Este cenário político complexo e repressivo também se refletiria de forma sutil, mas presente, nas letras do álbum.

Gravação

A produção do álbum Arthur Verocai foi marcada por uma notável liberdade criativa concedida ao músico pela gravadora Continental em 1972. Verocai relatou que a gravadora "me deixou fazer o que eu queria", permitindo-lhe total controle sobre o processo de gravação. As sessões de gravação foram realizadas em um estúdio no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro. Para dar vida à sua visão musical, Verocai reuniu um elenco impressionante de músicos, que incluía um naipe de doze violinos, quatro violas e violoncelos, além de duplas de percussão e saxofones, um trombone, uma flauta, um piano elétrico e um time de vocais que se revezaram nas nove canções do disco.

Músicas

As letras do álbum, em sua maioria, foram escritas por Vítor Martins, um compositor abertamente contrário à ditadura militar vigente no Brasil. As canções se destacam por suas críticas abstratas e veladas ao regime, que, segundo Verocai, conseguiram driblar a censura federal da época devido à falta de compreensão dos censores. Musicalmente, o álbum é um caldeirão de influências, com solos de instrumentistas que incorporam pitadas da música tradicional brasileira, como exemplificado nas faixas "Pelas Sombras" e "Karina". Canções como "Na Boca do Sol" e "Cabocla" viriam a se tornar particularmente notáveis décadas mais tarde, quando foram amplamente sampleadas por artistas de hip-hop.

Legado

Inicialmente, Arthur Verocai foi um fracasso comercial e de crítica, resultando em um desapontamento que levou o músico a reavaliar sua carreira solo e dedicar-se mais à composição, arranjos e produção para outros artistas. O álbum permaneceu em relativo anonimato por quase três décadas, com cópias sendo inclusive derretidas pela gravadora devido a dificuldades financeiras e baixa demanda. Sua redescoberta ocorreu no início dos anos 2000, impulsionada por produtores de hip-hop estadunidenses. Em 2005, a faixa "Cabocla" foi sampleada pelo Little Brother na música "We Got Now", e "Na Boca do Sol" foi utilizada por MF Doom em "Orris Root Powder". Essa redescoberta gerou uma onda de reconhecimento, com o álbum sendo reeditado pela Ubiquity nos EUA em 2003 e aclamado retrospectivamente. Críticos como Jason Ankeny, da AllMusic, descreveram-no como um "mosaico sonoro cintilante e onírico", enquanto produtores como Madlib o consideram um de seus favoritos. Hoje, Arthur Verocai é considerado a obra-prima do músico, com cópias originais do LP alcançando altos valores no mercado de colecionadores. O ressurgimento do interesse no trabalho de Verocai o motivou a lançar outro álbum de estúdio, Saudade Demais, em 2002, trinta anos após seu icônico debute, e a realizar um concerto em Los Angeles em 2009, parte da Timeless: The Composer/Arranger Series.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência, Composição, Guitarra, Vocais

Arthur Verocai

Composição

Paulinho Tapajós, Vitor Martins

Vocais

Célia, D. Carlos, Gilda Horta, José Carlos, Luiz Carlos Batera, Paulinho Da Costa, Toninho Café, Toninho Horta

Saxofone Alto

Oberdan Magalhães

Flauta

Oberdan Magalhães

Guitarra

Hélio Delmiro

Musician

Aloisio Milanez, Edson Maciel, Hamilton, Hélio Delmiro, Jorge Ferreira Da Silva, Luiz Alves, Luiz Carlos Batera, Nivaldo Ornelas, Oberdan Magalhães, Pascoal Meirelles, Paulinho Da Costa, Paulo Moura, Pedro Santos, Robertinho Silva, Serginho Do Trombone

Piano

Aloisio Aguiar

Saxofone Soprano

Paulo Moura

Saxofone Tenor

Nivaldo Ornelas

Trombone

Edson Maciel

Texto do Encarte

Vitor Martins

Podcasts

Referências

Livros