September 17, 1969

Astrud Gilberto

1970

Capa de September 17, 1969
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Por Que Esse Disco é Importante

Lançado em 1970, o álbum "September 17, 1969" de Astrud Gilberto representa um momento de transição e expansão estilística na carreira da aclamada "Queen of Bossa Nova". Distanciando-se do purismo do gênero que a consagrou mundialmente, este trabalho abraça sonoridades mais amplas e contemporâneas do final dos anos 1960. Com sua voz suave e quase sussurrada, Astrud navega por arranjos que incorporam elementos do pop e do easy listening, mantendo a elegância que se tornou sua marca registrada. O disco destaca-se por sua abordagem de canções conhecidas, reinterpretadas com a delicadeza vocal única de Gilberto e uma instrumentação mais "groovy" e orquestral. Ele oferece uma perspectiva de como a artista explorava novas direções musicais, sem perder a essência melódica e a interpretação sutil que a definem. O álbum é um testemunho da versatilidade de Astrud e sua capacidade de transcender os rótulos, explorando um repertório que dialoga com o cenário musical da época.

Contexto

Astrud Gilberto alcançou fama internacional em meados dos anos 1960, após sua contribuição vocal para o sucesso global "The Girl from Ipanema". A partir de seu primeiro álbum solo, "The Astrud Gilberto Album", em 1965, ela consolidou uma carreira prolífica, lançando diversos trabalhos pela Verve Records até 1970. Tendo imigrado permanentemente para os Estados Unidos em 1963 e se divorciado de João Gilberto em 1964, Astrud construiu sua identidade artística no cenário internacional, tornando-se uma figura popular tanto nos EUA quanto no Japão. O final dos anos 1960 marcou um período de experimentação e fusão para a bossa nova, com artistas como Astrud Gilberto expandindo o som para incorporar mais influências pop.

Gravação

O álbum "September 17, 1969" foi gravado no Century Sound Studios, em Nova York. A produção, engenharia e os arranjos vocais ficaram a cargo de Brooks Arthur, que trabalhou para moldar a sonoridade distintiva do disco. A maioria dos arranjos e a condução foram feitos por Albert Gorgoni, com Michel Legrand sendo responsável pelo arranjo de uma das faixas, "Let Go (Canto de Ossanha)". O time de músicos incluiu nomes notáveis como Airto Moreira na percussão, enriquecendo a textura rítmica do álbum. A gravação contou ainda com uma seção instrumental abrangente, incluindo cordas, metais e um robusto grupo de tecladistas e guitarristas, que contribuíram para a sonoridade "groovy" do disco.

Músicas

O repertório de "September 17, 1969" é composto em grande parte por covers de canções populares da época, recebendo o tratamento vocal característico de Astrud Gilberto e arranjos com uma pegada dos anos 60. Entre as faixas que se destacam está a releitura de "Beginnings", da banda Chicago, notável pelos vocais sensuais e sussurrantes de Astrud e uma linha de baixo funky. Outras interpretações marcantes incluem "Light My Fire", originalmente do The Doors, e "Here, There and Everywhere" dos Beatles. O álbum também apresenta a faixa "Let Go (Canto de Ossanha)", que incorpora um toque brasileiro ao repertório. "Summer Sweet" é outro ponto alto, descrita como uma peça de easy listening que evoca a leveza dos anos 60. As letras, em sua maioria, exploram temas de amor e contemplação, alinhando-se com a atmosfera romântica e introspectiva que Astrud Gilberto costumava transmitir em suas performances.

Legado

Lançado pela Verve Records em 1969 (e em 1970 no Reino Unido com o título "Holiday"), "September 17, 1969" representou mais um capítulo na discografia de Astrud Gilberto. Embora a recepção crítica sobre seu estilo e produção vocal tenha sido por vezes dividida, com algumas análises apontando para uma direção mais pop em comparação a trabalhos anteriores, o álbum conquistou seu espaço. Ele foi incluído na aclamada lista de "1001 Albums You Must Hear Before You Die", atestando seu reconhecimento internacional. O álbum é valorizado por colecionadores e DJs por algumas de suas faixas, que mostram a fusão do estilo de Astrud com a sonoridade psicodélica e orquestral da virada dos anos 60 para os 70.

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência

Al Gorgoni

Produção, Engenheiro de Som, Arranjo [Vocals]

Brooks Arthur

Vocais de Apoio

Brooks Arthur, David White, Frankie Callen, Gene Maharrey, Linda November, Maeretha Stewart, Ron Dante

Vocal Principal

Astrud Gilberto

Baixo

Joe Macho, Julio Ruggiero

Violoncelo

Harry Wimmer, Maurice Bialkin

Bateria

Al Rogers, Bill Lavorgna

Flügelhorn

Burt Collins, Joe Shepley

Guitarra

Sal Ditroia

Teclados

Ben Aronov, Frank Owens, Paul Griffin, Stan Free

Percussão

Airto Moreira, Bobby Gregg

Saxofone

Joseph Ferrantello, Leon Cohen, Seldon Powell

Trombone

Mickey Gravine

Viola

Archie Levin, Seymour Berman

Violino

Harry Lookofsky, Joseph Haber, Louis Stone, Paul Winter

Engenheiro de Som

Jay Tropp

Gravação

Don Martin, Orson Lewis

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