Depois do Fim

Bacamarte

1983

Capa de Depois do Fim
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Depois do Fim, o álbum de estreia da banda brasileira de rock progressivo Bacamarte, lançado em 1983, destaca-se como uma obra singular. Embora gravado na década de 1980, época já dominada pelo rock neoprogressivo, o disco abraça com notável fidelidade as características marcantes da primeira fase do gênero, a década de 1970. Sua sonoridade é um elo entre épocas, apresentando um estilo que resiste às tendências de seu tempo. O álbum é uma jornada conceitual ambiciosa, narrando a história de um mundo pós-apocalíptico. Musicalmente, ele alterna faixas instrumentais complexas com canções que apresentam trechos vocais em português, revelando influências de grupos como Renaissance e Curved Air, o que confere ao trabalho uma identidade rica e multifacetada no cenário do rock progressivo nacional e internacional.

Contexto

Lançado em 1983, Depois do Fim surgiu em um período de transição para o rock progressivo, quando o estilo neoprogressivo começava a ganhar força. A formação que gravou o álbum incluía um line-up diversificado, com músicos como Mário, Marcus, Sérgio, Delto Simas no violoncelo, Mr. Paul, William Murray no baixo e Mário Leme na bateria, indicando a riqueza instrumental presente na banda.

Gravação

A produção visual do álbum foi igualmente notável, com uma bela capa elaborada por Eduardo Pereira que complementa o universo conceitual da obra. O encarte do disco trazia uma fotografia da banda em uma apresentação ao vivo no Circo Voador, contextualizando o grupo em seu ambiente performático. Nos créditos musicais, a gravação contou com a participação vocal de Jane Duboc nas faixas 2, 4, 6 e 8. Mário Neto foi responsável pelo violão e guitarra, além de tocar todos os instrumentos na faixa 9, incluindo guitarra, teclado, baixo elétrico e bateria eletrônica. A instrumentação diversificada se completava com Marcus Moura na flauta e acordeão, Mr. Paul na percussão, Delto Simas no baixo elétrico e acústico, Marco Verissimo na bateria e Sergio Villarim nos teclados.

Músicas

Depois do Fim é um disco conceitual que explora a narrativa de um mundo pós-apocalíptico. A estrutura das faixas é particularmente curiosa, intercalando consistentemente uma música instrumental com uma cantada, de modo que as faixas ímpares são instrumentais e as pares, cantadas. A faixa de abertura, “UFO”, é um exemplo marcante, iniciando-se com uma execução notável de “Capricho árabe”, de Francisco Tárrega, que rapidamente se desenvolve em uma complexa composição progressiva, enriquecida pelos órgãos característicos do gênero. A canção seguinte mergulha na metáfora do Apocalipse, dando início à história contada no álbum. “Último entardecer” presta uma homenagem sutil à banda alemã Triumvirat, replicando o riff inicial de sua canção “I believe”. A faixa-título, por sua vez, descreve poeticamente a Terra após o término do Apocalipse, com sua letra culminando na cena retratada na própria capa do disco, unindo visual e narrativa de forma coesa.

Legado

A importância de Depois do Fim é amplamente reconhecida, sendo considerado pela comunidade Prog Archives como um dos 100 Melhores Álbuns de Rock Progressivo de Todos os Tempos. Sua relevância transcende fronteiras, com o Jornal do Brasil, através de Ricardo Schott, mencionando que o álbum foi citado na lista "Os 100 melhores álbuns de rock" da revista holandesa Exposure, ao lado de obras de bandas icônicas como Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd. A perenidade do álbum é evidenciada por suas múltiplas reedições. A primeira ocorreu em 1996 por um selo independente, incluindo a faixa bônus "Mirante das Estrelas". Em julho de 2009, foi relançado em digipack, com encarte de fotos e letras, e o CD estilizado como vinil, embora sem a faixa bônus anterior. Mais recentemente, em setembro de 2025, uma reedição em disco de vinil (LP) foi lançada, fruto de uma parceria entre o selo Três Selos e a fábrica Rocinante, confirmando seu status de obra duradoura.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção, Mixagem

Mario Neto

Vocais

Jane Duboc

Bateria

Marco Veríssimo

Baixo Elétrico, Baixo Acústico

Delto Simas

Flute [Flutes], Acordeão

Marcus Moura

Guitarra, Violão

Mario Neto

Teclados

Sergio Villarim

Percussão

Mr. Paul

Corte [Corte]

Américo Marques Pinto

Gravação [Recording Engineer]

Toninho Barbosa

Capa [Cover And Insert], Design [Cover And Insert]

Eduardo Pereira

Fotografia

Ney Robson

Texto do Encarte

Luiz Antônio Mello

Referências