Bluesman

Baco Exu do Blues

2018

Capa de Bluesman
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Bluesman, lançado em 2018, é o segundo álbum de estúdio do aclamado rapper baiano Baco Exu do Blues e se estabeleceu rapidamente como um marco na música brasileira contemporânea. O disco é uma ousada fusão de rap com a profundidade melancólica e visceral do blues, incorporando ainda elementos de MPB, soul, funk, rock e jazz. Sua proposta central, expressa na faixa-título, é ressignificar a dor e a expressão cultural preta ao afirmar que "tudo é blues", transcendendo gêneros e conectando a experiência afro-brasileira à ancestralidade e luta universal do blues. Através de uma lírica poética e crua, Baco Exu do Blues aborda questões prementes de desigualdade social, racismo institucionalizado e opressão, sem se esquivar de explorar suas próprias vulnerabilidades e a saúde mental. O álbum se destaca por sua inventividade musical, com faixas que frequentemente alteram suas estruturas e sonoridades, criando uma experiência auditiva rica e multifacetada que é ao mesmo tempo confrontadora e introspectiva. Bluesman não apenas solidificou Baco como uma voz essencial, mas também redefiniu o potencial narrativo e sonoro do hip-hop no Brasil.

Contexto

Antes de Bluesman, Baco Exu do Blues, nome artístico de Diogo Álvaro Ferreira Moncorvo, já havia se destacado na cena do rap brasileiro com a impactante faixa "Sulicídio" (2016), na qual criticava a hegemonia da produção de rap no Sudeste do país, buscando dar voz à rica cena do Nordeste. Seu álbum de estreia, Esú (2017), foi aclamado pela crítica, sendo reconhecido como uma peça fundamental para a compreensão da cultura baiana e afro-brasileira, abordando temas como fé, morte, amor, literatura e identidade negra. Esú marcou um ponto de virada no hip-hop nacional, posicionando Baco como um artista que subvertia expectativas e expandia as fronteiras do gênero. Bluesman surge em 2018 como a sequência natural dessa trajetória, aprofundando as discussões iniciadas em seu trabalho anterior e consolidando a visão de um artista que utiliza sua plataforma para o ativismo social e a reflexão pessoal, em um cenário onde o rap brasileiro, seguindo a esteira de nomes como Racionais MC's, Criolo, Emicida e Rincon Sapiência, já vinha se firmando como um importante veículo para a crítica social e a expressão poética.

Gravação

A produção de Bluesman contou com uma equipe técnica que contribuiu para a sonoridade característica e multifacetada do álbum. Os beats foram assinados por DKVPZ, JLZ e Portugal, que criaram as bases instrumentais que permeiam as nove faixas do trabalho. As gravações do álbum foram realizadas por Felipe Crocco e João Noronha, com a mixagem e masterização a cargo de Cesar Pierri, garantindo a qualidade sonora do projeto. Um dos elementos notáveis na produção é a utilização de samples que dialogam com a proposta conceitual do álbum, como o sample da clássica "Mannish Boy" de Muddy Waters na faixa de abertura, "Bluesman", que estabelece imediatamente a conexão com a raiz do blues norte-americano. Adicionalmente, o lançamento do álbum foi acompanhado por um curta-metragem cinematográfico, dirigido por Douglas Bernardt da Stink Films e produzido pela AKQA São Paulo, que visualiza a narrativa do disco, utilizando canções como "Preto e Prata", "Queima Minha Pele" e a faixa-título para aprofundar a mensagem de Baco.

Músicas

O álbum Bluesman é composto por nove faixas que, em pouco mais de 30 minutos, oferecem um panorama denso e emocionante do universo lírico e musical de Baco Exu do Blues. As letras exploram com intensidade temas como racismo institucionalizado, identidade negra, pobreza, violência, além de mergulhar nas batalhas internas do artista com a depressão e a busca por autoconhecimento e aceitação. A sonoridade do disco transita habilmente entre o rap, o R&B, o blues, o funk, o soul, o jazz e o rock, demonstrando a versatilidade de Baco e sua capacidade de integrar diversas influências em uma linguagem coesa. Dentre as faixas de destaque, a homônima "Bluesman" serve como um manifesto de abertura, com Baco proclamando que a música negra, em suas diversas manifestações, é um blues, um caminho para a liberdade e empoderamento. "Me Desculpa Jay Z", que apresenta a colaboração de 1LUM3, é uma reflexão sobre vulnerabilidade e saúde mental, enquanto "Flamingos", com Tuyo, oferece uma balada emocionante. "Preto e Prata" apresenta uma batida trap mais robusta e "Queima Minha Pele", com Tim Bernardes, explora um viés mais romântico, sendo ambas parte do curta-metragem que acompanha o álbum. A inventividade se manifesta na estrutura das canções, que frequentemente se transformam ao longo de sua execução, mantendo o ouvinte engajado na jornada proposta por Baco.

Legado

Bluesman alcançou grande reconhecimento crítico e comercial, sendo eleito o melhor disco brasileiro de 2018 pela revista Rolling Stone Brasil e incluído entre os 25 melhores álbuns brasileiros do segundo semestre do mesmo ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O sucesso do álbum foi comprovado pelas certificações, com o disco sendo premiado com Ouro e Platina. Seus singles também obtiveram êxito expressivo: "Me Desculpa Jay Z" alcançou o certificado de diamante, "Flamingos" e "Girassóis de Van Gogh" conquistaram platina duplo, e as faixas "Bluesman" e "Queima Minha Pele" foram certificadas com platina. Juntas, as músicas do álbum ultrapassaram a marca de 280 milhões de execuções nas plataformas digitais. Além do sucesso musical, o curta-metragem que acompanhou o lançamento do álbum obteve um Grand Prix no Cannes Lions, na categoria entretenimento para música, destacando o impacto visual e narrativo do projeto. O filme e o álbum não só amplificaram a visibilidade de Baco, resultando em um aumento de 495% em seus ouvintes mensais no Spotify e 20 milhões de visualizações no YouTube para o curta, como também desencadearam um importante debate sobre racismo institucionalizado, inspirando um movimento nacional onde pessoas se identificavam como 'Bluesman' em apoio à sua mensagem. Bluesman é amplamente considerado uma obra crucial e um lançamento divisor de águas no cenário do hip-hop brasileiro, solidificando Baco Exu do Blues como uma força social inspiradora que desafia preconceitos e injustiças.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Ali Lundbohm, Bengt Göran Staaf, Rolf Wikström

Música, Letra

Rolf Wikström

Vocais, Guitarra

Rolf Wikström

Bateria

Ali Lundbohm

Baixo Elétrico

Kristoffer Hansén

Gaita

Björn Hamrin

Órgão [Hammond]

Thomas Jutterström

Piano

Lasse Olofsson

Saxofone Tenor

Christer Eklund

Trompete

Ulf Adåker

Mixagem, Gravação

Bengt Göran Staaf

Coordenação

Jonas Sjöström

Layout

Lars Lindell

Fotografia

Lars Lindell

Referências