Tristeza on Guitar
Baden Powell
1966

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1966, Tristeza on Guitar marca o início da significativa colaboração de nove anos entre o maestro do violão brasileiro Baden Powell e o produtor Joachim-Ernst Berendt, sob o selo MPS. Este álbum de jazz, embora seu título possa sugerir o contrário, é uma obra que se destaca por seu repertório variado e expressivo. O trabalho é uma sublime fusão de elementos que vão da sensação ritualística à exuberante atmosfera carnavalesca, passando por canções íntimas e de qualidade melódica. Sua importância é sublinhada pelo fato de ter se tornado um sucesso internacional, abrindo portas para Baden Powell na Europa e no Japão e solidificando sua reputação como um dos maiores violonistas do seu tempo.
Contexto
O álbum Tristeza on Guitar surge em um período de grande efervescência na carreira de Baden Powell, marcando o início de sua prolífica parceria com a MPS, que se estenderia de 1966 a 1975. Quatro anos antes, em 1962, Powell havia iniciado uma colaboração duradoura e icônica com o poeta-diplomata Vinicius de Moraes. Juntos, eles exploraram a fusão do samba com formas afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, culminando no lançamento de Os Afro-Sambas em 1966. Elementos dessa exploração rítmica e temática se manifestam em Tristeza on Guitar, especialmente nas faixas dedicadas às divindades do Candomblé, que amadurecem e florescem neste trabalho.
Gravação
As sessões de gravação de Tristeza on Guitar ocorreram em 1 e 2 de junho de 1966, nos estúdios Riosom S/A e Atonal Ltda., no Rio de Janeiro, e o álbum foi inicialmente lançado pela gravadora Saba no mesmo ano. A produção ficou a cargo de Joachim-Ernst Berendt, que se tornaria um parceiro fundamental na carreira internacional de Powell. Para a realização do disco, Baden Powell (violão, agogô, surdo) contou com um time de músicos talentosos, incluindo Copinha na flauta, Sergio Barroso no baixo, Alfredo Bessa no atabaque e cuíca, Amauri Coelho no pandeiro e atabaque, e Milton Banana na bateria. A engenhosidade no uso do espaço do estúdio contribuiu para a atmosfera misteriosa em faixas como "Round About Midnight".
Músicas
O repertório de Tristeza on Guitar é notável por sua diversidade, que contrasta com o nome do álbum. A faixa-título, "Tristeza", um samba agridoce de Haroldo Lobo e Niltinho, é apresentada com uma sucessão de variações virtuosas e dançantes. Já "Manhã de Carnaval" é transformada em uma celebração ritualística da dor. Peças dedicadas às divindades do Candomblé, como "Canto de Xangô" e "Canto de Ossanha", que tiveram suas origens no ciclo de afro-sambas, são centrais no álbum e aqui atingem a perfeição. A releitura de "Round About Midnight", de Thelonious Monk, assume as cores de uma noite tropical amena, e a canção "Das Rosas", de Dorival Caymmi, é habilmente transfigurada em uma serenata para as cordas do violão solo. O álbum também apresenta outras composições marcantes de Powell, algumas em parceria com Vinicius de Moraes, como "Saravá", "Invenção em 7 1/2", "Som de Carnaval" e "O Astronauta".
Legado
Tristeza on Guitar alcançou sucesso internacional, funcionando como um divisor de águas que abriu numerosas oportunidades para Baden Powell na Europa e no Japão. O álbum é amplamente considerado uma obra seminal e um dos melhores registros de sua carreira. Mais de meio século após seu lançamento, o disco ainda é reverenciado como uma "droga de entrada" fascinante e uma "obra-prima do carnaval brasileiro selvagem e balançado", sendo visto como um item indispensável para qualquer coleção de Baden Powell. No Brasil, o selo Elenco lançou o álbum em 1968, com duas gravações alternativas, sob o título "Baden/O Som de Baden Powell".
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Wadi Gebara Netto
Joachim Ernst Berendt
Baden Powell, Copinha
Sergio Barroso
Milton Banana
Copinha
Baden Powell
Baden Powell
Gigi Berendt
Amauri Coelho
Alfredo Bessa, Amauri Coelho
Alfredo Bessa
Baden Powell
Dorival Reis, Paulo Nascimento
Hans J. Mauerer