Os Afro-Sambas

Baden Powell & Vinicius de Moraes

1966

Capa de Os Afro-Sambas
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Os Afro-sambas, lançado em 1966 por Baden Powell e Vinicius de Moraes, é um marco na música brasileira por sua audaciosa fusão de elementos. O disco transcende as fronteiras do samba tradicional ao incorporar profundamente as sonoridades e rituais do candomblé e da umbanda, religiões afro-brasileiras. Este trabalho se destaca por sua originalidade e profundidade cultural, apresentando uma tapeçaria sonora rica que integra instrumentos litúrgicos como atabaques e afoxés a timbres mais convencionais da música brasileira, como agogôs, saxofones e pandeiros. O álbum é um testemunho da busca de seus criadores por uma expressão musical que celebra a herança africana no Brasil, conferindo-lhe uma identidade sonora única e atemporal.

#29

Este é o primeiro disco que dá aos temas africanos uma roupagem moderna – não sem a ajuda das letras do poeta erudito Vinicius de Moraes.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O projeto Afro-sambas emergiu em meados dos anos 60 de um fascínio compartilhado pelos artistas. Vinicius de Moraes estava encantado com um LP de sambas de roda que trazia forte influência do candomblé baiano. Concomitantemente, Baden Powell também havia visitado a Bahia e se aprofundado nas canções do candomblé local. Este mútuo encantamento pela religiosidade e pelo samba encontrados na Bahia foi a gênese para a criação do álbum.

Gravação

A produção e direção artística de Os Afro-sambas ficaram a cargo de Roberto Quartin e Wadi Gebara, com Ademar Rocha na engenharia de gravação. Os arranjos e a regência foram habilmente conduzidos pelo Maestro César Guerra-Peixe, contribuindo significativamente para a sonoridade característica do álbum. O elenco de músicos incluiu, além de Baden Powell no violão, o Quarteto em Cy e um coro misto nos vocais, e instrumentistas como Pedro Luiz de Assis no sax tenor, Aurino Ferreira no sax barítono, Copinha na flauta, Jorge Marinho no contrabaixo, Reisinho na bateria, e percussionistas como Alfredo Bessa e Nelson Luiz nos atabaques, Alexandre Silva Martins no bongô, Gilson de Freitas no pandeiro, Mineirinho no agogô e Adyr Jose Raimundo no afoxé.

Músicas

O álbum apresenta oito faixas, todas de autoria conjunta de Baden Powell e Vinicius de Moraes, que se destacam pela inventiva mistura de instrumentos do candomblé e da umbanda, como atabaques e afoxés, com timbres mais usuais da música brasileira, a exemplo de agogôs, saxofones e pandeiros. Entre elas, a faixa de abertura "Canto de Ossanha" é particularmente notável. Outras canções como "Canto de Xangô", "Canto de Iemanjá" e "Lamento de Exu" aprofundam a temática religiosa afro-brasileira, que permeia todo o disco.

Embora pareça redundante, por conta da inequívoca procedência africana do gênero central, a expressão afro-samba foi utilizada por Vinicius de Moraes para sublinhar, dentro do prisma modernizador da bossa, as canções aparentadas aos pontos de candomblé.

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Legado

Os Afro-sambas conquistou reconhecimento significativo no cenário musical brasileiro. O álbum foi classificado em 13º lugar em uma enquete realizada pelo podcast Discoteca Básica, que consultou 162 especialistas musicais, atestando sua relevância. Adicionalmente, a faixa "Canto de Ossanha" foi eleita a nona maior canção brasileira em uma lista da Rolling Stone Brasil, solidificando a influência duradoura do trabalho.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Participação Especial [Special Participation]

Quarteto Em Cy

Baixo

Ernesto Ribeiro Gonçalves

Bateria, Tamborim, Agogô

Sutinho

Flauta

Paulo Guimarães

Guitarra, Vocais, Percussão, Diretor Musical, Arranjo

Baden Powell

Pandeiro, Tamborim

Valdeci

Surdo, Afoxé, Ganzá, Congas [Atabaque]

Flavio Neves

Tamborim, Congas [Atabaque], Afoxé, Ganzá, Cuíca, Berimbau

Alfredo Bessa

Gravação, Mixagem

Marcio Menescal

Artes Gráficas

Tadeu Nogueira

Fotografia

Christian Rose

Podcasts

Referências

Livros