Duas Cidades

BaianaSystem

2016

Capa de Duas Cidades
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Duas Cidades, lançado em 2016 pelo BaianaSystem, representa um marco fundamental na música brasileira contemporânea, consolidando a fusão única de ritmos afro-brasileiros da Bahia, como samba-reggae, afoxé e ijexá, com a cultura dos sound systems jamaicanos, que inclui dub, reggae e dancehall. O álbum é uma declaração sonora e lírica que redefine os limites da MPB, apresentando uma sonoridade urgente, pulsante e carregada de energia que se tornou a assinatura da banda. Este trabalho se destaca por sua capacidade de inovar, utilizando a guitarra baiana, ressignificada por Roberto Barreto, como um elemento central que dialoga com batidas eletrônicas e percussões orgânicas. Com letras afiadas e uma identidade musical inconfundível, Duas Cidades convida à dança enquanto provoca reflexão sobre questões sociais profundas, tornando-se um manifesto cultural e musical que ecoou para além das fronteiras da Bahia.

Contexto

O lançamento de Duas Cidades em 2016 ocorreu em um período de intensa efervescência política e social no Brasil, o que tornou as temáticas abordadas no álbum ainda mais pertinentes e ressonantes. O BaianaSystem, que já havia se estabelecido desde 2009 como uma força inovadora nos palcos, com uma proposta de sound system e uma forte identidade visual marcada pelas máscaras de Filipe Cartaxo, solidificou sua presença no cenário musical com este seu segundo álbum de estúdio. O grupo já trazia consigo a experiência do álbum de estreia, lançado em 2010, e anos de interação com o público em performances ao vivo, que moldaram a energia e a direção criativa do novo trabalho. A banda se posicionou como uma voz para as ruas, traduzindo as complexidades urbanas e sociais em uma linguagem musical inovadora.

Gravação

A produção de Duas Cidades ficou a cargo de Daniel Ganjaman, conhecido por seus trabalhos com artistas como Criolo, Sabotage e Nação Zumbi, o que trouxe uma camada adicional de sofisticação e coesão sonora ao projeto. O processo de criação do álbum envolveu uma imersão de um mês em um sítio no interior de São Paulo, onde a banda e o produtor puderam amarrar as ideias e refinar o conceito do disco após anos de shows e vivências. O álbum conta com diversas colaborações que enriquecem sua textura sonora, como a participação de Márcio Victor, do grupo Psirico, nas percussões, e a rabeca do pernambucano Siba, que adiciona um toque regional em faixas como a instrumental "Cigano". Além disso, o coro das Ganhadeiras de Itapuã se faz presente em músicas como "Panela" e "Bala na Agulha", conferindo uma dimensão tradicional e ancestral às composições.

Músicas

As doze faixas de Duas Cidades exploram, com maestria, a dualidade e as contradições do espaço urbano, em especial Salvador, aludindo às históricas divisões sociais e geográficas entre a "Cidade Alta" e a "Cidade Baixa". Canções como a faixa-título "Duas Cidades" questionam a identidade e o pertencimento com versos como "Diz em que cidade que você se encaixa / Cidade alta cidade baixa". "Lucro (Descomprimindo)", com sua pegada de cúmbia, critica a especulação imobiliária e a devastação ambiental em nome do capital. Outros destaques incluem a enérgica "Jah Jah Revolta, Pt. 2", que abre o disco com forte cunho social, e "Bala na Agulha", com seu lirismo provocativo e dançante. A guitarra baiana de Roberto Barreto, um dos pilares do som do BaianaSystem, é um elemento constante e vital, oferecendo linhas percussivas e melódicas que são a espinha dorsal de muitas composições, como na instrumental "Mercado" e na conclusiva "Azul".

Legado

Duas Cidades foi amplamente aclamado pela crítica, sendo reconhecido por sua originalidade, relevância social e a energia contagiante que a banda conseguiu transpor para o estúdio. O álbum foi eleito o 7º melhor disco de 2016 pelo jornal Estadão, destacando-se em rankings de final de ano e solidificando a reputação do BaianaSystem como um dos grupos mais importantes da cena musical brasileira. O álbum não apenas impulsionou a carreira do BaianaSystem, mas também abriu novos caminhos para a música da Bahia e para a música brasileira em geral, influenciando uma nova geração de artistas a explorar fusões entre o tradicional e o contemporâneo, o local e o global. A faixa "Playsom" alcançou visibilidade internacional ao ser incluída na trilha sonora do jogo eletrônico FIFA 16, expandindo o alcance do som da banda para um público global.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

BaianaSystem

Produção, Mixagem, Arranjo

Daniel Ganjaman

Referências

Livros