O Futuro Não Demora
BaianaSystem
2019

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 2019, O Futuro Não Demora se solidificou rapidamente como um marco na trajetória da banda BaianaSystem e na música brasileira contemporânea. O álbum representa a evolução de uma sonoridade que mescla de forma singular a guitarra baiana e os ritmos ancestrais de Salvador com a vanguarda do dub e da música eletrônica global. A obra transcende a simples fusão de gêneros, propondo uma experiência sonora imersiva que reflete sobre temáticas sociais e filosóficas com uma profundidade rara.
Contexto
Antes de O Futuro Não Demora, o BaianaSystem já havia pavimentado seu caminho como uma das bandas mais inovadoras do Brasil. Formado em 2007, o grupo lançou seu álbum de estreia em 2010, seguido por Duas Cidades em 2016, que recebeu aclamação e os firmou como uma força relevante na cena musical, inclusive com a canção "Playsom" sendo trilha sonora do videogame FIFA 16. Sua proposta desde o início foi de fundir a guitarra baiana, instrumento icônico do carnaval de Salvador, com a estética dos *sound systems* jamaicanos, criando uma linguagem sonora que dialoga entre o tradicional e o moderno, o local e o global.
Gravação
A concepção de O Futuro Não Demora foi um processo de imersão e pesquisa profunda. O grupo isolou-se na Ilha de Itaparica, na Baía de Todos-os-Santos, buscando uma conexão intrínseca com a ancestralidade e os elementos naturais, afastando-se da atmosfera urbana de Salvador. Essa experiência foi fundamental para a estrutura conceitual do álbum, que é dividido em dois lados: o "Lado Água", caracterizado por sonoridades mais melódicas e orgânicas, e o "Lado Fogo", com uma pegada mais agitada e eletrônica, uma metáfora para uma jornada cíclica e de renovação. A produção musical ficou a cargo do experiente Daniel Ganjaman, colaborador de longa data do BaianaSystem, que co-produziu o disco junto com a banda. O álbum é enriquecido por participações especiais de peso, como o cantor francês Manu Chao, o rapper BNegão, Curumin, Edgar e a Orquestra Afrosinfônica, além de Lazzo Matumbi, Vandal e o Samba de Lata de Tijuaçu. Essa colaboração expandiu ainda mais os horizontes sonoros e temáticos da obra, com a mixagem de faixas como "Navio" por Adrian Sherwood, um renomado produtor britânico.
Músicas
O repertório de 13 faixas de O Futuro Não Demora desdobra uma narrativa complexa e coesa, com um fio condutor que se manifesta desde a abertura com "Água" e o encerramento com "Fogo". A faixa de abertura, "Água", por exemplo, é permeada pela influência do Ijexá e os sopros da Orquestra Afrosinfônica, com referências à capoeira Angola e até mesmo a Tom Jobim. A canção "Bola de Cristal" reflete sobre a emergência do ser humano e a violência civilizatória, com Russo Passapusso traçando paralelos entre o passado e o presente. Faixas como "Sulamericano", com a colaboração de Manu Chao, abordam questões de território e identidade latino-americana, enquanto "Navio" faz uma ponte entre o samba-reggae brasileiro e a produção dub, remetendo à conexão histórica entre Brasil e Europa. A diversidade do álbum se expressa em momentos mais orgânicos do "Lado Água" e na intensidade eletrônica e percussiva do "Lado Fogo", com a "Melô do Centro da Terra" marcando o ponto de virada conceitual. As letras, carregadas de mensagens sociais e esperança, convidam à reflexão sobre o futuro e o poder de mudança, como em "Você tem poder para mudar o mundo", que se torna um dos motes da obra.
Legado
A repercussão de O Futuro Não Demora foi imediata e global, solidificando a posição do BaianaSystem no cenário musical. O álbum foi aclamado pela crítica especializada, figurando em diversas listas de melhores do ano e recebendo elogios de veículos como o G1, que o descreveu como uma obra de "música de invenção e de pressão", e o portal Omelete, que destacou sua conexão entre ancestralidade baiana e o futuro global. O reconhecimento internacional veio com a vitória no Grammy Latino de 2019 na categoria de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa. Esse sucesso impulsionou a primeira grande turnê do BaianaSystem pela Ásia e Europa, culminando em uma apresentação aclamada no prestigiado Fuji Rock Festival, no Japão, que levou ao lançamento de uma edição exclusiva do álbum em CD no mercado japonês. A turnê estendeu-se por países como Portugal, França, Reino Unido e Dinamarca, levando a estética visual e sonora do "Navio Pirata" a diversos festivais europeus, comprovando a ressonância da banda para além das fronteiras brasileiras.
