Maria Fumaça
Banda Black Rio
1977

Porque Merece Estar na Lista
Maria Fumaça é o aclamado álbum de estreia da Banda Black Rio, um marco na música brasileira. Lançado em 1977, o trabalho é amplamente considerado um dos grandes clássicos nacionais, notável por sua inovadora fusão de samba brasileiro com o funk norte-americano, um estilo que viria a ser conhecido como samba-funk. O disco se destaca pelos arranjos de metais vibrantes, uma seção percussiva robusta e solos instrumentais de alta qualidade, elementos que contribuíram para firmá-lo como um clássico da soul music brasileira.

Um ano depois, ao lado de músicos tarimbados como o guitarrista Cláudio Stevenson, o pianista Cristóvão Bastos e o baterista Luis Carlos, gravou Maria Fumaça, disco instrumental emblemático carregado de novidades estéticas para a MPB.
Adriana Alves · Rolling Stone Brasil
Contexto
A formação da Banda Black Rio no final de 1976, sucedendo ao grupo Senzala, marcou um novo capítulo para os músicos. Com um contrato recém-assinado com a gravadora WEA, a banda passou três meses recebendo um salário fixo para ensaiar, lapidando seu estilo e definindo o repertório que culminaria no álbum de estreia. Antes da gravação, a gravadora financiou uma apresentação do grupo em um baile no subúrbio carioca, na quadra do Olaria Atlético Clube. Apesar da recepção inicial morna do público, mais habituado a DJs do que a shows ao vivo, o diretor da WEA, André Midani, viu potencial no projeto e decidiu seguir com o lançamento do disco.
Gravação
Maria Fumaça foi gravado em 1977 nos estúdios Level e Haway, sendo lançado pela WEA através do selo Atlantic Records, focado em artistas da música negra no Brasil. A produção musical ficou a cargo de Marco Mazzola, que também assinou a mixagem, enquanto a masterização foi realizada por Humberto Gatica e a direção de estúdio por Liminha. A concepção visual do álbum é igualmente notável. A capa apresenta duas imagens sobrepostas dos sete integrantes em círculo, uma tentativa do fotógrafo Sebastião Barbosa de criar um efeito caleidoscópico. Durante a segunda tomada, a câmera acidentalmente atingiu o rosto de Barrosinho, deixando um galo visível na imagem final. A contracapa exibe uma fotografia dos membros tirada com uma lente "olho de peixe".
Músicas
O sucesso de Maria Fumaça foi impulsionado pela exposição da faixa-título, que serviu como tema de abertura e encerramento da telenovela da Rede Globo, Locomotivas. Além disso, duas músicas foram lançadas como compactos simples para divulgação: a regravação de "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso, e a composição autoral "Maria Fumaça".

Certa vez, numa entrevista à revista americana Waxpoetics, dedicada às músicas negras, Ed Motta considerou a Banda Black Rio tão importante para o soul brasileiro quanto Tom Jobim para a bossa nova. Exagero de fã?
Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes
Legado
Maria Fumaça alcançou considerável sucesso comercial, com vendas estimadas em mais de 80 mil cópias, um número considerado bom pela gravadora à época. O álbum foi incluído na prestigiada lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil, ocupando a 38ª posição, e a faixa-título "Maria Fumaça" figurou na 79ª posição na lista das 100 maiores músicas brasileiras da mesma revista. Críticos notaram a influência do disco na carreira de músicos como Robson Jorge e Lincoln Olivetti. O álbum também passou por diversos relançamentos ao longo dos anos, incluindo edições em vinil (1988, 1994, 2013), CD (1994, 2001, 2016) e LP, inclusive internacionalmente pela Mr Bongo Records a partir de 2016, reforçando sua permanência e relevância na cultura musical.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Arnolpho Lima Filho
Oberdan Magalhães
Jamil Joanes
Luiz Carlos Batera
Claudio Stevenson
Cristóvão Bastos
Geraldo Bongô, Luna, Nenê, Wilson Canegal
Lucio Da Silva
Barrosinho
Andy Mills, Don Lewis
Humberto Gatica
Mazzola
José Paulo Costa
Don Filó
Sebastião Barbosa
