Barão Vermelho

Barão Vermelho

1982

Capa de Barão Vermelho
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

O álbum de estreia autointitulado do Barão Vermelho, lançado em setembro de 1982, é um marco fundamental no cenário do rock brasileiro, apresentando uma sonoridade crua e revigorada que se destacava na efervescente cena musical da época. Enquanto outras bandas do rock nacional da década de 80 flertavam com o new wave ou pós-punk, o Barão Vermelho optou por uma abordagem mais enraizada no blues e no rock clássico, com uma energia cativante e dançante. Este disco revelou ao público a intensidade poética de Cazuza nas letras e a força instrumental da banda, com a guitarra marcante de Frejat. Apesar de um lançamento comercial inicial modesto, a autenticidade e a pegada roqueira do álbum, que ressoava com um Brasil carente de rock genuíno no início dos anos 80, foram elementos eletrizantes que pavimentaram o caminho para a consagração futura da banda e de seus compositores.

Contexto

Antes de seu lançamento oficial, a banda Barão Vermelho, formada por Cazuza (vocais), Frejat (guitarra), Maurício Barros (teclados), Dé Palmeira (baixo) e Guto Goffi (bateria), havia gravado uma fita demo que chamou a atenção de Leonardo Neto. Ele a apresentou a Ezequiel Neves, figura proeminente do jornalismo musical, que se encantou pelo material e o levou a Guto Graça Mello, que trabalhava na Som Livre. No entanto, o fundador e chefe da gravadora, João Araújo, inicialmente resistiu a lançar o grupo, temendo acusações de nepotismo, já que Cazuza era seu filho. Após ser convencido, João Araújo permitiu que a banda gravasse seu disco de estreia, mas apenas nos fins de semana, quando os estúdios estariam desocupados.

Gravação

O álbum Barão Vermelho foi concebido em um ritmo acelerado, gravado em apenas dois finais de semana de maio de 1982, nos Estúdios Sigla, no Rio de Janeiro. Essa agilidade na gravação contribuiu para a sonoridade visceral e a urgência que perpassam as dez faixas do disco, capturando a energia de performance ao vivo da banda. A produção artística foi assinada por Ezequiel Neves, com produção executiva de Guto Graça Mello, que já haviam se encantado com a demo da banda. Apesar de o resultado final não ter satisfeito completamente os músicos na época, que consideraram as guitarras um tanto "magras", essa característica acabou por dar ao álbum um charme de autenticidade e uma sensação de adrenalina, com o baixo de Dé Palmeira e os teclados de Maurício Barros ganhando destaque em algumas mixagens.

Músicas

As dez faixas do álbum são todas letradas por Cazuza, que já demonstrava sua veia poética inconfundível. As letras do vocalista, com versos cortantes, profundos e sem rodeios, abordavam temas de juventude, boemia, esperanças e desilusões urbanas, tornando-se uma marca registrada do Barão Vermelho. Entre os destaques, figuram "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" e a melancólica "Down Em Mim". Esta última, inclusive, é uma referência direta a "Down on Me" de Janis Joplin, com um belo solo de guitarra que se insere em meio a versos que mesclam ira e desespero. Outras canções como "Posando de Star", um blues animado com a ironia lírica de Cazuza, "Bilhetinho Azul" e "Ponto Fraco" também exemplificam a versatilidade e a intensidade do trabalho inaugural da banda.

Legado

A recepção inicial de Barão Vermelho foi desafiadora. As rádios da época, consideradas conservadoras, boicotaram as músicas por não as considerarem comerciais o suficiente, resultando em vendas modestas de apenas 8.000 cópias. Contudo, a imprensa escrita rapidamente reconheceu e elogiou a qualidade das letras de Cazuza, o que permitiu à banda manter uma agenda de shows e, gradualmente, construir uma base sólida de fãs. Um momento crucial para a popularização do álbum e da banda ocorreu quando Caetano Veloso, um dos maiores nomes da MPB, interpretou uma versão de "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" em um show no Canecão, no Rio de Janeiro, conferindo prestígio e visibilidade ao Barão Vermelho. Décadas mais tarde, em 2012, o disco foi remasterizado, remixado e relançado para celebrar seus 30 anos, incluindo a faixa inédita "Sorte e Azar" e outras duas canções bônus, solidificando seu reconhecimento como um clássico do rock brasileiro.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Ezequiel Neves, Guto Graça Mello

Vocal Principal

Cazuza

Violão

Frejat

Baixo

Drum

Guto Goffi

Guitarra

Frejat

Percussão

Guto Goffi

Piano

Maurício Barros

Sintetizador

Maurício Barros

Referências

Livros