Era uma Vez um Homem e o Seu Tempo

Belchior

1979

Capa de Era uma Vez um Homem e o Seu Tempo
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Era uma Vez um Homem e o Seu Tempo, lançado por Belchior em 1979, é um marco em sua discografia e na Música Popular Brasileira, consolidando o estilo lírico e musical único do artista. O álbum é um super clássico, frequentemente citado como um dos grandes discos produzidos por Belchior durante sua década mais prolífica, entre 1974 e 1979. Neste trabalho, Belchior aprofunda sua veia poética e filosófica, mesclando MPB com influências de rock, blues e folk de uma maneira que o distingue de seus contemporâneos. Suas letras, ricas em metalinguagem e intertextualidade, exploram a condição humana, a identidade brasileira e as angústias de uma geração em um período de profundas transformações sociais e políticas. O disco se destaca pela originalidade temática e de linguagem, com composições que transcendem o universo musical, mantendo-se como versos de evidente qualidade literária. Belchior se revela um artesão da palavra, capaz de transformar suas canções em documentos de uma época, refletindo a vivência do indivíduo comum frente às realidades da América Latina.

Contexto

O álbum foi lançado em 1979, um período de transição política no Brasil marcado pelo enfraquecimento da ditadura militar e pela promulgação da Lei da Anistia. Neste cenário de efervescência e esperança por mudanças, as letras de Belchior ganhavam ainda mais ressonância, capturando os sentimentos de uma sociedade que começava a vislumbrar o fim de um ciclo repressivo. Belchior já havia conquistado projeção nacional e internacional com o aclamado álbum Alucinação (1976), consolidando-se como uma voz fundamental da MPB. Sua obra é intrinsecamente ligada à sua origem nordestina, abordando frequentemente a temática do migrante e as realidades sociais do Brasil.

Gravação

Era uma Vez um Homem e o Seu Tempo foi produzido por Guti e lançado pela gravadora WEA. A gravação contou com a participação de músicos talentosos que contribuíram para a sonoridade distintiva do álbum. Robson Jorge atuou no piano e dividiu os arranjos de base com Palhinha. O disco também contou com a colaboração de Gilberto Gil na última faixa do lado B, e Lincon Olivetti, que já havia trabalhado com Belchior no álbum anterior Todos os Sentidos, participou em duas faixas. A riqueza dos arranjos e a qualidade da produção contribuíram para a expressividade das composições de Belchior.

Músicas

As 11 faixas do álbum apresentam a profundidade lírica e a perspicácia de Belchior. Entre os destaques está "Medo de Avião", que se tornou um grande sucesso popular e aparece em duas versões no disco. "Pequeno Perfil de Um Cidadão Comum" é uma parceria notável com Toquinho, enquanto "Comentário a Respeito de John" exibe a ironia característica de Belchior, com o verso "Saia do meu caminho/Eu prefiro andar sozinho". A canção "Tudo Outra Vez" é frequentemente interpretada como um retrato do sentimento dos exilados pela ditadura militar, com uma sonoridade marcante de acordeom e gaita. "Meu Cordial Brasileiro" oferece uma crítica incisiva à sociedade e ao regime da época, enquanto "Retórica Sentimental" se apresenta como um blues animado que contrasta com a seriedade de sua letra. As letras de Belchior neste álbum dialogam com a poesia concreta e se destacam pela combinação de recursos estilísticos como metalinguagem, pluridiscursividade e intertextualidade.

Legado

Embora o álbum Alucinação (1976) seja frequentemente considerado sua obra-prima, Era uma Vez um Homem e o Seu Tempo é reconhecido como um dos mais importantes na trajetória de Belchior. O disco é o segundo com maior número de músicas do compositor nas listas das mais executadas, evidenciando sua perenidade e alcance. As canções de Belchior se tornaram hinos para gerações, e seus discos são vistos como documentos de uma época, refletindo as angústias e questionamentos de um Brasil em transição. Sua habilidade de misturar a linguagem da cantoria nordestina com elementos do rock e do folk, aliada à profundidade de suas letras, solidificou seu legado como um dos gigantes da música brasileira e um poeta singular.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Palhinha, Robson Jorge

Produção

Guti Carvalho

Composição

Belchior, Gilberto Gil, José Luis Penna, Toquinho

Acordeão

Chiquinho do Acordeon

Violão

Gilberto Gil, Paulinho Soledade

Baixo

Paulo César Barros

Bateria, Percussão

Robertinho Silva

Guitarra, Violão

Palhinha, Rick Ferreira

Gaita

Mauricio Einhorn

Teclados

Robson Jorge

Sintetizador [Oberheim]

Lincoln Olivetti

Mixagem

Guti Carvalho, Vitor Farias

Gravação

Claudinho, Vitor Farias, Waldir Pinheiro

Capa

Claudio Carvalho

Design

Noguchi

Fotografia

Fernando De Carvalho

Referências