Benedito Lacerda e Pixinguinha
Benedito Lacerda e Pixinguinha
1966

Porque Merece Estar na Lista
O álbum Benedito Lacerda e Pixinguinha, lançado em 1966, é uma compilação essencial que reúne algumas das mais sublimes e deslumbrantes instrumentações de choro de dois mestres do gênero. Ele funciona como uma cápsula do tempo, revivendo melodias clássicas para uma nova geração, demonstrando a atemporalidade da música brasileira de alta qualidade. Este trabalho singular preserva a delicadeza e a elegância do choro de outrora, com a fragilidade de uma banda de sociedade mantida intacta. A interação entre Benedito Lacerda na flauta e Pixinguinha no saxofone tenor é a espinha dorsal do álbum, com os músicos se revezando no protagonismo e dialogando musicalmente de forma notável. O estilo interpretativo da dupla é marcado por um fraseado mais livre, colorido e ritmicamente instigante, que moldou uma nova abordagem para o choro. O álbum, permeado por um humor sutil, é descrito como lúdico, charmoso e vibrante, uma verdadeira celebração da musicalidade e da amizade entre dois ícones.
Contexto
Benedito Lacerda (1903-1958), flautista, compositor e maestro, e Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), compositor, arranjador e multi-instrumentista, são figuras centrais na história da música brasileira, especialmente no desenvolvimento do choro. Sua parceria começou por volta de 1946, um período em que Benedito Lacerda teve um papel crucial ao reintegrar Pixinguinha ao mundo das gravações durante uma fase de dificuldades pessoais e profissionais do mestre. O álbum de 1966, na verdade, é uma coletânea de gravações originalmente realizadas entre 1946 e 1950. Ele surgiu em um momento em que a bossa nova ganhava destaque, mas ainda havia um interesse em revisitar e celebrar as raízes da música popular brasileira.
Gravação
As gravações que compõem o álbum Benedito Lacerda e Pixinguinha foram originalmente realizadas entre os anos de 1946 e 1950. Esses registros históricos foram feitos pela gravadora RCA Victor. Os duetos apresentam Pixinguinha no saxofone tenor e Benedito Lacerda na flauta, muitas vezes acompanhados por um regional. Apesar da engenharia de som ser considerada rudimentar para os padrões atuais, resultando em um som que por vezes poderia ser distorcido, o encanto original das melodias vibrantes transparece com clareza.
Músicas
Composto por 12 faixas instrumentais, o álbum apresenta um repertório que inclui clássicos como "Um a Zero", "Naquele Tempo", "André de Sapato Novo", "Atraente", "Ainda Me Recordo", "O Gato E O Canário", "Vou Vivendo", "Displicente", "Sofres Porque Queres" e "Soluços". "Um a Zero" destaca-se como uma das composições mais conhecidas de Pixinguinha, evidenciando a técnica e a alma de Benedito Lacerda. As interpretações da dupla são marcadas por um fraseado inventivo de Lacerda e os contrapontos inovadores de Pixinguinha ao sax tenor, criando um estilo de choro mais livre e ritmicamente envolvente. A constante troca de ideias musicais, com os instrumentistas se citando e interagindo, demonstra a profunda conexão artística entre eles.
Legado
Lançado como LP em 1966, o álbum Benedito Lacerda e Pixinguinha cumpriu o importante papel de reavivar melodias clássicas para uma audiência que já estava imersa no universo da bossa nova. As gravações contidas neste disco são consideradas fundamentais para a história do choro. A colaboração entre Pixinguinha e Benedito Lacerda é reconhecida como um dos mais importantes duos instrumentais do Brasil, com registros históricos que foram cruciais para o desenvolvimento do contracanto no violão de sete cordas no choro e no samba. O álbum foi relançado em diversas ocasiões, incluindo uma versão em CD em 2004, com a supervisão de Charles Gavin, confirmando sua relevância duradoura para a música brasileira.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Geraldo Santos
