De Pé no Chão

Beth Carvalho

1978

Capa de De Pé no Chão
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Porque Merece Estar na Lista

De Pé no Chão, lançado por Beth Carvalho em 1978, é um álbum divisor de águas na história da música brasileira, reconhecido como a certidão de nascimento do movimento que viria a ser conhecido como pagode carioca. Com este trabalho, Beth Carvalho trouxe um novo suingue do subúrbio para o samba, transformando a sonoridade do gênero e abrindo caminho para uma nova linhagem musical. O disco representa um marco fundamental, que não apenas solidificou a posição de Beth como uma das maiores intérpretes do samba, mas também como uma incansável descobridora e apoiadora de novos talentos e um pilar para a renovação do gênero.

Contexto

Na efervescente década de 1970, Beth Carvalho emergiu como uma figura transformadora no cenário do samba, ao lado de outras ícones femininas como Clara Nunes e Alcione, que desafiaram as barreiras de gênero em um universo predominantemente masculino. Antes de De Pé no Chão, Beth já havia conquistado projeção nacional com o sucesso de "Andança" em 1969 e se consolidou como estrela do samba com "1800 Colinas" em 1974. Em 1976, ela assinou com a RCA Victor, e em 1977 lançou Mundo Melhor, que trouxe a inédita "As Rosas Não Falam" de Cartola. O álbum De Pé no Chão foi lançado em 1978, um período de transição política no Brasil, com o regime militar desgastado e o início do processo de abertura, que culminaria na diminuição da censura e na Lei de Anistia, favorecendo uma explosão cultural e musical no país.

Gravação

A gravação de De Pé no Chão é notável pela inovadora colaboração de Beth Carvalho com músicos do Cacique de Ramos, um bloco de carnaval que se destacava pelas rodas de samba de terreiro e quintal. Impressionada com a qualidade e o teor renovador do samba praticado por esses artistas, Beth os convidou para participar do álbum. Apesar de alguns músicos, como Jorge Aragão, Almir Guineto e Sombrinha, serem inexperientes em gravação de discos, o produtor Rildo Hora conseguiu capturar o clima descontraído das rodas de samba para o estúdio. Este processo introduziu novos instrumentos no samba, como o banjo com afinação de cavaquinho, e uma forma diferente de tocar instrumentos tradicionais como o tantã e o repique de mão, enquanto tamborim, agogô e reco-reco foram deixados de lado.

Músicas

O álbum é repleto de faixas antológicas que se tornaram clássicos do samba. A faixa de abertura, "Vou Festejar", é uma composição de Dida, Neoci e Jorge Aragão, e é considerada a canção que abriu passagem para os membros do Cacique de Ramos na cena musical, marcando com seu ritmo tribal e africano. Outras canções que se destacam são "Goiabada Cascão" e "Agoniza, mas não Morre". O disco conta ainda com "Linda Borboleta", uma letra de Paulo da Portela musicada por Monarco. A seleção de músicas demonstra a habilidade de Beth em preservar a tradição do samba enquanto incorporava elementos de renovação.

Legado

De Pé no Chão vendeu mais de 500 mil cópias, consolidando Beth Carvalho como uma das principais recordistas de vendas da indústria fonográfica. Mais do que um sucesso comercial, o álbum é considerado um marco zero do pagode carioca, alterando fundamentalmente a instrumentação e a forma de executar o samba. Sua influência é comparada à revolução da bossa nova pelo pesquisador Nei Lopes. O disco abriu portas para uma nova geração de sambistas e grupos como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Jovelina Pérola Negra e Almir Guineto, que emergiram e redefiniram o gênero após esse trabalho. Beth Carvalho, a partir deste álbum, consolidou seu título de "Madrinha do Samba" e "Madrinha do Pagode" por seu papel em revelar e apoiar esses novos talentos. O álbum é tema de um livro na coleção O Livro do Disco, de autoria do jornalista Leonardo Bruno, que explora sua relevância e impacto.

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Faixas

Referências

Livros