A Página do Relâmpago Elétrico

Beto Guedes

1977

Capa de A Página do Relâmpago Elétrico
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1977, A Página do Relâmpago Elétrico marca a estreia solo de Beto Guedes e representa um avanço significativo em sua carreira, consolidando-o como uma das vozes mais distintas da Música Popular Brasileira. O álbum é um mosaico sonoro que entrelaça a riqueza da MPB com elementos do folk e rock progressivo, rock rural, psicodelia e choro, refletindo a pluralidade e a inovação que caracterizam o artista mineiro. Sua sonoridade única e as composições elaboradas o colocam como uma obra fundamental no cenário musical brasileiro.

Contexto

Beto Guedes, nascido em Montes Claros, Minas Gerais, foi influenciado desde cedo pela música, herdando o talento de seu pai, Godofredo Guedes, multi-instrumentista e compositor. Antes de seu lançamento solo, Beto já era uma figura proeminente no efervescente cenário musical mineiro, tendo participado ativamente do lendário Clube da Esquina. Ele contribuiu para os álbuns Clube da Esquina I e II e destacou-se por um dueto marcante com Milton Nascimento na canção "Fé Cega, Faca Amolada", do álbum Minas, que já sinalizava seu talento vocal e composicional fora dos padrões. O lançamento de A Página do Relâmpago Elétrico ocorreu em um período de transição política no Brasil, a chamada "abertura", onde a MPB desempenhava um papel crucial como veículo de expressão para as esperanças e angústias de uma sociedade em busca de novos rumos, tornando o álbum um reflexo desse tempo.

Gravação

A produção de A Página do Relâmpago Elétrico foi assinada por Ronaldo Bastos, com a colaboração de Toninho Horta na produção associada, garantindo uma sonoridade refinada e coesa. O álbum contou com a participação de diversos talentos do Clube da Esquina, como o próprio Toninho Horta no baixo e violão, Flávio Venturini no piano elétrico e órgão, Robertinho Silva na bateria, e Vermelho nos teclados e vocais de apoio, além de outros músicos que enriqueceram os arranjos. As orquestrações e regências foram concebidas por Toninho Horta, conferindo uma dimensão grandiosa às canções, enquanto a direção artística ficou a cargo de Milton Miranda e a mixagem por Nivaldo Duarte. A arte da capa, marcante e icônica, foi desenvolvida por Cafi e Ronaldo Bastos, elementos que se uniram para criar uma experiência auditiva e visual completa.

Músicas

O repertório de A Página do Relâmpago Elétrico é composto por dez faixas, majoritariamente assinadas por Beto Guedes e Ronaldo Bastos. A faixa-título, que abre o disco, é um rock complexo com influências progressivas e uma letra imagética de Ronaldo Bastos, inspirada na paixão de Guedes pela aviação e na ideia de "atravessar fronteiras" e "desatar o nó dos cinco sentidos" para se soltar. "Maria Solidária", de Milton Nascimento e Fernando Brant, traz a inconfundível marca do Clube da Esquina, mesclando baião, tropicalismo e bossa nova em uma homenagem emotiva. O álbum também se destaca pelas faixas instrumentais como "Chapéu de Sol", parceria com Flávio Venturini, que explora camadas psicodélicas e sintetizadores, e "Bandolim", onde Beto Guedes exibe sua maestria no instrumento. "Nascente", de Flávio Venturini e Murilo Antunes, é uma canção dilacerantemente bonita sobre o amanhecer e a mulher amada, com um piano essencial e a bateria tocada pelo próprio Beto Guedes. O disco encerra com "Belo Horizonte", um choro instrumental de Godofredo Guedes, pai de Beto, que reverencia a capital mineira e o estado, com a participação de Abel Ferreira no clarinete e Paulo Guimarães na flauta.

A primeira vez em que se ouviu o nome do mineiro de Montes Claros Alberto de Castro Guedes, o Beto Guedes, no circuitão da MPB foi em 1970.

Tárik de Souza · 300 Discos Importantes

Legado

Desde seu lançamento, A Página do Relâmpago Elétrico tem sido reconhecido como um dos trabalhos mais importantes da cultura pop brasileira. Em uma enquete realizada pelo podcast Discoteca Básica com 162 especialistas musicais, o álbum foi classificado como o 112º melhor, e o site Allmusic atribuiu-lhe uma avaliação de 4.5 de 5 estrelas. Muitos críticos o consideram um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos, elogiando sua autenticidade e a capacidade de Beto Guedes de imprimir uma personalidade vocal e interpretativa única. A influência duradoura do álbum é tanta que, em 2023, um livro intitulado “Leia esta canção: Beto Guedes” foi lançado pela Editora Museu Clube da Esquina, totalmente baseado na obra. O disco não apenas impulsionou a carreira solo de Beto Guedes, mas também o eternizou como um artista capaz de unir o regional e o universal, continuando a emocionar e inspirar gerações de ouvintes.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Direção Artística]

Milton Miranda

Coprodução [Produção Associada]

Toninho Horta

Produção Executiva [Direção De Produção]

Mariozinho Rocha

Produção

Ronaldo Bastos

Edição [Montagem]

Ladimar

Corte

Osmar Furtado

Mixagem

Nivaldo Duarte

Gravação

Dacy Rodrigues, Roberto Castro, Toninho

Arte, Fotografia

Cafi

Capa

Cafi, Ronaldo Bastos

Ilustração

Gilberto De Abreu

Podcasts

Referências

Livros