Araçá Azul

Caetano Veloso

1973

Capa de Araçá Azul
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Araçá Azul, o quinto álbum de estúdio da carreira solo de Caetano Veloso, lançado em janeiro de 1973, é um marco singular na Música Popular Brasileira. Distinguindo-se por seu conteúdo altamente experimental, o álbum se tornou um dos mais controversos e, paradoxalmente, cultuados da MPB. Sua sonoridade é profundamente influenciada pela poética de invenção dos poetas concretistas paulistanos, resultando em uma obra que desafia as convenções musicais e estéticas da época. Este trabalho representa uma ousada declaração artística de Caetano Veloso, um exercício de liberdade criativa que se afasta do comercialismo e explora as possibilidades do estúdio de gravação. O álbum mergulha em uma fusão de experimentações sonoras, mesclando canto e fala, ruídos urbanos, poesia concreta e samba de roda, elementos que culminam em uma experiência auditiva vanguardista e desafiadora. É um disco que não busca a facilidade, convidando o ouvinte a uma imersão profunda em suas texturas e propostas.

#97

Considerado a mais radical experiência do tropicalista Caetano Veloso, da proposta musical até a capa, Araçá Azul foi considerado um sucesso em devoluções.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O lançamento de Araçá Azul em 1973 ocorreu um ano após o retorno de Caetano Veloso do exílio em Londres, em um período em que o artista ainda colhia elogios por seu álbum anterior, Transa. Mesmo com a maré tropicalista tendo serenado, o conforto era apenas aparente, e o desejo de Caetano por experimentações sonoras foi aprofundado por trabalhos como a trilha do filme "São Bernardo" (1972) e a produção do LP "Drama" (1972) de Maria Bethânia. Araçá Azul simbolizou para Caetano a retomada de pensamentos e uma liberdade experimental anticomercial que ele considerava essencial para continuar sua carreira musical.

Gravação

O álbum foi gravado ao longo de uma semana de intenso trabalho em 1972, no Estúdio Eldorado, em São Paulo. Caetano Veloso esteve sozinho no estúdio durante a gravação, acompanhado apenas por um técnico e seu assistente, sob a chancela de André Midani, então presidente da PolyGram. Durante esse processo, Caetano explorou diversas técnicas experimentais, incluindo superposição de vozes, piano, grunhidos, assovios, percussão corporal, além da captação de barulhos e silêncios das ruas de São Paulo. A faixa "Épico", por exemplo, incorporou sons de buzinas e canos de descarga da Avenida São Luís.

Músicas

As composições de Araçá Azul se destacam por seu conteúdo altamente experimental, com Caetano Veloso utilizando elementos da poesia concreta e diversas texturas sonoras. Faixas como "De Conversa" / "Cravo e Canela" são notáveis pela superposição de vozes e grunhidos, com sugestões melódicas e uma homenagem a Milton Nascimento. "Sugar Cane Fields Forever" é uma complexa colagem sonora que inclui sambas de roda de Dona Edith do Prato, combinando vozes e instrumentos de percussão, e fazendo referência a elementos do Recôncavo Baiano. A canção "Gilberto Misterioso" estabelece um diálogo com a obra de Sousândrade e os irmãos Campos, enquanto "Épico" sinaliza a intenção de Caetano de explorar o "avesso" e a liberdade artística. O próprio Caetano descreveu seu desejo de "ver o que conseguiria fazer dentro do estúdio", resultando em um mosaico sonoro que mistura canto e fala, ruídos e distorções, e até referências a boleros.

Legado

Araçá Azul obteve uma recepção pública inicialmente muito negativa, registrando um número recorde de devoluções de discos na época de seu lançamento, com cerca de 13 mil das 42 mil cópias distribuídas sendo devolvidas, pois muitos consumidores o consideravam 'defeituoso'. Apesar disso, e de ter sido o álbum menos vendido de Caetano, ele é hoje considerado uma obra visionária e um dos discos mais cultuados da MPB, reconhecido pela crítica por sua liberdade artística e vanguardismo. Críticos como Augusto de Campos e Júlio Medaglia o admiraram, mesmo que o próprio Caetano tenha expressado, em diversos momentos, insatisfação com a qualidade técnica da gravação, desejando remixá-lo no futuro. O álbum marcou uma virada na carreira de Caetano, firmando sua música como um tipo de MPB que transcendia gêneros e convenções de mercado.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Caetano Veloso

Capa

Luciano Figueiredo, Oscar Ramos

Fotografia

Ivan Cardoso

Podcasts

Referências

Livros