Doces Bárbaros

Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia

1976

Capa de Doces Bárbaros
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Doces Bárbaros representa um encontro musical de proporções raras na MPB, unindo quatro dos maiores expoentes da música brasileira: Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Embora concebido inicialmente para celebrar uma década de suas carreiras individuais, o projeto transcendeu a comemoração, cristalizando um som que, apesar das influências hippie da época, é intrinsecamente marcado pela brasilidade e um profundo regionalismo baiano, característica inerente a todos os seus integrantes. O álbum, gravado ao vivo, capta a energia e a química singular desse supergrupo. Considerado por muitos uma obra-prima da música brasileira, ele oferece uma janela para a fusão de estilos e personalidades que definiram uma era, apresentando uma sonoridade rica e autêntica que solidifica seu lugar como um marco cultural indispensável.

#95

Show e disco, apesar do sucesso, foram acusados de ter um tom escapista e festivo, em contraponto à resistência à ditadura por outra vertente da MPB.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O grupo Doces Bárbaros foi formado em 1976 com o propósito de realizar uma turnê pelo Brasil, celebrando os dez anos de sucesso das carreiras individuais de Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso. O nome do quarteto, “Doces Bárbaros”, foi uma resposta de Caetano Veloso ao jornal Pasquim, que se referia aos músicos baianos de forma pejorativa, destacando a postura desafiadora e autêntica do coletivo.

Gravação

O álbum Doces Bárbaros foi gravado ao vivo, uma decisão que partiu das sugestões de Gal Costa e Maria Bethânia, contrariando a ideia inicial de um registro em estúdio. A gravação captura a performance da turnê, que contava com um repertório de quinze canções novas, compostas exclusivamente para os shows. Curiosamente, quatro dessas canções, "Esotérico", "Chuckberry fields forever", "São João Xangô Menino" e "O seu amor", já haviam sido gravadas e lançadas em um compacto duplo de estúdio, que se tornaram gravações raras.

Músicas

O repertório do álbum Doces Bárbaros é composto por quinze canções inéditas, criadas especialmente para a turnê. Dentre as faixas que se destacam, estão "Um Índio", de Caetano Veloso, "Pássaro Proibido", fruto da parceria entre Caetano e Bethânia, e "O Seu Amor", de Gilberto Gil. Além das composições originais do quarteto, o disco também incluiu releituras de outros grandes nomes da música brasileira, como "Fé cega, faca amolada" de Milton Nascimento, e o clássico popular "Atiraste uma pedra", de Herivelto Martins.

Legado

Apesar de hoje ser amplamente reconhecido como uma obra-prima da música brasileira, Doces Bárbaros enfrentou críticas de artistas, produtores e críticos musicais no momento de seu lançamento. No entanto, sua relevância cultural perdurou, resultando na produção de um documentário que narra a trajetória da turnê e seus momentos marcantes, incluindo a prisão de Gilberto Gil por porte de drogas em Florianópolis, fato registrado no filme. O impacto do grupo se estendeu para além do álbum e do documentário, inspirando um enredo da escola de samba Estação Primeira de Mangueira em 1994 e culminando em uma bem-sucedida reunião dos quatro artistas em 2002, após 26 anos. Essa reunião resultou em shows memoráveis e em um novo documentário, "Outros (Doces) Bárbaros", lançado em 2004, solidificando a influência duradoura do projeto na cultura brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção

Caetano Veloso

Diretor Musical

Gilberto Gil

Produção [Direção De Produção]

Gapa, Pedrinho Albuquerque

Baixo

Arnaldo Brandão

Bateria

Chiquinho Azevedo

Flauta

Mauro Senise

Guitarra

Perinho Santana

Musical Assistance [Assistant]

Rafael Isaac

Percussão

Djalma Correa

Piano

Tomas Improta

Saxofone

Tuzé De Abreu

Corte

Luigi Hoffer

Mixagem

Ary Carvalhaes

Técnico

Ary Carvalhaes

Técnico [Técnico De Manutenção]

Ivan Lisnik

Arte

Aldo Luiz, Flávio Império

Ilustração

Jorge Vianna

Fotografia

Frederico Confalonieri

Referências

Livros