Qualquer Coisa
Caetano Veloso
1975

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Qualquer Coisa é um álbum de estúdio de Caetano Veloso, lançado em julho de 1975, que se destaca por sua proposta de "vale tudo, bateria, confusão" em contraponto ao disco Jóia, lançado simultaneamente. Sua capa, uma colagem de quatro fotos do artista, faz uma clara alusão à estética de Let It Be dos Beatles e às serigrafias de Andy Warhol, indicando uma intenção artística e visualmente provocadora. O álbum incorpora três regravações de canções da lendária banda inglesa, marcando uma conexão explícita com o universo pop internacional. Este trabalho representa uma faceta mais relaxada e experimental da produção de Caetano naquele período, com uma sonoridade mais abrangente que seu contemporâneo Jóia. A diversidade de composições e interpretações presentes no disco, que inclui não só faixas autorais mas também clássicos de outros artistas, consolida Qualquer Coisa como um ponto de interesse singular na discografia do artista.
Aqui, quase sempre ouvimos Caetano, seu violão, algum vocal de apoio, certa percussão, flautinha ali, teclado acolá – tudo discreto, lírico e sutil.
Alexandre Matias · Rolling Stone Brasil
Contexto
O álbum Qualquer Coisa foi concebido e lançado em um período de intensa criatividade de Caetano Veloso, vindo na sequência do disco Araçá Azul. Inicialmente, a ideia era que fosse um álbum duplo, junto com Jóia, mas a gravadora Philips descartou essa possibilidade devido ao desempenho comercial aquém do esperado do trabalho anterior de Caetano. A decisão de separar o material em dois álbuns distintos reflete uma estratégia da gravadora e uma distinção artística pensada pelo próprio Caetano, que via Jóia como um conjunto de "pequenas peças bem acabadas" e Qualquer Coisa como um espaço de maior liberdade e experimentação sonora.
Gravação
A gravação de Qualquer Coisa foi marcada pela busca de uma sonoridade mais livre e, segundo o próprio Caetano, "relaxada", com a inclusão de bateria e outros elementos. O artista comentou sobre a faixa-título que, apesar de gostar da composição, sentiu que "na gravação a canção ficou presa". A produção do disco fez parte de um projeto maior que, pela abundância de material, seria originalmente um álbum duplo. No entanto, por decisão da gravadora Philips, após o baixo desempenho de vendas do álbum anterior Araçá Azul, o material foi dividido, resultando nos lançamentos separados de Qualquer Coisa e Jóia.
Músicas
O repertório de Qualquer Coisa é notavelmente eclético, mesclando composições próprias de Caetano Veloso com regravações de clássicos internacionais e de outros grandes nomes da música brasileira. Entre as faixas de destaque, o álbum apresenta três interpretações de canções dos Beatles: "Eleanor Rigby", "For No One" e "Lady Madonna". Além das composições de Caetano como a faixa-título "Qualquer Coisa" e "Da Maior Importância", o disco inclui "Samba e Amor" de Chico Buarque, "Madrugada e Amor" de José Messias, "Jorge de Capadócia" de Jorge Ben, "Drume Negrinha" (Drume negrita) de Ernesto Grenet e "La flor de la canela" de Chabuca Granda. Caetano mencionou que Roberto Carlos teria demonstrado interesse em gravar a canção "Qualquer Coisa", elogiando o potencial profissional da interpretação do Rei.
Legado
Apesar da separação dos álbuns por questões comerciais, Qualquer Coisa superou o disco Jóia em vendas, alcançando cerca de 60.000 cópias, contra 30.000 do outro trabalho. Essa repercussão surpreendeu o próprio Caetano Veloso, que observou como a canção-título "Qualquer Coisa", com sua letra abstrata e referências a um filme de Rogério Sganzerla, foi amplamente abraçada pelo público. O sucesso comercial do álbum, que foi relançado em CD em 1991, demonstra sua capacidade de comunicação com uma vasta audiência, solidificando seu lugar na discografia de Caetano e na MPB.
Faixas
Créditos
Caetano Veloso, Perinho Albuquerque
Jairo Gualberto
João Moreira, Luigi Hoffer
Joaquim Figueira
João Moreira
José Guilherme, Paulo Sergio
Caetano Veloso, João Castrioto, Rogério Duarte
Podcasts
O Abertinho - Ler é um ato subversivo · Rogério Mattos
Muita gente canta "Qualquer Coisa" do Caetano Veloso. Quase ninguém sabe que ela nasceu de um filme.Em 1970, Sganzerla, Bressane e Helena Ignez fundam a Belair — produtora clandestina que durou 4 meses e fez uns 10 filmes. Quando o cerco aperta, vão pro exílio. Em Londres, encontram Caetano e Gil. Assistem juntos a "Sem Essa Aranha". Caetano surta. Quando se recupera, escreve a música."Não se avex
O episódio de número 30 foi especial, o primeiro transmitido ao vivo pelo Facebook, com participação da audiência. O programa explorou a vida do mais expoente músico do movimento cultural Tropicália, a partir do seu disco de 1975, que é repleto de excelentes versões de canções. De Beatles a Chico Buarque, Caetano dá sua cara. Lado A Live do Facebook; Ricardo Boechat; Comentários dos ouvintes; Deli
Vídeos
Dicas Musicais: Análise de "Qualquer coisa", de Caetano Veloso
Rosana Marques Cantora
Filmes
Livros

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.

Verdade tropical
Caetano Veloso · 1997
Uma autobiografia seminal de Caetano Veloso, 'Verdade Tropical' narra a história do movimento Tropicalista e a trajetória do artista, incluindo seu exílio e retorno. É fundamental para entender o contexto histórico, político e pessoal que moldou a criação de seus álbuns, como 'Qualquer Coisa', lançado em 1975 após seu retorno ao Brasil.
A Imagem do Som de Caetano Veloso
A Imagem do Som de Caetano Veloso
Caetano Veloso
Embora o ano de publicação seja desconhecido, este livro de autoria do próprio Caetano Veloso, com o título 'A Imagem do Som', sugere uma coleção de seus escritos, ensaios ou reflexões sobre sua obra musical, sua estética sonora e o processo de criação de seus discos. É uma fonte primária valiosa para compreender a visão do artista sobre sua própria música.
Análises
Qualquer Coisa – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Qualquer Coisa – Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira
Alexandre Matias · Rolling Stone Brasil
Aqui, quase sempre ouvimos Caetano, seu violão, algum vocal de apoio, certa percussão, flautinha ali, teclado acolá – tudo discreto, lírico e sutil.
"Qualquer Coisa" (Philips, 1975), Caetano Veloso
discosessenciais.blogspot.com
Joia seguia uma linha de simplicidade e introspecção, enquanto Qualquer Coisa abraçava o improviso, sem perder o rigor artístico. O resultado foi um disco que flerta com a desconstrução, mas mantém um eixo central: a celebração da liberdade criativa.
Caetano Veloso - Qualquer Coisa (1975) | Toque Musical
toque-musicall.com
Escolhi, para tanto, um de seus clássicos discos, o maravilhoso "Qualquer Coisa", lp lançado no ano de 1975, mesmo anos em que foi lançado seu outro clássico, o "Jóia".
Let it Bahia Qualquer Coisa (1975) - Caetano Veloso
acervo.avozdaserra.com.br
Qualquer Coisa é um disco fantástico, como o próprio Caetano Veloso. É um álbum tranquilo de se ouvir, simples, e que mostra de forma muito legal o lado intérprete de Caetano, artista ímpar, uma das maiores traduções do que é a música popular do Brasil.