Pra Que Vou Recordar
Carlos Dafé
1977

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Por Que Esse Disco é Importante
Pra Que Vou Recordar, lançado em 1977, é a obra-prima incontestável de Carlos Dafé, o aclamado "Príncipe do Soul" brasileiro. O álbum é um marco fundamental na música popular brasileira, representando uma fusão magistral entre o samba e o soul, com incursões pelo funk e MPB. Sua sonoridade única e seu caráter vanguardista à época o tornam um registro indispensável para a compreensão do diálogo entre a cultura musical negra e as tradições brasileiras. Este trabalho de estreia solo de Dafé não apenas solidificou sua identidade artística, mas também introduziu um estilo que ressoaria profundamente no cenário musical. A forma como o artista navega por melodias cativantes e ritmos contagiantes, permeados por letras que refletem tanto a vivência pessoal quanto a coletiva, confere ao disco uma profundidade e um frescor que o distinguem. Considerado um "cult classic" entre colecionadores e DJs ao redor do mundo, Pra Que Vou Recordar é um testemunho da genialidade de Carlos Dafé em moldar um som autêntico e influente, que continua a encantar e a inspirar gerações.
Contexto
Carlos Dafé, nascido José Carlos de Sousa em Vila Isabel, Rio de Janeiro, em 1947, veio de uma família com forte veia musical, sendo incentivado pela mãe poeta e pelo pai chorão. Antes de seu debute solo, Dafé já possuía uma trajetória significativa, tendo atuado como músico em grupos como Pedrinho e os Diplomatas e Fuzi 9, da Marinha, cujo álbum de 1970 é hoje disputado por DJs. Ele também integrou o grupo Senzala, uma semente da Banda Black Rio, e dividiu palcos com nomes como Elza Soares, Tim Maia e Tânia Maria. O período crucial para a criação do álbum ocorreu após Dafé ter sido preso entre 1971 e 1972, na Ilha das Cobras, por posse de maconha. Durante esse tempo, ele utilizou o cárcere como um "laboratório musical", compondo grande parte do material que viria a formar Pra Que Vou Recordar. Esse momento de reclusão foi fundamental para a maturação de suas ideias e a concepção de sua obra mais celebrada.
Gravação
A produção de Pra Que Vou Recordar ficou a cargo de Marco Mazzola, que imprimiu um "luxuoso acabamento instrumental" ao trabalho. O álbum contou com uma constelação de talentosos músicos, incluindo Jamil Joanes no baixo, conhecido por seu suingue black, e os metais da icônica Banda Black Rio. Além disso, outros instrumentistas de destaque, como José Roberto Bertrami (do Azimuth) e Marcos Rezende (da banda Index), contribuíram nos teclados e sintetizadores. O próprio Carlos Dafé demonstrou sua versatilidade ao tocar violão acústico, órgão e sintetizador ARP String Ensemble, adicionando camadas ricas à sonoridade do disco. A colaboração entre esses músicos e a visão de Mazzola resultaram em um som sofisticado e inovador, que mistura elementos de MPB, funk e latin music, tornando o álbum um dos primeiros lançamentos do selo Warner Bros. Records no Brasil.
Músicas
O álbum é recheado de composições que se tornaram clássicos do soul brasileiro. A faixa-título, "Pra Que Vou Recordar o Que Chorei", em parceria com Mita, não apenas estourou nas rádios, mas também foi tema da novela "Dona Xepa" (TV Globo, 1977), popularizando a voz aguda de Dafé em todo o Brasil. Outros destaques incluem "A Cruz", uma composição de Dafé em parceria com Tânia Maria, que já havia sido gravada no disco da pianista em 1975, e que apresenta belíssimos vocais e um solo marcante de saxofone de Oberdan. "De Alegria Raiou o Dia", co-escrita com Mita, abre o disco com a energia contagiante que caracteriza o trabalho de Dafé. A canção "Bichos e Crianças" é notável por sua introdução inspirada na disco music que transita para uma balada samba-soul e R&B, com um backing vocal que remete a uma voz infantil. As letras abordam temas variados, desde reflexões pessoais sobre amor e desilusão até observações sociais, como em "A Cruz", que, na interpretação de alguns, evoca um lado mais religioso de Dafé. A inventividade composicional e a instrumentação rica, com a presença de pianos elétricos e sintetizadores, demonstram a capacidade de Dafé em criar um som plural e envolvente.
Legado
Pra Que Vou Recordar estabeleceu-se como um clássico inegável da black music e do soul brasileiro, influenciando uma vasta gama de artistas, tanto negros quanto brancos, a explorar caminhos musicais semelhantes. Apesar do sucesso artístico e comercial inicial, a carreira de Carlos Dafé perdeu um pouco de seu ímpeto após um acidente de carro em 1978 que o deixou sem memória por um tempo, o que fez com que suas canções fossem menos tocadas e os lançamentos se tornassem mais raros. No entanto, o álbum manteve-se cobiçado por colecionadores e DJs, alcançando o status de disco cult em todo o mundo. Sua importância foi reafirmada com a reedição em LP de 180g pela Polysom em 2018, e mais recentemente por selos como Jazzybelle Records, evidenciando seu valor duradouro e sua relevância contínua para a música brasileira.
Faixas
Créditos
Chiquinho de Moraes
Liminha
Mazzola
Camarão, Carlos Dafé, Cidinha, Heleninha, Jamil Joanes
Oberdan Magalhães
Carlos Dafé
Jamil Joanes
Banda Black Rio
Luiz Carlos Batera
Cristóvão Bastos
Claudio Stevenson
José Roberto Bertrami
Doutor, Elizeu, Geraldo Bongô, Gordinho, Nenem, Wilson Canegal
Marcos Resende
Aurino Ferreira
Edson Maciel, Flamarion
Barrosinho, Formiga
Andy Mills, Don Lewis, Humberto Gatica
Brás, Gordinho
José Paulo
Sebastião Barbosa
Podcasts
O disco Pra Que Vou Recordar (1977) do príncipe da black music Carlos Dafé é o tema do episódio de número 29 do Maniçoba Podcast. Um papo descontraído sobre um dos mais importantes discos do movimento musical Black Rio, que arrebatou as pistas e pôs o Rio e o Brasil para dançar nos anos 70. A escolha é do nosso convidado Lucas Nonose, do duo de DJs Disco Veneno, que embala as melhores festas de mú
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Maniçoba Podcast #29 - Carlos Dafé - Pra Que Vou Recordar (1977)
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Análises
Carlos Dafé - Pra Que Vou Recordar (1977) | Toque Musical
toque-musicall.com
Carlos Dafé já foi apresentado aqui em agosto. Agora eu volto trazendo outro disco dele. Na verdade, este era para ter sido o primeiro. Minha intensão era postar o álbum que tem duas músicas finas, "Pra Que Vou Recordar o Que Chorei" e "Tudo Era Lindo". Apesar da confusão, acho que foi melhor assim. No final todo mundo saí ganhado.
ClyBlog: Carlos Dafé - "Pra que Vou Recordar" (1977)
cly-blog.blogspot.com
Toda essa bagagem deixava evidente que Dafé era a figura perfeita para acompanhar a Black Rio. Tanto que não ficou apenas restrito aos bailes. Assim como ocorrera com a própria banda naquele início de 1977, eles correram para o estúdio, quando se concebeu o brilhante "Pra que Vou Recordar".
Diário de Pedradas: Carlos Dafé - Pra Que Vou Recordar (1977)
soulart.org
O disco Pra que vou recordar, de 1977, foi a estreia de Carlos Dafé em um cenário esquentado pelo movimento Black Rio, e chegou a vender quase 250 mil cópias na época.
Vitrola | Review: Carlos Dafé - Pra Que Vou Recordar - Alataj
alataj.com.br
A faixa principal, Pra Que Vou Recordar Que Chorei, é sua música mais famosa até hoje e, naquela época, esteve à frente de trilhas sonoras de novelas e ajudou a reverberar o Soul no Brasil. Mais do que isso, ao longo dos anos já foi regravada mais de cem vezes em diversos idiomas.
Por Trás Da Vitrola: Carlos Dafé - Pra Que Vou Recordar [1977]
portrasdavitrola.blogspot.com
O disco Pra que vou recordar, de 1977, foi a estreia de Carlos Dafé em um cenário esquentado pelo movimento Black Rio, e chegou a vender quase 250 mil cópias na época.
