Cartola
Cartola
1976

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 1976, o álbum Cartola, também conhecido informalmente como Cartola II, é uma obra-prima que não apenas consolidou a redescoberta de Angenor de Oliveira, o mestre Cartola, mas também se estabeleceu como um dos pilares da música popular brasileira. Considerado um registro definitivo de quase cinco décadas de vivências, amores, dores e resistência transformadas em samba, o disco transborda a genialidade e a elegância moral do compositor. Distanciando-se de uma suposta 'estreia tardia', este trabalho apresenta uma sonoridade de câmara popular, onde cada arranjo é meticulosamente elaborado para realçar a voz grave e contida de Cartola, sem excessos ou faltas. Suas composições, repletas de poesia e melodias marcantes, elevam o samba a um patamar de arte literária e universal, tornando este álbum essencial para a compreensão da profundidade e da sofisticação do gênero no Brasil.
Neste álbum, Cartola passeia entre a alegria melancólica e a pura dor, em poemas musicais que parecem ter sido lapidados da maneira mais rústica, autêntica e sofrida possível.
Bruno Yutaka Saito · Rolling Stone Brasil
Contexto
O álbum Cartola foi o segundo de estúdio do sambista carioca, lançado em 1976 pelo selo Discos Marcus Pereira. Este lançamento ocorreu em um momento de tardio, mas merecido, reconhecimento para o artista, que, como muitos gênios, só veio a gravar seu primeiro LP já na casa dos 60 anos, após um longo período de ostracismo no qual muitos o consideravam desaparecido ou até mesmo falecido. A produção do disco ficou a cargo de Juarez Barroso, cujo trabalho neste álbum seria o último de sua carreira, visto que faleceu um mês antes do lançamento. O resgate de Cartola para o grande público começou a se desenhar na década de 1960, quando jovens nomes da música, como Nara Leão e Paulinho da Viola, passaram a exaltar sua obra, abrindo caminho para que o mestre do samba finalmente recebesse a consagração que lhe era devida.
Gravação
A produção do álbum Cartola de 1976 ficou sob a responsabilidade de Juarez Barroso, que, lamentavelmente, viria a falecer um mês antes do lançamento do disco, marcando este como seu último trabalho. O álbum foi lançado novamente pelo selo Discos Marcus Pereira. Os arranjos do disco foram pensados de forma econômica e orgânica, valorizando a voz e o violão de Cartola e permitindo que as melodias respirassem, o que contribuiu para a atmosfera íntima e sofisticada do trabalho. Na instrumentação, Cartola contou com a participação de músicos renomados, como o jovem Guinga, que o acompanhou ao violão na gravação de "O Mundo É um Moinho". O time se completou com Canhoto (Waldiro Frederico Tramontano) no cavaquinho, Altamiro Carrilho na flauta, Dino 7 Cordas (Horondino José da Silva) no violão de 7 cordas, Gilson de Freitas no surdo e Elton Medeiros no ganzá, formando uma 'sonoridade de câmara popular' que realça a profundidade das composições.
Músicas
O álbum de 1976 é um tesouro de composições atemporais, reunindo sambas que se tornariam hinos da música brasileira. Entre as faixas mais aclamadas estão "As Rosas não Falam", "Preciso Me Encontrar" e "O Mundo É um Moinho", esta última com a participação especial do violão do jovem Guinga. A profundidade lírica e melódica de Cartola é evidente em cada canção, abordando temas como amor, solidão, a passagem do tempo e a filosofia da vida com uma delicadeza e elegância singulares. Além dessas, o disco apresenta outras composições notáveis do próprio Cartola, como "Minha", "Aconteceu", "Sei Chorar", "Cordas de Aço" e "Não Posso Viver Sem Ela". A inclusão de "Peito Vazio", parceria com Elton Medeiros, e "Senhora Tentação", de Silas de Oliveira, enriquece ainda mais o repertório. O álbum também se destaca pela participação de sua filha, Creusa, que contribui com vocais nas faixas "Sala de Recepção" e "Ensaboa", adicionando um toque pessoal e familiar à obra.

Apesar de ter o primeiro samba gravado por Francisco Alves em 1929 (Que infeliz sorte, direitos vendidos a Mário Reis) e de estrear como cantor a bordo do navio Uruguai, em 1940, em disco produzido pelos maestros eruditos Leopold Stokowski e Heitor Villa-Lobos (ver pág. 48), Cartola só chegou ao disco solo em 1974, aos 65 anos.
Tárik de Souza · 300 Discos Importantes
Legado
O álbum Cartola de 1976 foi um sucesso estrondoso de crítica, sendo imediatamente reconhecido como um dos grandes discos da música brasileira. Sua importância foi cimentada ao longo do tempo, culminando na notável 8ª posição na lista dos "100 maiores discos da música brasileira" da revista Rolling Stone Brasil. O impacto do álbum foi imenso, abrindo portas e oportunidades que Cartola nunca havia experimentado em sua carreira. Sua obra se tornou atemporal, com diversas composições sendo regravadas por uma lista infindável de artistas consagrados, incluindo nomes como Elis Regina, Paulinho da Viola, Jair Rodrigues, Nelson Gonçalves, Zeca Pagodinho, Ney Matogrosso, Cazuza e Beth Carvalho, que considerava Cartola o melhor intérprete de suas músicas. Este disco não é apenas um marco em sua discografia, mas um acerto de contas de Cartola com o mundo, consolidando seu status de verdadeiro tesouro nacional da música brasileira e, ainda hoje, continua a ser redescoberto, ganhando relançamentos em edições especiais.
Faixas
Créditos
Horondino José Da Silva
Juarez Barroso
Coral De Joab
Zé Menezes
Guinga, Meira
Airton Barbosa
Elton Medeiros
Canhoto
Nenê
Altamiro Carrilho
Jorginho
Wilson Canegal
Gilson
Abel Ferreira
Nelson Martins Dos Santos
Norival Reis
Tonhão
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Discoteca Básica Podcast · Parasol Storytelling
UM CLÁSSICO DA MÚSICA BRASILEIRA que levou mais de 40 anos para virar realidade. Convidada do episódio: Teresa Cristina. Tem mais conteúdo para assinantes do CLUBE DISCOTECA BÁSICA: Assina lá! https://podcastdiscotecabasica.com/assine/ Seja no Morro da Mangueira ou nos apartamentos da zona sul, sempre tem gente tocando um instrumento. Com os 10% de desconto no nosso link da MusicDot, fica mui
Vinilteca · José Ono Junior e Guilherme Colpani
Cartola gravou o disco mais importante da sua vida quando muitos já acreditavam que ele tinha sido esquecido.Lançado em 1976, este álbum não soa como uma estreia tardia, mas como o registro definitivo de quase 50 anos de vida, dor, amor e resistência transformados em samba.Neste vídeo, a Vinilteca mergulha fundo no disco Cartola (1976), analisando faixa a faixa, contexto histórico, bastidores das
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In episode #93, we celebrate 50 years of Cartola's second album, released in 1976 by the record label Marcus Pereira Discus. Nearly 50 years into his career, Cartola released his debut featuring many of his early sambas and chorinhos. This follow-up is completed with songs written exclusively for this album, such as "As Rosas Não Rosam", arguably his most popular song. Among other famous iconic sa
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Lado A Agenor ou Angenor de Oliveira. Descobriu o nome no período do casamento com a Zica. Lenda que Mundo é um Moinho foi composta para a filha que era prostituta. Cartola era estéril. Versões do Cazuza e Ney Matogrosso. Gravou o primeiro disco em 1974, com 66 anos. Foi morar no morro da Mangueira por problemas financeiros. Lampejos de música erudita com base popular. Perdeu a mãe na década de 30
Brazuca Sounds on Patreon · Leandro Vignoli
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Zicartola: Política e samba na casa de Cartola e dona Zica
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Zicartola: Política e samba na casa de Cartola e D. Zica narra a história do lendário Zicartola, uma casa de samba pioneira fundada por Cartola, o grande sambista da Mangueira, e sua esposa, Dona Zica, cozinheira e antiga pastora da verde e rosa. O livro detalha o impacto cultural e político desse espaço que funcionou por menos de dois anos na Rua da Carioca, n[...], oferecendo um contexto essencial para compreender a trajetória e a influência de Cartola como artista.

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
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A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.

300 Discos Importantes da Música Brasileira
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Idealizado pelo baterista dos Titãs e pesquisador musical Charles Gavin, o livro de 434 páginas reúne capas e resenhas de discos lançados entre 1929 e 2007. Os textos ficaram a cargo dos jornalistas Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado.
Análises
Cartola – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Cartola – Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira
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Cartola e sua obra-prima de 1976 - Cantinho do Disco
cantinhododisco.com.br
Em resumo, Cartola de 1976 não é apenas um álbum; é uma obra-prima que continua a emocionar e inspirar, mantendo o legado de Cartola vivo para novas gerações. Seu impacto no samba e na música brasileira como um todo é um testemunho do talento incomparável de um dos maiores compositores do gênero.
50 anos do disco que eternizou Cartola - by Tiago Ferreira
namiradogroove.substack.com
O Carnaval é uma época bem propícia para relembrar Cartola, um dos fundadores da Mangueira. Passada a festança, vamos relembrar aquela que é considerada uma das - se não "a" - maiores obras-primas do samba: o álbum homônimo de 1976.
O Histórico Disco De Cartola ( 1976) - Visão Plural
visaoplural.com.br
Neste vídeo, a Vinilteca mergulha fundo no disco Cartola (1976), analisando faixa a faixa, contexto histórico, bastidores das gravações, músicos envolvidos, a importância de Dona Zica e o impacto cultural de canções eternas como "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho" e "Preciso Me Encontrar".
