Almanaque
Chico Buarque
1981

Porque Merece Estar na Lista
Almanaque, lançado em 1981, é um álbum de estúdio que reafirma a maestria de Chico Buarque como um dos mais importantes compositores da música popular brasileira. O disco apresenta a complexidade lírica e a sofisticação melódica características de sua obra, mantendo um diálogo com os dilemas sociais e pessoais da época através de metáforas e narrativas envolventes. Este trabalho se destaca por sua capacidade de transitar entre a crítica política velada e a sensibilidade poética, entregando canções que se tornaram marcantes no repertório nacional. Chico Buarque mais uma vez demonstra sua habilidade em criar um universo musical denso e acessível, onde cada faixa convida à reflexão e à apreciação estética.
Gravação
A produção musical de Almanaque ficou a cargo de Marco Mazzola, conhecido como "Mazola", que também atuou como técnico de mixagem. A coordenação de produção foi realizada por Homero Ferreira, com Eva Straus na assistência artística e Paschoal Perrota na arregimentação. Os trabalhos de gravação contaram com Luís Paulo Martins e Célio Martins como técnicos, auxiliados por João Ricardo, Luis Guilherme, Serginho e Zé Carlos, além de Antonio Cesar na assistência de estúdio. A mixagem teve Júlio Martins como auxiliar, Teddo Gouvea na montagem e Américo (Tapecar) no corte. O álbum também se beneficiou de arranjos de renomados músicos: Francis Hime contribuiu com piano e arranjos em diversas faixas, enquanto Magro arranjou "A Voz do Dono e o Dono da Voz", Edu Lobo cuidou de "Moto-Contínuo" e Dori Caymmi de "Angélica". Toquinho adicionou seu violão em "Ela É Dançarina", "Almanaque" e "Amor Barato", e um coro de vozes, incluindo Miúcha, Cristina Buarque e Carlinhos Vergueiro, enriqueceu "Amor Barato".
Músicas
Entre as canções de Almanaque, algumas se destacam pela profundidade de suas letras e contextos. "A Voz do Dono e o Dono da Voz" é particularmente notável por ter sido inspirada em uma disputa judicial enfrentada por Chico Buarque entre sua gravadora da época, Ariola, e a anterior, PolyGram, um imbróglio que o deixava sem voz e sem autoridade sobre sua própria situação. Outro ponto alto é "Angélica", uma emocionante homenagem à estilista Zuzu Angel. A canção faz referência ao trágico destino de Zuzu, que, uma semana antes de morrer em um acidente de trânsito em 1978, havia deixado um bilhete na casa de Chico pedindo que, em caso de sua morte, fosse divulgado que militares seriam os responsáveis, os mesmos que haviam assassinado seu filho Stuart Angel Jones sete anos antes e desaparecido com seu corpo. O verso "Só queria embalar seu filho / Que mora na escuridão do mar" sugere a possibilidade de o corpo de Stuart ter sido lançado ao oceano.
Legado
Almanaque obteve um considerável sucesso comercial no Brasil, vendendo 400 mil cópias, conforme divulgado pelo jornal O Fluminense. Além do êxito nas vendas, o álbum também emplacou uma de suas canções nas paradas: "As Vitrines" alcançou a 95ª posição entre as 100 músicas mais tocadas no ano de 1982.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Mazzola
Ieddo Gouveia
Américo Marques Pinto
Mazzola
Célio Martins, Luiz Paulo Martins
Elifas Andreato
Homero Ferreira
