Chico Buarque de Hollanda, Volume 2

Chico Buarque

1967

Capa de Chico Buarque de Hollanda, Volume 2
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1967, Chico Buarque de Hollanda, Volume 2 é o terceiro álbum da discografia de Chico Buarque e representa um passo crucial na consolidação da identidade musical de um dos maiores compositores brasileiros. Neste trabalho, Chico, então com cerca de 23 anos, aprofunda sua estética já reconhecível, misturando influências do samba, da bossa nova e do que viria a ser a MPB, com uma linguagem poética e melodias sofisticadas que se tornariam sua marca registrada. O álbum demonstra uma maturidade artística precoce, mesclando composições recentes com outras guardadas há alguns anos, revelando a consistência de seu processo criativo desde os primórdios. O disco não apenas reafirma o talento lírico e melódico de Chico, mas também o posiciona como uma voz essencial no panorama cultural brasileiro da época. Embora não seja tão abertamente político quanto trabalhos futuros, as canções já carregam a sensibilidade e a capacidade de observação que permitiriam a Chico Buarque navegar pelos complexos anos que viriam, traduzindo sentimentos e realidades de forma singular. É um testemunho da fase em que o artista, mesmo em ascensão, já ditava tendências e influências com seu estilo inconfundível.

Contexto

O ano de 1967 foi um período de efervescência cultural no Brasil, uma espécie de 'mini-Belle Époque' que precedeu o endurecimento do regime militar. Chico Buarque já era uma figura de destaque na música brasileira, tendo alcançado reconhecimento nacional com sucessos como "A Banda", vencedora do Festival de Música Popular Brasileira de 1966. Este álbum chega em um momento em que a MPB consolidava-se como um gênero de resistência e expressão artística, diante de um cenário político cada vez mais complexo. Apesar da crescente polarização e do surgimento de movimentos como a Tropicália, Chico Buarque mantinha-se fiel à sua linha autoral, embora permeado pelo ambiente de inovação. Ele se estabelecia não só como um prolífico compositor, mas também como um intérprete carismático, cujo trabalho se tornaria um espelho das aspirações e inquietações da sociedade brasileira.

Gravação

O álbum Chico Buarque de Hollanda, Volume 2 foi lançado pela gravadora RGE em 1967 e contou com a produção de Manoel Barenbein, direção artística de Júlio Nagib e arranjos de Antônio José Waghabi Filho, mais conhecido como Magro do MPB-4. A gravação se deu em som monofônico, característica da época. O próprio Chico escreveu o texto de encarte do LP, onde ele comenta sobre o processo de gravação, indicando que o disco foi cuidado com tranquilidade até a última etapa. Além da voz e do violão de Chico, o álbum teve a notável participação do grupo Os Três Moraes nas faixas "Noite dos Mascarados" e "Com Açúcar, Com Afeto", nesta última com um solo marcante de Jane Moraes. O MPB-4, grupo do arranjador Magro, também emprestou suas vozes em algumas outras canções, enriquecendo a tessitura vocal do disco. A capa do álbum, com uma fotografia de David Zingg, também é um elemento icônico desse trabalho.

Músicas

Composto por 12 faixas e totalizando cerca de 32 minutos, Chico Buarque de Hollanda, Volume 2 apresenta um repertório diversificado. Todas as canções são de autoria de Chico, com exceção de "Lua Cheia", que é uma parceria melódica com Toquinho. O álbum equilibra novas criações com composições que Chico já havia guardado, como "Fica" e "Será Que Cristina Volta?", mostrando a profundidade de seu cancioneiro já naquele momento. Entre as canções que se destacam, "Noite dos Mascarados" e "Com Açúcar, Com Afeto" são exemplos da sofisticação melódica e da habilidade lírica de Chico. A segunda, inclusive, foi escrita sob a ótica feminina e interpretada com sensibilidade por Jane Moraes, tornando-se um clássico. Outros clássicos presentes são "Quem Te Viu, Quem Te Vê" e as já mencionadas "Fica" e "Será Que Cristina Volta?". As letras são notáveis pela capacidade de narrar histórias, explorar emoções e, por vezes, tecer comentários sociais sutis por meio de metáforas e observações do cotidiano.

Legado

Chico Buarque de Hollanda, Volume 2 foi um álbum que solidificou a reputação de Chico Buarque como um dos mais importantes compositores da MPB. Embora uma crítica o aponte como "o mais esquecido da Discografia do Chico Buarque", ele contém "faixas muito boas", destacando a qualidade consistente do trabalho do artista. O disco recebeu avaliações positivas de publicações especializadas, como o All Music Guide e The Encyclopedia of Popular Music, que lhe atribuíram 4 de 5 estrelas. Ao longo dos anos, o álbum manteve sua relevância e foi relançado em CD em 2001, como parte da caixa "Construção", da Universal, o que atesta sua importância contínua na obra do artista. Suas canções, como "Quem Te Viu, Quem Te Vê" e "Com Açúcar, Com Afeto", permanecem no imaginário popular e no repertório de diversos intérpretes, garantindo a perenidade de sua influência na música brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Julio Nagib, Manoel Barenbein

Texto do Encarte

Chico Buarque

Referências