Chico Buarque de Hollanda Volume 3

Chico Buarque

1968

Capa de Chico Buarque de Hollanda Volume 3
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em maio de 1968, "Chico Buarque de Hollanda Volume 3" representa um momento crucial na discografia de um dos maiores poetas e compositores da música brasileira. Neste álbum, Chico Buarque consolida sua maestria em entrelaçar melodias sofisticadas com letras de profunda sensibilidade, transitando com fluidez entre o romântico, o cotidiano e o social. O disco é uma janela para a evolução de seu estilo, que, embora ainda enraizado na bossa nova e no samba, já demonstrava uma crescente complexidade harmônica e temática que viria a definir a MPB.

Contexto

O ano de 1968 no Brasil foi de intensa efervescência cultural e política, marcado pelo endurecimento da ditadura militar e pela repressão crescente. Chico Buarque já era uma figura proeminente no cenário musical, tendo alcançado grande sucesso em festivais e com seus álbuns anteriores. Este contexto turbulento encontrou eco em sua obra, que, com sutileza e inteligência, começou a tecer críticas e reflexões sobre a realidade brasileira, muitas vezes de forma velada para driblar a censura. O álbum surge em meio a essa atmosfera de inquietação e criatividade, pouco antes do exílio de Chico Buarque e da intensificação de sua produção engajada.

Gravação

A gravação de "Chico Buarque de Hollanda Volume 3" foi realizada sob a batuta da gravadora RGE, com a direção artística de Julio Nagib e coordenação de Roberto Colossi. Os arranjos e a regência ficaram a cargo do maestro Lindolfo Gaya, cuja colaboração foi fundamental para a sonoridade característica do álbum. A ficha técnica do disco também destaca importantes participações especiais que enriqueceram as faixas: Toquinho emprestou sua voz em "Desencontro", o grupo MPB-4 contribuiu com os vocais em "Roda Viva", e Cristina Buarque, irmã do compositor, fez uma participação vocal em "Sem Fantasia". A Orquestra RGE também participou, adicionando grandiosidade em "Tema Para 'Morte e Vida Severina'".

Músicas

O álbum apresenta doze faixas que se tornaram clássicos da MPB, demonstrando a versatilidade composicional de Chico Buarque. Entre elas, destaca-se "Retrato em Branco e Preto", uma colaboração atemporal com Tom Jobim, que se tornou um dos sambas-canção mais reverenciados. "Roda Viva", além de ser um dos grandes sucessos do álbum, deu nome à peça teatral homônima de Chico Buarque, que causaria grande repercussão e problemas com a censura. Canções como "Carolina", "Ela Desatinou" e "Sem Fantasia" revelam a poética romântica e melancólica do compositor. Há também um caráter mais dramático e social em "Funeral de um Lavrador" e "Tema Para 'Morte e Vida Severina'", ambas com letras baseadas na obra de João Cabral de Melo Neto, que já haviam sido apresentadas na trilha sonora da peça "Morte e Vida Severina". A diversidade de temas e a riqueza lírica fazem de cada canção uma pequena obra-prima.

Legado

No ano de seu lançamento, "Chico Buarque de Hollanda Volume 3" obteve um notável desempenho comercial, alcançando a primeira posição nas paradas da revista Cashbox no Brasil. O álbum não só solidificou a reputação de Chico Buarque como um dos principais nomes da MPB, mas também marcou um ponto de inflexão em sua carreira, sinalizando uma crescente imersão em temas sociais e políticos, ainda que velados. A canção "Roda Viva" transcendeu o disco e se tornou o epicentro de uma polêmica peça de teatro que desafiou abertamente a censura da ditadura, o que levou Chico ao exílio em 1969. O impacto do álbum reside não apenas em seus sucessos individuais, mas em como ele pavimentou o caminho para a fase mais engajada e contestadora de Chico Buarque, servindo como um elo entre sua fase mais romântica e as obras de protesto que o consagrariam como um ícone da resistência cultural brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência

Lindolfo Gaya

Produção [Direção Artística]

Julio Nagib

Composição

Chico Buarque De Hollanda

Vocais

Cristina Buarque, MPB4, Toquinho

Vocais, Texto do Encarte

Chico Buarque De Hollanda

Engenheiro de Som

Benil Santos

Coordenação

Roberto Colossi

Referências