Construção

Chico Buarque

1971

Capa de Construção
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Construção é o oitavo álbum de estúdio do aclamado cantor e compositor brasileiro Chico Buarque, lançado em 1971. O disco se destaca por ser um dos mais potentes e liricamente carregados de críticas ao regime militar vigente no Brasil, abordando a censura imposta pelo governo e as condições indignas do indivíduo no país. Marcando um aguçamento da vertente crítica na poética do autor, o álbum revelou um Chico Buarque mais ousado, diferentemente de suas fases anteriores, que harmonizavam a Bossa Nova com composições veladamente críticas à ditadura. Canções como a faixa-título, que expõe a tragédia de um trabalhador, e "Deus lhe Pague", com seus versos iniciais diretos, exemplificam essa coragem. Além do viés político, o álbum não abandona o lirismo característico do artista, presente em faixas mais clássicas e pessoais como "Valsinha" e "Minha História". Com arranjos sofisticados de Magro, então integrante do MPB-4, e do maestro Rogério Duprat, o álbum se tornou um marco pela sua profundidade temática e musical, apresentando uma obra coesa que reflete a efervescência artística e a tensão política da época.

#3

Discurso direto – na medida do possível –, melodias magníficas. Peso e responsabilidade num dos discos mais importantes da música popular do Brasil.

Toninho Spessoto · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Antes da criação de Construção, Chico Buarque vivia um período de intensa efervescência artística e política. Exilado na Itália em 1969 devido à repressão do regime militar brasileiro, ele aproveitou o tempo para compor novas canções que refletiam suas críticas sociais e seu engajamento político, aprofundando sua pesquisa poética e musical. O retorno de Chico ao Brasil em 1970 coincidiu com uma fase mais dura da ditadura militar, com censura rígida e perseguição aos artistas engajados. Esse cenário influenciou diretamente a temática do álbum, que aborda as contradições sociais e o cotidiano opressivo do trabalhador brasileiro.

Gravação

O álbum Construção foi gravado no Estúdio Phonogram, no Rio de Janeiro. A direção de produção e estúdio coube a Roberto Menescal, com a engenharia de som a cargo de Toninho e Mazola. A direção musical foi de Magro (Antônio José Waghabi Filho), enquanto os arranjos foram assinados pelo maestro Rogério Duprat. O processo de composição das faixas se deu, em grande parte, durante o exílio de Chico Buarque na Itália, onde o artista buscou aprofundar sua linguagem poética e musical. Rogério Duprat, por sua vez, trouxe elementos da música erudita e experimental, enriquecendo significativamente a sonoridade da obra. O álbum contou com participações especiais notáveis: o grupo MPB-4 emprestou suas vozes a diversas faixas, Tom Jobim contribuiu com o piano em "Olha Maria (Amparo)", e o Trio Mocotó e Toquinho participaram de "Samba de Orly", na percussão e violão, respectivamente.

Músicas

As canções de Construção são um retrato multifacetado da genialidade de Chico Buarque. A faixa-título, "Construção", destaca-se por sua estrutura inovadora, com versos dodecassílabos e repetições quase hipnóticas que reforçam o tema da alienação do trabalhador, sendo uma crítica contundente sobre um homem que trabalhou arduamente até sua morte. Outras canções como "Cordão" abordam diretamente a censura imposta pelo governo, enquanto "Deus lhe Pague" abre o LP com versos ousados. "Samba de Orly", uma parceria com Toquinho e Vinicius de Moraes, canta abertamente sobre o exílio, resultando em sua parcial censura. O álbum também oferece o lirismo característico do artista em faixas como "Olha Maria" e as mais clássicas e pessoais "Valsinha" e "Minha História", demonstrando a amplitude de sua escrita.

Após o confronto direto com a ditadura em Apesar de você, no ano anterior, Chico Buarque desembarcava este maciço Construção.

Tárik de Souza · 300 Discos Importantes

Legado

Construção foi amplamente aclamado pela crítica e pelo público, consolidando-se como um marco na música brasileira. Em 1972, a revista Realidade o descreveu como “o melhor feito nos últimos vinte anos no Brasil”. Sua influência perdura, sendo eleito o terceiro melhor disco brasileiro de todos os tempos pela edição brasileira da revista Rolling Stone na década de 2000, e figurando no renomado livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer. Considerado uma obra-prima da música popular brasileira, o álbum influenciou gerações de artistas e se mantém como um símbolo de resistência cultural durante o regime militar. A canção-título, "Construção", é frequentemente estudada em cursos de música e literatura devido à sua estrutura inovadora e profundidade poética, sendo reconhecida como uma das maiores canções da música popular brasileira, classificada como a segunda melhor canção brasileira em uma enquete da Folha de S. Paulo em 2001. Construção solidificou Chico Buarque como um dos maiores compositores brasileiros, e suas músicas continuam sendo regravadas e reinterpretadas por novos artistas, reafirmando sua relevância cultural e musical duradoura. O álbum é frequentemente citado em listas dos melhores discos brasileiros de todos os tempos, reafirmando seu impacto na cultura musical nacional e internacional.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção [Music]

Magro

Produção, Direção [Studio]

Roberto Menescal

Participação

Antonio Carlos Jobim, MPB4, Paulo Jobim

Técnico

Mazzola, Toninho

Arte

Aldo Luiz

Fotografia

Carlos Leonam

Podcasts

Referências

Livros