Aos Vivos
Chico César
1995

Porque Merece Estar na Lista
Aos Vivos, o álbum de estreia do cantor e compositor paraibano Chico César, lançado em 1995, representa um marco fundamental na música popular brasileira da década de 90. Gravado ao vivo, em formato intimista de voz e violão, o trabalho revelou ao grande público um artista de sensibilidade ímpar e poesia visceral, que já vinha construindo uma trajetória no circuito alternativo. Sua sonoridade crua e despojada, carregada de influências nordestinas, mas aberta a diálogos urbanos e universais, distinguiu-o no cenário musical da época. Considerado um prenúncio de uma nova revolução cultural, Aos Vivos colocou o Nordeste em evidência e influenciou uma geração de músicos. Chico César, com sua poesia concretista e divisões rítmicas características, demonstrou no debut a capacidade de transitar entre a tradição e a modernidade, apresentando canções que se tornariam clássicos atemporais e que definiriam parte de sua identidade artística.
Contexto
Antes de Aos Vivos, Chico César, nascido em Catolé do Rocha, Paraíba, trilhou um caminho que o levou do jornalismo à música. Após se formar em jornalismo em João Pessoa, onde participou do grupo de poesia de vanguarda Jaguaribe Carne, ele se mudou para São Paulo aos 21 anos. Na metrópole, trabalhou como jornalista e revisor, enquanto aprimorava seu violão e acumulava composições, apresentando-se em bares e teatros alternativos, onde sua fusão de elementos nordestinos com propostas experimentais encontrava resistência nos circuitos mais estabelecidos. Em 1991, uma turnê de sucesso pela Alemanha foi o catalisador para que Chico César decidisse dedicar-se integralmente à música. Ele formou então a banda Cuscuz Clã, que se apresentava no Blen Blen Club, uma casa noturna paulistana, consolidando um público fiel e preparando o terreno para sua estreia fonográfica, que viria a ser este álbum ao vivo.
Gravação
A gravação de Aos Vivos ocorreu em julho de 1994, durante três noites (dias 24, 25 e 26), na Sala Guiomar Novaes, na Funarte-SP, em São Paulo. O projeto foi concebido e realizado em uma atmosfera de simplicidade e amizade, sendo o resultado da parceria entre Chico César e o músico e produtor Egídio Conde. Egídio Conde utilizou seu estúdio móvel, o Audiomobile, adaptado em uma Kombi, para registrar as apresentações. A produção do álbum foi assinada por Chico César e Egídio Conde, com Carlos Aru Minami e o próprio Conde como técnicos de gravação. O disco contou com participações especiais do cantor e compositor Lenine, que veio de ônibus do Rio de Janeiro, e do renomado guitarrista Lanny Gordin, que deixou compromissos para se juntar às gravações.
Músicas
O repertório de Aos Vivos é uma vitrine da inventividade lírica e melódica de Chico César, apresentando 14 faixas que misturam composições autorais com releituras significativas. O disco abre com a marcante “Beradêro”, uma canção que remete ao gênero do aboio, tradição dos vaqueiros do sertão. Em seguida, surgem dois de seus maiores sucessos, “Mama África” e “À Primeira Vista”, apresentadas em versões espontâneas e carregadas de uma intimidade cativante. Outras canções autorais como “Saharienne”, “Mulher Eu Sei” e “Clandestino” se destacam, revelando a profundidade poética do artista. O álbum também inclui interpretações notáveis, como “Paraíba”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e “Alma Não Tem Cor”, de André Abujamra. A criação de “À Primeira Vista”, por exemplo, ocorreu em um ônibus em São Paulo, e seus improvisos vocais foram inspirados por João Bosco, evidenciando a riqueza de referências de Chico César.
Legado
Aos Vivos catapultou Chico César do circuito cult e underground paulistano para o reconhecimento nacional e internacional, estabelecendo-o como uma das vozes mais relevantes da MPB. O álbum, apesar de ser um trabalho de estreia, gerou canções que se tornaram clássicos instantâneos. "Mama África" obteve enorme sucesso, ganhando o prêmio de Melhor Videoclipe de MPB no MTV Video Music Brasil (VMB) de 1997, um feito notável para a MTV Brasil. "À Primeira Vista" alcançou ainda maior projeção ao ser regravada por Daniela Mercury e incluída na trilha sonora da novela "O Rei do Gado", da TV Globo, em 1996, solidificando sua popularidade. Ao longo dos anos, Aos Vivos tem sido celebrado como um marco e uma obra-prima da música brasileira, sendo relançado em edições especiais, incluindo vinil, evidenciando sua duradoura influência e o impacto que teve na carreira de Chico César e na música brasileira como um todo, inspirando gerações.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Elaine Marin
Esther Rodrigues
Egídio Conde
Chico César
Adriana Metran, Diana Leão
Samuel Vital
Otavio Mourelo
Siomara Thomaz
Carlos "Arú" Miname
Egídio Conde
Julian Conde, Luís Leme
Luciano Pessoa, Luciano Pessoa, Siomara Thomaz
Mara Rúbia, Mara Rúbia
