Brasil Mestiço
Clara Nunes
1980

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Por Que Esse Disco é Importante
Brasil Mestiço, o décimo quarto álbum de estúdio de Clara Nunes, lançado em agosto de 1980, marca um ponto significativo na trajetória da cantora ao consolidar um visual e uma concepção musical mais profundamente enraizados na cultura afro-brasileira. Este trabalho reflete uma fase de amadurecimento artístico, onde a identidade mestiça do Brasil é celebrada e explorada com autenticidade. O álbum se destaca por sua estética cuidadosamente elaborada, que se manifesta tanto na sonoridade quanto na imagem de Clara Nunes, refletindo sua conexão com as raízes africanas e a riqueza cultural do país. A proposta visual, que incluiu um novo penteado afro-brasileiro sugerido por seu maquiador, Guilherme Pereira, serviu de base para o conceito do disco. Essa direção artística foi ainda mais aprofundada após uma viagem de Clara a Angola, que imergiu a artista em uma rica experiência cultural. Brasil Mestiço é, assim, um testemunho da capacidade de Clara Nunes de traduzir em arte as múltiplas influências que formam a identidade brasileira.
Contexto
Antes da gravação de Brasil Mestiço, Clara Nunes já havia adotado um novo visual que seria crucial para a concepção do álbum. Em maio de 1980, participou de um show em homenagem ao Dia do Trabalhador no Riocentro, a convite de Chico Buarque e Fernando Faro, evento que precedeu sua viagem a Angola. Essa viagem foi um convite de Chico Buarque para uma série de apresentações no Projecto Kalunga, com o objetivo de arrecadar fundos para a construção de um hospital em Angola, o que estreitou os laços de amizade entre os dois artistas. A relação com Chico Buarque, que já existia devido à amizade entre ele e Paulo César Pinheiro, marido de Clara, aprofundou-se durante essa experiência. Essa vivência em Angola foi fundamental para solidificar o conceito afro-brasileiro que permeia o álbum, influenciando diretamente a direção artística e as escolhas temáticas do disco.
Gravação
A gravação de Brasil Mestiço teve início em julho de 1980, logo após o retorno de Clara Nunes de sua marcante viagem a Angola. Apesar de o repertório já estar praticamente definido, a cantora solicitou a Chico Buarque uma canção que ele havia prometido durante a viagem, resultando em "Morena de Angola", faixa de abertura do disco e um de seus grandes sucessos. A elaboração visual do álbum também foi meticulosamente planejada para se alinhar ao seu conceito. A capa foi fotografada por Wilton Montenegro no morro da Serrinha, onde Clara Nunes aparece dançando jongo ao lado da ialorixá Vovó Maria Joana e do Mestre Darcy do Jongo, reforçando a imersão na cultura afro-brasileira e nas tradições populares.
Músicas
O repertório de Brasil Mestiço apresenta uma cuidadosa curadoria de composições, que se alinha perfeitamente à proposta de celebrar a diversidade musical brasileira. "Morena de Angola", composta por Chico Buarque e um dos maiores êxitos de Clara Nunes, abre o disco, enquanto "Sem Companhia" foi escolhida para a trilha sonora da novela Coração Alado, da Rede Globo, garantindo ampla repercussão. Além dessas, outras faixas ganharam destaque nas rádios e nas mídias visuais, com "Morena de Angola" e "Viola de Penedo" sendo convertidas em videoclipes para o programa Fantástico. O álbum explora diversos gêneros do samba, incluindo dois sambas de Candeia, três de Mauro Duarte (dois em parceria com Paulo César Pinheiro e um com Elton Medeiros), um de Nelson Cavaquinho e Wilson Canegal, um partido-alto de Alberto Lonato, Josias e Maceió do Cavaco, e um samba de quadra da Paraíso do Tuiuti, de Noca e Natal da Portela, demonstrando a riqueza e a abrangência da seleção musical.
Legado
Brasil Mestiço alcançou um sucesso estrondoso, vendendo mais de 500 mil cópias e garantindo a Clara Nunes o sétimo disco de ouro de sua carreira, um feito notável para a época. O impacto do álbum não se limitou às vendas, sendo também reconhecido com o Troféu Roquette Pinto de personalidade do ano na música, solidificando ainda mais a posição de Clara como uma das grandes artistas do Brasil. O sucesso do disco culminou no espetáculo solo "Clara Mestiça", que estreou em janeiro de 1981, com direção de Bibi Ferreira e roteiro de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Ambientado em um cenário de Elifas Andreato, o show explorava a música popular brasileira em suas diversas formas, desde o canto dos índios Craós até o samba-enredo, samba-canção, baião e coco-de-roda. "Clara Mestiça" foi um grande sucesso de público e crítica, permanecendo em cartaz por sete meses no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, e por dois meses no Canecão-Anhembi, em São Paulo, confirmando a força e a relevância do conceito lançado pelo álbum.
Faixas
Créditos
Geraldo Vespar, Lindolfo Gaya, Sivuca
Lindolfo Gaya
Paulo César Pinheiro
Renato Corrêa
Hélio Delmiro, Zé Menezes
Luizão Maia
Alceu Maia
Wilson das Neves
Jayme Araújo
Gordinho
Osmar Furtado
Nivaldo Duarte
Guilherme Reis, Roberto Castro, Sérgio Bittencourt
J.C.M., Tadeu Valério
Wilton Montenegro
Podcasts
365 LPs · Paulo Henrique de Moura
“Cantar é o único alento do trabalhador”. E é com esse canto doce de Clara Nunes que no episódio de hoje eu vou falar sobre Brasil Mestiço, álbum lançado pela cantora em 1980 pela EMI.Em julho de 1980, Clara começou a gravar Brasil Mestiço. Apesar do repertório estar fechado, ela ligou para Chico Buarque - com quem fez turnê ao lado de outros sambistas no continente africano para o projeto Kalunga
Filmes
Livros
Um rio de música e adeus - Nos funerais midiáticos de Carmen Miranda e Clara Nunes (Rio de Janeiro, 1955 – 1983)
Maria de Fátima Rocha da Fonseca · 2025
O livro é resultado de uma pesquisa de mestrado que aborda os funerais midiáticos de Carmen Miranda e Clara Nunes, analisando a imagem pública e o legado de ambas as artistas no Rio de Janeiro entre 1955 e 1983. Por cobrir o período em que o álbum 'Brasil Mestiço' foi lançado (1980) e ser um estudo aprofundado sobre Clara Nunes, é altamente relevante para entender o contexto e a recepção de sua obra.

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.
Análises
Brasil Mestiço – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
"Brasil Mestiço" (EMI-Odeon, 1980), Clara Nunes
discosessenciais.blogspot.com
Lançado em 18 de agosto de 1980, Brasil Mestiço traz um repertório diversificado em que Clara, embora tenha se notabilizada como uma grande cantora de samba, mostra-se uma artista versátil.
Brasil Mestiço: 45 anos do álbum que marcou carreira de Clara Nunes
bahia.ba
Um dos discos fundamentais para o samba brasileiro, Brasil Mestiço, de Clara Nunes (1942-1983), completa 45 anos de lançamento nesta segunda-feira (18). O décimo quarto álbum de estúdio da intérprete foi lançado em 1980 pela gravadora EMI-Odeon, produzido por Paulo César Pinheiro (com Renato Corrêa), e reflete a profunda ...
Especial 30 anos Clara Nunes | Brasil Mestiço (1980) - Na Mira do ...
namiradogroove.com.br
Foi aqui que Clara Nunes melhor cantou o difícil retrato de ser brasileiro numa época em que a repressão da ditadura começava a desvanecer - e a inflação, aumentar. E aí é que entra a importância do compositor Paulo César Pinheiro no álbum.
A força do Brasil mestiço no canto de Clara Nunes - Zona Curva
zonacurva.com.br
Em matéria no Jornal do Brasil, o próprio Aluízio Palmar ficou surpreso quando teve acesso à informação: "Clara Nunes nunca foi desse meio político. Me surpreendi, mas não dá para dizer que é uma montagem. É claramente um documento oficial".
