Feijão com Arroz

Daniela Mercury

1996

Capa de Feijão com Arroz
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Feijão com Arroz, o quarto álbum de estúdio de Daniela Mercury, lançado em 1996, representa um ponto alto na carreira da artista e na evolução da axé music. Considerado pela própria cantora como um disco de grande complexidade, ele sintetiza anos de pesquisa e imersão nos ritmos do Carnaval, do trio elétrico e das manifestações regionais nordestinas, elevando-os a um patamar de alta qualidade artística e técnica. Este trabalho não apenas consolidou a identidade musical de Daniela Mercury, mas também expandiu as fronteiras do axé, mesclando-o com elementos de MPB e pop de forma sofisticada e inovadora. O álbum demonstra uma preocupação minuciosa com a sonoridade, como evidenciado pela dedicação de até três dias na mixagem de uma única canção, resultando em arranjos percussivos ricos e diversificados que se tornariam uma marca registrada.

Contexto

Lançado após o sucesso estrondoso de O Canto da Cidade (1992) e o álbum Música de Rua (1994), Feijão com Arroz chegou em um período em que a axé music vivia seu auge comercial no Brasil, mas ainda enfrentava certo ceticismo fora do circuito carnavalesco. Daniela Mercury já se estabelecia como uma das maiores estrelas do gênero, aclamada como a 'Rainha do Axé', e este disco foi uma confirmação de sua trajetória e de sua proposta artística de levar a riqueza rítmica da Bahia para o cenário pop nacional e internacional. O álbum marcou um momento de maturidade para a artista, que, embora já tivesse alcançado enorme popularidade, buscava aprofundar sua pesquisa musical e apresentar um trabalho que fosse ao mesmo tempo popular e artisticamente elaborado. Em 1996, o cenário musical brasileiro estava aberto a fusões, e Feijão com Arroz se inseriu nesse contexto como um exemplo notável da capacidade de reinvenção e sofisticação da música pop brasileira.

Gravação

A gravação de Feijão com Arroz foi um processo meticuloso, focado na complexidade rítmica e na qualidade sonora, como a própria Daniela Mercury descreveu, chegando a demorar três dias para mixar uma única faixa. A produção da maioria das faixas esteve a cargo de Alfredo Moura, conhecido por sua expertise em arranjos elaborados, enquanto a canção "Vide Gal" contou com a produção de Rildo Hora. A vasta instrumentação, com múltiplos instrumentos de percussão, sopros e cordas, contribuiu para a sonoridade densa e rica do álbum. A diversidade de músicos envolvidos, incluindo guitarristas como Pepeu Gomes em "Vide Gal", e uma seção de metais robusta, destaca o investimento em uma produção que buscava excelência e a plena transposição da energia do palco para o estúdio.

Músicas

Feijão com Arroz foi um celeiro de grandes sucessos radiofônicos, produzindo mais hits do que qualquer outro álbum de Daniela Mercury, com exceção de O Canto da Cidade. O destaque inicial foi a canção "À Primeira Vista", de Chico César, que, impulsionada por sua inclusão na trilha sonora da novela O Rei do Gado, tornou-se um fenômeno, alcançando o topo das paradas e se firmando como um dos maiores êxitos da carreira da cantora. Outros singles notáveis incluíram "Nobre Vagabundo", um reggae romântico que se iniciava a cappella; "Rapunzel", parceria de Carlinhos Brown e Alain Tavares, que também se tornou um grande sucesso no Brasil e em Portugal; e "Minas com Bahia", que contou com a participação do vocalista Samuel Rosa, do Skank, e se posicionou entre as vinte músicas mais tocadas. A faixa "Feijão de Corda" também figurou entre os hits, reforçando a diversidade musical e o apelo popular do álbum, que, com quinze faixas, oferecia um repertório variado e envolvente.

Legado

Feijão com Arroz foi um sucesso comercial estrondoso e de impacto duradouro, tornando-se o segundo álbum mais vendido da carreira de Daniela Mercury. No Brasil, ele ultrapassou 800 mil cópias em menos de dois anos, sendo certificado com disco duplo de platina e encerrando 1997 como o quarto álbum físico mais vendido no país. Internacionalmente, o álbum teve um desempenho ainda mais notável em Portugal, onde se tornou o disco brasileiro mais vendido de todos os tempos, com cerca de 250 mil cópias e seis discos de platina. Esse feito abriu definitivamente as portas do mercado musical português para Daniela Mercury, consolidando-a como uma das artistas brasileiras mais populares no país. A capa do álbum, fotografada por Mário Cravo Neto e que mostra a cantora abraçando um modelo negro, foi eleita a melhor da história da música brasileira em uma enquete do Jornal da Globo, superando obras icônicas. Além disso, o álbum recebeu uma avaliação de quatro e meia estrelas no Allmusic, sendo o mais bem cotado da artista na plataforma, o que reflete seu reconhecimento crítico internacional e a importância para a internacionalização da axé music.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção, Arranjo

Alfredo Moura

Vocais

Daniela Mercury

Acordeão

Cícero Assis

Violão

Jorge Simas, Paulinho Dáfilin, Pepeu Gomes, Roberto Mendes

Saxofone Alto

Rowney Scott

Apito, Percussão, Agogô, Repinique

Marcio Victor

Baixo

Cesário Leony, Luciano Calazans, Tony Duarte

Cavaquinho

Wanderson Martins

Clarinete

Pedro Robatto

Congas, Percussão

Gustavo De Dalva

Congas, Surdo, Berimbau

Bastola

Djembe

Marcos Rodrigues, Tony Mola

Bateria

Cesinha, Jean Toulier, Jorge Gomes, João Goes, Ramon Cruz

Flauta

Letieres Leite

Trompa

Renato Costa Pinto

Glockenspiel, Timpani

Oscar Mauchle

Guitarra

Alexandre Vargas, Alexandre Vargas, Cássio Calazans, Roseval Evangelista, Toni Augusto

Teclados

Alfredo Moura

Bandolim

Armando Macedo

Pandeiro, Cuíca, Ganzá

Osvaldinho Da Cuíca

Percussão

Beto Rezende, Hudson, Leonardo Reis, Márcio Brasil

Percussão, Agogô

Ivan Huol

Percussão, Bongôs, Agogô

Orlando Costa

Saxofone

Ubaldo Versolato

Surdo

Cristiano Rodrigues, Junior Vasconcelos, Paulo Vasconcelos

Saxofone Tenor

Mauricio De Souza

Trombone

François De Lima, Sidnei Borgani

Trompete

Heinz K. Schwebel, Nahor Gomes, Walmir De Almeida Gil

Trompete, Flügelhorn

Joatan Nascimento

Referências

Livros