DeFalla

DeFalla

1987

Capa de DeFalla
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

DeFalla, banda formada em Porto Alegre em 1985, destacou-se no cenário do rock nacional por sua constante metamorfose, tanto na formação quanto na estética e sonoridade. Com um repertório que abraça desde new wave e rock and roll até funk rock, rap metal, hard rock e heavy metal, a banda soube reinventar-se, flertando posteriormente com glam rock, big beat, funk carioca, hardcore melódico e miami bass. Essa irreverência e a incessante busca por novas linguagens musicais posicionaram o DeFalla como um grupo singular, desafiando categorizações e mantendo uma imprevisibilidade que se tornou sua marca registrada. Sua trajetória no circuito alternativo, com apresentações marcantes, solidificou sua reputação como uma força criativa e inovadora na música brasileira.

Contexto

Formado em 1985 em Porto Alegre, o DeFalla surgiu com uma proposta que inicialmente alinhava-se a influências do new wave e rock and roll. A formação original, composta por Carlo Pianta no baixo, Edu K nos vocais e guitarra, e Biba Meira na bateria, rapidamente se inseriu no circuito alternativo gaúcho. A banda começou a registrar sua identidade sonora com a participação na coletânea Rock Grande do Sul em 1986. Em um período de intensa e rápida produção, o grupo lançou seus primeiros discos, Papaparty em 1987 e It's Fuckin' Borin' to Death em 1988, pelo selo Plug. Antes da gravação do primeiro álbum, Carlo Pianta deixou o grupo, abrindo espaço para Castor Daudt e Flávio "Flu" Santos, que viriam a solidificar a "formação clássica" da banda.

Gravação

A trajetória fonográfica do DeFalla foi marcada por uma sucessão de lançamentos que refletem suas mutações estilísticas. Após os primeiros trabalhos pelo selo Plug, como Papaparty e It's Fuckin' Borin' to Death, a banda registrou Screw You! ao vivo em 1989 pela Devil Discos, já com mudanças na formação. Em 1990, com uma guinada para o hard rock e heavy metal, gravaram We Give a Shit! (Kickin' Ass for Fun) pela Cogumelo Records, selo notável por lançar bandas como Sepultura. A experimentação continuou no álbum Monstro, lançado em 2016. Neste trabalho, a banda, sob a produção de Edu K e com patrocínio próprio e dos fãs, explorou o estúdio como um instrumento, abraçando um experimentalismo que o grupo autodenominou de pós-prog. Essa abordagem moderna, com doses de referências a bandas dos anos 60 e 70, demonstra a busca incessante do DeFalla por novas sonoridades e técnicas de gravação. Houve também uma fase notável, a "Fire" (por volta de 1996), onde a produção e mixagem de singles e demos foram realizadas em Nova Iorque por Eduardo Marote, com a intenção de um lançamento alternativo em vinil para DJs.

Músicas

As composições do DeFalla refletiram a constante e irreverente mudança de estilos da banda. Em 1992, o álbum Kingzobullshitbackinfulleffect92 apresentou uma inovadora fusão de MPB com rock e funk, incorporando elementos do hip hop. Este disco, por exemplo, revisitou faixas anteriores como "It's Fuckin' Borin' to Death", que ganhou uma versão mais curta para um videoclipe. Em sua fase "Fire", a banda se dedicou a regravações de canções próprias como "Não me Mande Flores", "Screw You!", "Repelente" e "Sodomia", além de covers inusitados que iam de Madonna ("Ray of Light") a Jimi Hendrix ("Fire") e The Stooges ("Raw Power"), evidenciando a amplitude de suas referências. Mais tarde, com o álbum Miami Rock 2000, o grupo alcançou grande visibilidade com a canção "Popozuda Rock'n'Roll", explorando o miami bass, embora tenha gerado críticas de fãs tradicionais pela aproximação da música comercial. Já em Monstro, a banda buscou um estilo pós-prog, marcado por um experimentalismo intenso e o uso do estúdio como ferramenta criativa.

Legado

O impacto do DeFalla no cenário musical brasileiro foi significativo, especialmente pela sua capacidade de influenciar novas gerações de artistas. As apresentações memoráveis no Circo Voador na década de 1990 são frequentemente citadas como momentos cruciais que abriram portas e inspiraram bandas como Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Pato Fu e Planet Hemp. Em termos de reconhecimento crítico, o álbum Kingzobullshitbackinfulleffect92 foi um marco. A Revista Bizz de 1992 o elegeu "Melhor Disco", e a banda recebeu os prêmios de "Melhor Grupo" e "Melhor Letrista e Vocalista" para Edu K, além de posições destacadas para "Melhor Música Nacional" e "Melhor Capa". Esse sucesso impulsionou o DeFalla a participar do renomado Hollywood Rock de 1993, dividindo o palco com atrações nacionais e internacionais de peso. Embora houvesse críticas à fase "Popozuda Rock'n'Roll" pela sua abordagem comercial, a banda continuou a ser uma força relevante, com retornos aos palcos em diversas formações e o lançamento de Monstro, que percorreu o país em turnê. O documentário "Sobre Amanhã" e o livro "Sem Nenhuma Direção: DeFalla, 1987" mais recentemente perpetuam a memória e a análise de seu legado.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Direção Artística]

Miguel Plopschi

Produção Executiva

Reinaldo Barriga

Supervisão [Supervisão de Audio]

João Kibelkstis

Vocais, Guitarra, Piano, Órgão, Scratches, Human Beatbox, Other [Extintor], Effects

Edu K

Baixo, Keyboards [Moog], Piano, Effects

Flávio Santos

Bateria, Keyboards [Moog], Effects

Biba Meira

Guitarra, Violão de 12 Cordas, Piano, Bateria, Vocais de Apoio, Effects

Castor Daudt

Corte [Corte]

José Oswaldo Martins

Mixagem [Técnico de Mixagem]

Walter Lima

Gravação [Técnico de Gravação]

Claudio Coev, Pedro Fontanari Filho, Stelio Carlini, Walter Lima

Arte

Antonio Meira, Antonio Rocha, Defalla

Arte [Cromo Encarte]

Eurico Salis

Coordenação [Production Coordination]

Tadeu Valério

Fotografia

Antonio Meira, Antonio Rocha

Referências

Livros