Di Melo
Di Melo
1975

Porque Merece Estar na Lista
O álbum de estreia de Di Melo, lançado em 14 de janeiro de 1975, é uma obra de rara beleza e complexidade musical que se destaca como um marco da MPB. Este trabalho inaugural do artista recifense consolidou seu estilo único, permeado por ritmos afro-brasileiros, funk e psicodelia, apresentando arranjos sofisticados e letras poéticas. Sua sonoridade original o tornou um disco cultuado desde seu lançamento. Embora tenha sido um álbum com reconhecimento inicial mais discreto, sua singularidade musical e a profundidade de suas composições solidificaram seu status. Hoje, é amplamente reconhecido como uma raridade e é objeto de intensa busca por colecionadores e DJs globais, o que atesta sua atemporalidade e relevância artística. A proposta musical de Di Melo se revelou à frente de seu tempo, com a fusão de elementos diversos que caracterizavam a efervescência criativa da música brasileira da década de 1970.
Contexto
Antes de gravar seu álbum de estreia, Di Melo, natural de Recife, havia se mudado para São Paulo em 1968, onde começou a construir sua trajetória musical tocando em diversos bares da cidade. Foi em um desses locais, o bar Jogral, que sua carreira teve um ponto de inflexão decisivo. Em 1975, após uma de suas apresentações, a renomada cantora Alaíde Costa o apresentou a Moacir Meneghini Machado, que na época ocupava a posição de diretor da gravadora EMI-Odeon. Impressionado com o trabalho de Di Melo, Machado prontamente o contratou para a gravação de seu primeiro disco, dando início à produção de uma obra que se tornaria icônica.
Gravação
A produção do álbum de Di Melo foi notavelmente rápida, sendo finalizada em apenas oito dias, o que demonstra a energia e a clareza da visão artística envolvida. A ficha técnica revela uma colaboração de grandes nomes da música brasileira, como Heraldo do Monte na viola e violão, e Hermeto Pascoal na flauta e teclados, contribuindo para a riqueza instrumental do disco. Geraldo Vespar foi o responsável pelos arranjos, violão, orquestração e regência, enquanto José Briamonte atuou como diretor musical e maestro. Um detalhe marcante na concepção visual do álbum são as fotografias da capa e contracapa, realizadas por Carlos A. Duttweller. Para obter o efeito desejado, as luzes do estúdio foram apagadas e uma luz infravermelha foi acionada, resultando em imagens distintivas que complementam a atmosfera singular da obra.
Legado
O álbum de Di Melo, desde seu lançamento, adquiriu o status de raridade e se tornou um item altamente cobiçado por colecionadores de discos e DJs em todo o mundo. A canção “A vida em seus métodos diz calma” foi incluída na coletânea Blue Brazil 2, lançada em 1997, o que impulsionou uma significativa redescoberta do trabalho do artista. Em 2022, a importância do disco foi reafirmada ao ser eleito um dos 500 maiores discos da música brasileira, em uma votação promovida pelo podcast Discoteca Básica. Além disso, o álbum teve uma breve aparição no videoclipe de “Don't Stop the Party” do grupo Black Ey Peas, evidenciando seu reconhecimento além das fronteiras da MPB.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
José Briamonte
Geraldo Vespar
Osmar Furtado
Zilmar De Araujo
Carlos Duttweller
