A Voz, o Violão, a Música de Djavan

Djavan

1976

Capa de A Voz, o Violão, a Música de Djavan
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1976, "A Voz, o Violão, a Música de Djavan" marca a estreia fonográfica de um dos mais aclamados e originais artistas brasileiros. Este álbum de estreia não apenas introduziu Djavan ao grande público, mas também revelou imediatamente sua assinatura musical inconfundível. Com uma sonoridade que já mesclava samba, baião, jazz e influências afro-brasileiras, o disco se destacou por sua sofisticação melódica e arranjos inovadores, diferenciando-se do que se produzia na MPB da época. O álbum é um verdadeiro compêndio de melodias maravilhosas, onde a musicalidade das letras e o violão inteligente de Djavan se entrelaçam com uma rica interação rítmica entre voz e instrumento. É neste trabalho que surgem clássicos instantâneos como "Flor de Lis" e "Fato Consumado", canções que não só se tornaram grandes sucessos, mas também demonstraram o profundo talento do cantor e compositor para criar obras de beleza singular e apelo universal.

Contexto

Antes de gravar seu primeiro álbum, Djavan Caetano Viana, nascido em Maceió em 1949, trilhou um caminho desafiador. Chegou ao Rio de Janeiro em 1973, aos 23 anos, determinado a firmar-se na cena musical, trabalhando inicialmente como crooner em boates renomadas como Number One e 706. Sua voz começou a ser notada ao gravar trilhas sonoras para telenovelas da Rede Globo, como "Alegre Menina" da novela "Gabriela" (1975), o que o fez conhecido antes mesmo de sua imagem ser veiculada. O divisor de águas veio em 1975, quando conquistou o segundo lugar no "Festival Abertura" da Rede Globo com sua canção autoral "Fato Consumado". Esse reconhecimento foi crucial e abriu as portas para a gravação de seu primeiro LP pela Som Livre.

Gravação

O álbum "A Voz, o Violão, a Música de Djavan" foi gravado no estúdio da EMI-Odeon, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. A produção executiva ficou a cargo de Aloysio de Oliveira, uma figura mítica na música brasileira, conhecido por ter produzido grandes nomes como Carmen Miranda e Tom Jobim. A banda que acompanhou Djavan era composta por músicos talentosos, muitos deles integrantes da banda de Elis Regina, o que garantiu uma execução instrumental de alto nível. Altamiro Carrilho contribuiu com sua flauta e flautim, Edson nos teclados, Helinho na guitarra e Luizão no baixo. Os arranjos foram assinados por Edson Frederico, enquanto a seção rítmica contava com Paulinho na bateria, Ariovaldo Contesini Paulinho nos tambores, e Luna, Hermes e Armando Marçal na percussão. Sergio Seabra foi o responsável pela masterização, e Victor pela mixagem.

Músicas

Todas as doze faixas de "A Voz, o Violão, a Música de Djavan" são composições autorais, demonstrando a precocidade e a prolífica veia criativa do artista. O disco é um primor do samba acústico, permeado por arranjos jazzy e momentos de um funk sutil, resultando em melodias cativantes e um balanço envolvente. Destaques como a melancólica e esperançosa "Flor de Lis", o samba sacudido de "Na Boca do Beco", o quebra-queixo "Pára-raio", a autobiográfica "E Que Deus Ajude" e a sofisticadíssima "Magia", com seu toque afro-jazzístico, revelam a amplitude e a originalidade de Djavan. As letras e a sonoridade musical exploram de forma inteligente a fusão do samba e do baião, evidenciando a "musicalidade" como foco principal do artista, independentemente da compreensão literal das letras.

Legado

A recepção crítica a "A Voz, o Violão, a Música de Djavan" foi amplamente positiva, estabelecendo-o imediatamente como um dos compositores e cantores de destaque na música brasileira. Alvaro Neder, em sua avaliação para a Allmusic, concedeu ao álbum 4.5 de 5 estrelas, elogiando as "maravilhosas melodias", a "sonoridade musical" e a "rica interação rítmica entre voz e violão". O disco é considerado um dos marcos na música brasileira do período pós-bossa nova. O sucesso do álbum solidificou a carreira de Djavan, levando-o a assinar contrato com a EMI-Odeon para seus trabalhos seguintes. A longevidade e a importância de "A Voz, o Violão, a Música de Djavan" são atestadas pelas diversas reedições ao longo dos anos, incluindo uma edição especial em CD em 1991, intitulada "Flor de Lis", para promover sua carreira internacional, e outra remasterizada em 2001. Em 2011, o álbum foi relançado em vinil de 180g com sua capa original, reafirmando seu status de obra-prima e a perene influência sobre a MPB.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Edson Frederico

Produção Executiva

Aloysio De Oliveira

Produção

Guto Graça Mello

Violão

Djavan

Baixo

Luizão

Bateria

Paulinho Braga

Guitarra

Hélio Delmiro

Flauta, Piccolo Flute

Altamiro Carrilho

Teclados

Edson Frederico

Percussão

Hermes Contesini, Luna, Nilton Delfino Marçal

Artes Gráficas

Joel Cocchiararo

Layout

Cesar G. Villela

Fotografia

Francisco Pereira

Referências

Livros