Alumbramento

Djavan

1980

Capa de Alumbramento
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Alumbramento, lançado em 1980, marca um ponto de virada crucial na discografia de Djavan, consolidando sua identidade musical singular no cenário da MPB. Diferente dos trabalhos anteriores, este álbum mergulha em uma sonoridade mais introspectiva e, por vezes, melancólica, mas sem abrir mão do lirismo e da inventividade harmônica que se tornariam suas marcas registradas. É neste disco que Djavan experimenta com maior profundidade a fusão de samba, jazz e elementos regionais, criando arranjos sofisticados e letras que beiram o poético e o, por vezes, enigmático. O álbum é particularmente notável pelas parcerias que Djavan estabeleceu com alguns dos mais proeminentes letristas da música brasileira, um aspecto que, curiosamente, se tornaria menos frequente em seus discos seguintes. Essa abertura colaborativa permitiu ao artista expandir seu universo poético e musical, ao mesmo tempo em que presenteou o público com composições que se tornariam clássicos atemporais, como "Meu Bem Querer".

Contexto

Antes de Alumbramento, Djavan já havia lançado dois álbuns: A Voz, O Violão, A Música de Djavan (1976) e Djavan (1978), este último também conhecido como Cara de Índio. Ele havia se mudado para o Rio de Janeiro em 1973, onde se apresentou em boates e começou a compor para trilhas sonoras de telenovelas, ganhando reconhecimento com a canção "Fato Consumado" em um festival de música. Em seus primeiros trabalhos, Djavan explorava sambas modernos com uma clara influência da bossa nova. Com Alumbramento, o artista iniciava uma fase de maior amadurecimento e experimentação, buscando novas texturas e complexidades harmônicas, enquanto se aprofundava em temas mais emocionais e reflexivos, distanciando-se um pouco do repertório mais regional presente em seu álbum anterior.

Gravação

Alumbramento foi lançado pela EMI-Odeon em 1980, contando com a direção de produção de Mariozinho Rocha e produção executiva de Eduardo Souto Neto. A gravação do álbum envolveu uma equipe talentosa de músicos e arranjadores, incluindo o próprio Djavan, Eduardo Souto Neto e Luiz Avellar nos arranjos. A instrumentação é rica e variada, com a presença de violino, viola de arco, flauta, saxofone (com nomes como Léo Gandelman e Victor Assis Brasil), trombone, trompete, baixo elétrico (Sizão Machado), bateria, piano (Luiz Avellar), piano elétrico e percussão (Chico Batera). Embora algumas críticas iniciais apontem para uma certa rigidez na sonoridade em comparação com álbuns posteriores, a produção soube equilibrar baladas mais elaboradas com arranjos de cordas e canções pop com toques de fusion, elementos que já antecipavam a sofisticação que se tornaria a marca registrada de Djavan.

Músicas

O repertório de Alumbramento é um dos mais ricos da carreira de Djavan, impulsionado por parcerias que raramente se repetiriam em tal escala. Destacam-se "Meu Bem Querer", uma balada romântica autoral que se tornou um de seus maiores sucessos e um clássico instantâneo da MPB, figurando na trilha sonora da novela "Coração Alado". Outras colaborações notáveis incluem "Lambada de Serpente", uma delicada e melancólica composição com o poeta Cacaso. A veia sambista de Djavan se manifesta no "samba vigoroso" de "Tem Boi Na Linha", composta com Aldir Blanc e Paulo Emílio. O álbum também apresenta a belíssima "A Rosa", uma composição de Chico Buarque, e a faixa-título "Alumbramento", fruto de outra significativa parceria com Chico Buarque, onde a letra parece mergulhar no universo do próprio Djavan e na descoberta de uma relação mais aberta com a música brasileira. A canção "Sururu de Capote", um samba característico do trabalho de Djavan, viria a batizar a banda que o acompanharia em seus shows, sublinhando sua importância musical.

Legado

Alumbramento foi recebido de forma positiva pela crítica especializada, com Alvaro Neder do AllMusic concedendo ao álbum 4 de 5 estrelas e classificando-o como "excelente", elogiando faixas como "Tem Boi Na Linha" e "Sim Ou Não". A recepção calorosa do público foi impulsionada pelo sucesso massivo de "Meu Bem Querer", que rapidamente se estabeleceu como um dos grandes clássicos do cancioneiro brasileiro, consolidando Djavan como um dos nomes mais relevantes da MPB. O álbum é frequentemente apontado como um dos mais substanciais de sua discografia, marcando o início de um período de experimentação e aprofundamento harmônico que viria a definir seu estilo. Embora as vendas específicas de Alumbramento não sejam publicamente detalhadas como em trabalhos posteriores, sua contínua reedição em diferentes formatos, incluindo CDs remasterizados, atesta seu valor duradouro e a constante demanda por essa obra fundamental do artista alagoano.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção Executiva

Eduardo Souto Neto

Produção [Direção De Produção]

Mariozinho Rocha

Flauta

Copinha, Jayme Araújo, Jorginho da Flauta, Ricardo Pontes

Trompa

Zdenek Svab

Saxofone

Leo Gandelman, Mauro Senise, Victor Assis Brasil

Trombone

Serginho Do Trombone

Trompete

Bidinho, Paulinho Trompete

Viola

Arlindo Penteado, Frederick Stephany, Murilo Da Silva Loures, Nathercia Teixeira

Violino

Adolpho Pissarenko, Alfredo Vidal, Carlos Eduardo Hack, Jorge Faini, José Alves Da Silva, José Dias De Lana, Otávio Miranda Ilha, Robert Arnaud, Salvador Piersanti, Walter Hack

Violino [Spalla]

GianCarlo Pareschi

Corte

Osmar Furtado

Mixagem

Franklin Garrido, Nivaldo Duarte

Gravação

Guilherme Reis, Mairton, Toninho

Capa

Noguchi

Design Gráfico

Tadeu Valério

Fotografia

Fernando Carvalho

Referências

Livros