Djavan (1978)

Djavan

1978

Capa de Djavan (1978)
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Porque Merece Estar na Lista

O álbum Djavan, lançado em 1978, representa um marco fundamental na discografia do artista e na música brasileira, consolidando a imagem de Djavan não apenas como um promissor sambista, mas como um compositor de vasto alcance e um artista completo. Se o disco de estreia, A Voz, o Violão, a Música de Djavan (1976), apresentou seu talento de forma surpreendente, este segundo trabalho veio para ser a serena e definitiva confirmação de sua genialidade. Com uma ampliação estética notável, o álbum se destaca por sua sonoridade sofisticada e pela fusão de diferentes estilos musicais. Nele, Djavan mescla com maestria elementos do samba, jazz, blues, pop e música africana, criando uma linguagem musical singular que se tornaria sua marca registrada. Esta versatilidade e a originalidade de suas composições são características essenciais que tornam o álbum uma obra de escuta obrigatória para entender a evolução da MPB.

Contexto

Antes do lançamento de seu álbum homônimo de 1978, Djavan já havia dado os primeiros passos em sua carreira musical, que o levou do cenário alagoano ao Rio de Janeiro. Após uma breve incursão no futebol, ele se dedicou à música, atuando como crooner em boates cariocas. Sua voz agradável o levou a gravar trilhas sonoras para novelas da TV Globo, interpretando canções de outros compositores. Em 1975, sua autoria ganhou destaque com a música "Fato Consumado", classificada em segundo lugar no Festival "Abertura" da Rede Globo. O sucesso de "Flor de Lis" em seu primeiro álbum, A Voz, o Violão, a Música de Djavan (1976), abriu caminho para que o álbum de 1978 chegasse ao mercado com grande expectativa e significativo investimento da gravadora EMI-Odeon, que apostou pesado no novo artista.

Gravação

O álbum Djavan foi gravado em 1977 e lançado em dezembro de 1978 pela gravadora EMI-Odeon. A produção ficou a cargo de Mariozinho Rocha e Eduardo Souto Neto, que também atuou como um dos arranjadores. A gravação contou com uma equipe de músicos de alto calibre, que contribuíram para a riqueza sonora do trabalho. Entre os instrumentistas, destacam-se Luizão Maia no baixo elétrico, Ary Piassarollo na guitarra e violão de 12 cordas, Hermes Contesini na percussão, e o próprio Djavan nos violões, craviola, percussão e vocal. A participação de arranjadores do porte de Dori Caymmi, Eduardo Souto Neto e Gilson Peranzzetta, além de uma orquestra completa, demonstra o grande investimento e a ambição estética do projeto.

Músicas

As 11 faixas do álbum Djavan, todas de autoria do cantor, revelam a profundidade e a versatilidade de suas composições. Canções como "Serrado" e "Numa Esquina de Hanói" evidenciam a originalidade musical e temática de Djavan, enquanto "Nereci" traz um marcante toque afro em suas quebras de samba. A lírica das canções frequentemente explora temas como amor, natureza e o cotidiano, com uma linguagem poética e sofisticada. Destacam-se também "Cara de Índio", que integrou a trilha sonora da telenovela Aritana em 1978, e "Álibi", uma canção de intensa expressividade.

Legado

O álbum Djavan foi amplamente aclamado pela crítica, sedimentando a reputação de Djavan como um dos principais nomes da MPB e um compositor completo. A revista AllMusic concedeu ao álbum 4 de 5 estrelas, enquanto o site Notas Musicais o avaliou com 4.5 de 5 estrelas, elogiando seu leque rítmico diversificado e a fusão de samba, balada, blues, música africana e jazz com um toque personalíssimo. Diversas canções do álbum ganharam grande repercussão. "Álibi" se tornou um enorme sucesso na voz de Maria Bethânia, que gravou a canção em seu disco homônimo de 1978. "Serrado" ganhou um videoclipe exibido no programa Fantástico da TV Globo em 1979. Outras faixas como "Dupla Traição" foram regravadas por Nana Caymmi, e "Samba Dobrado" foi interpretada ao vivo por Elis Regina. A canção "Água" teve sua versão em italiano gravada pela cantora Loredana Bertè em 1985, alcançando o top 40 na Itália. O sucesso e a recepção positiva do álbum confirmaram que Djavan havia chegado para ficar no cenário musical brasileiro.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Djavan, Eduardo Souto Neto

Regência

Dori Caymmi

Produção Executiva

Eduardo Souto Neto

Orquestração

Dori Caymmi, Gilson Peranzzetta

Orquestração, Regência

Eduardo Souto Neto

Produção

Mariozinho Rocha

Composição, Vocais, Violão

Djavan

Vocais de Apoio

Marizinha, Regina Correia José Maria, Roberto Ribeiro, Valdir Siqueira Da Silva

Participação Especial, Vocais

Marizinha

Acordeão

Dominguinhos

Baixo

Luizão

Violoncelo

Alceu De Almeida Reis, Atelisa De Salles, Iberê Gomes Grosso, Marcio Mallard

Bateria

Nelson Serra De Castro, Paulinho Braga, Picolé

Piano Elétrico

Gilson Peranzzetta

Flauta [C]

Copinha, Danilo Caymmi, Jayme Araújo, Jorge Ferreira Da Silva, Mauro Senise

Guitarra

Ary Piassarollo, Hélio Delmiro

Percussão

Dazinho, Djavan, Hermes Contesini, Marku, Nelson Serra De Castro, Paulinho Braga

Piano

Eduardo Souto Neto, Gilson Peranzzetta

Sintetizador [Oberhein]

Eduardo Souto Neto

Saxofone Tenor

Luizinho

Trombone

Sylvio Barbosa, Walter Batista Azevedo

Trompete

Geraldo Pereira Mello, Zdenek Svab

Violão de 12 Cordas

Ary Piassarollo

Violão de 12 Cordas [Craviola]

Djavan

Vibrafone

Jotinha Moraes

Viola

Arlindo Penteado, Frederick Stephany, Murilo Da Silva Loures, Nathercia Teixeira

Violino

Adolpho Pissarenko, Alfredo Vidal, Andrea Osório, Carlos Eduardo Hack, GianCarlo Pareschi, Iura Ranevsky, Jorge Faini, José Alves Da Silva, José Dias De Lana, Octávio Miranda Ilha, Robert Arnaud, Salvador Piersanti, Walter Hack

Engenheiro de Som [Mixing]

Nivaldo Duarte, Sérgio Bittencourt

Engenheiro de Som [Recording]

Franklin Garrido, Nivaldo Duarte, Toninho

Corte

Osmar Furtado

Capa

Noguchi

Fotografia

Fernando Carvalho

Referências