O Menino Que Queria Ser Deus

Djonga e Coyote Beatz

2018

Capa de O Menino Que Queria Ser Deus
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 2018, O Menino Que Queria Ser Deus é o segundo álbum de estúdio do rapper mineiro Djonga, que solidificou sua posição como um dos nomes mais influentes do rap nacional contemporâneo. O disco se destaca por sua linguagem direta, repleta de *punchlines* contundentes e versos "gritados" que confrontam as complexidades da vida pessoal do artista e questões sociais e raciais urgentes. É um trabalho que não apenas expõe as contradições e angústias de um jovem negro periférico, mas também celebra a riqueza de sua cultura e a legitimidade de suas lutas, oferecendo uma mensagem de esperança e superação. O título do álbum, em si, é uma provocação e uma declaração de intenções, refletindo a ambição de Djonga em criar e manipular a realidade através de sua arte, como um criador. Ele expressa o desejo de ser o melhor em tudo o que se propõe a fazer, transcendo as expectativas e os limites impostos. O álbum marca um amadurecimento significativo em sua sonoridade e lírica, expandindo os domínios artísticos de Djonga e consolidando sua voz potente no cenário musical brasileiro.

Contexto

Gustavo Pereira Marques, conhecido como Djonga, emergiu da Favela do Índio e cresceu nos bairros São Lucas e Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Sua formação musical foi eclética, absorvendo influências que iam de Milton Nascimento e Racionais MC's a Cazuza e Mano Brown, o que moldou sua identidade artística multifacetada. Antes de O Menino Que Queria Ser Deus, Djonga já havia causado impacto com o EP "Fechando o Corpo" (2015) e, principalmente, com seu aclamado álbum de estreia "Heresia" (2017), que figurou entre os melhores lançamentos de rap nacional do ano. "Heresia" estabeleceu seu estilo agressivo, porém verdadeiro, sem receio de expor a realidade com uma linguagem informal. Em 2018, no ano de lançamento de O Menino Que Queria Ser Deus, Djonga já desfrutava de grande reconhecimento, com a faixa "Olho de Tigre" se tornando um hino de resistência negra, o que adicionou pressão e expectativas em torno de seu novo trabalho.

Gravação

O álbum O Menino Que Queria Ser Deus foi majoritariamente gravado no Nebula Records, contando com a produção musical de CoyoteBeats, parceiro de longa data de Djonga, e produção executiva da Ceia Ent. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Arthur Luna, que já colaborou em outros projetos do rapper. Coyote Beatz, um DJ e produtor de Belo Horizonte, é conhecido por seu estilo que mescla boom bap e trap, incorporando uma vasta gama de referências musicais como funk, soul, rock progressivo, jazz e blues. Ele frequentemente utiliza equipamentos analógicos, como toca-discos e mixers, e começou sua jornada criando beats para vídeos de skate. A colaboração com Djonga em quase todas as faixas do álbum destaca a sinergia entre os artistas e a importância da produção para a sonoridade característica do disco. Djonga também é creditado como coprodutor em todas as faixas.

Músicas

Composto por dez faixas, o álbum apresenta participações de artistas renomados como Sant, Karol Conká, Hot, Sidoka e Paige. As letras exploram temas como a ascensão social, a autoestima negra, os desafios do racismo estrutural e as contradições pessoais do rapper, que se aprofundam na complexidade de sua identidade e vivências. A faixa de abertura, "Atípico", serve como uma ponte com seu trabalho anterior e reflete sobre o custo da fama. Um dos destaques é "Junho de 94", uma canção profundamente pessoal que aborda a trajetória de Djonga, seus erros e a responsabilidade de seu "papo reto". O clipe de "Junho de 94" é visualmente impactante, mostrando Djonga com uma corda no pescoço, simbolizando a escravidão e o genocídio da população negra, enquanto o refrão ecoa a busca por poder e reconhecimento em meio à marginalização. Já "CORRA", com Paige, confronta o racismo estrutural, a violência policial e a criminalização da juventude negra, com um videoclipe inspirado no filme *Corra!* e referências visuais aos Panteras Negras. "Canção Pro Meu Filho" é uma homenagem delicada ao seu filho, Jorge, permeada por referências familiares e religiosas. A faixa "1010" faz uma citação direta a Tupac Shakur, utilizando um trecho de uma carta que o rapper escreveu para Madonna, e ressignifica a periferia como um espaço de potência e resistência.

Legado

O Menino Que Queria Ser Deus foi amplamente aclamado pela crítica, sendo eleito o 6º melhor disco brasileiro de 2018 pela prestigiada revista Rolling Stone Brasil e um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre de 2018 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Este álbum não apenas solidificou Djonga como um dos nomes mais influentes do rap e trap contemporâneos no Brasil, mas também demonstrou um notável amadurecimento artístico em relação ao seu trabalho anterior, "Heresia". A capacidade de Djonga de conectar suas experiências pessoais a temas universais de luta e resistência social e racial ressoou profundamente com o público e a crítica, estabelecendo-o como uma voz essencial para as comunidades marginalizadas. Sua lírica afiada e a coragem em abordar questões sensíveis continuam a inspirar outros artistas, como o rapper OongeoBáwka, que citou "Junho de 94" como uma grande influência em sua própria obra.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Coprodução

Djonga

Produção

Coyote Beatzz, DJ Cost, El Lif Beatz

Masterização

Coyote Beatzz

Mixagem

Arthur Luna

Arte

Alvaro Benevente

Fotografia

Marcelo 1993agosto Moraes

Referências

Livros