Domingo Menino Dominguinhos

Dominguinhos

1976

Capa de Domingo Menino Dominguinhos
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Domingo Menino Dominguinhos, lançado em 1976, é um álbum seminal na discografia de Dominguinhos e na música brasileira, marcando o momento em que o artista consolidou uma voz autoral e original. Embora sempre reconhecido como o principal herdeiro musical de Luiz Gonzaga, este trabalho o elevou para além da figura de discípulo, revelando uma capacidade ímpar de integrar a riqueza da música nordestina com influências diversas da MPB. O disco se destaca por expandir as fronteiras do forró, incorporando elementos do jazz, bossa nova e pop, criando um estilo único e sofisticado. A sanfona de Dominguinhos, nesse álbum, não apenas executa os ritmos tradicionais do Nordeste, mas também dialoga com arranjos complexos e sonoridades urbanas, apresentando um trabalho de instrumentista virtuoso e um compositor de sensibilidade aguçada.

Contexto

Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 1941, José Domingos de Morais, o Dominguinhos, teve uma infância humilde e começou a tocar acordeon muito cedo. Sua trajetória profissional teve um impulso decisivo ao conhecer Luiz Gonzaga em 1950, que o convidou a ir para o Rio de Janeiro. Em 1954, aos 13 anos, Dominguinhos mudou-se para a capital fluminense, onde continuou a aprimorar sua técnica e a ter contato com músicos do movimento da Bossa Nova. Antes de Domingo Menino Dominguinhos, o artista já havia lançado alguns álbuns, mas foi a partir de 1975, com O Forró de Dominguinhos, que ele iniciou um processo de modernização e universalização de sua linguagem musical. O álbum de 1976 também solidificou sua importante parceria com Anastácia, uma das maiores compositoras da música brasileira, com quem Dominguinhos desenvolveu mais de 200 composições e que foi crucial para a projeção nacional de suas canções.

Gravação

O álbum Domingo Menino Dominguinhos foi gravado no estúdio Phonogram, utilizando oito canais, uma tecnologia que permitiu uma riqueza de detalhes e camadas sonoras para a época. A direção de produção ficou a cargo de Perinho Albuquerque, com Dominguinhos e Gilberto Gil responsáveis pelos arranjos de base, e Perinho Albuquerque e Wagner Tiso pelos arranjos de cordas. A ficha técnica do disco é um verdadeiro time de estrelas da música brasileira. Além do próprio Dominguinhos no acordeon, o álbum contou com Gilberto Gil no violão, Toninho Horta na guitarra, Wagner Tiso no piano elétrico, Moacyr Albuquerque no baixo, e uma bateria com Paulinho Braga, Enéas Costa, Pascoal e Chiquinho Azevedo. A percussão foi enriquecida por Jackson do Pandeiro, Tinda e Cícero, enquanto os vocais tiveram Denise, Claudinha, Evinha, Mariseinha e Regina. Os técnicos de gravação foram Luiz Cláudio e João Moreira.

Músicas

O repertório de Domingo Menino Dominguinhos é composto por 12 faixas, com dez delas assinadas por Dominguinhos, sendo nove em parceria com Anastácia. A colaboração entre os dois é evidente em canções como "Quero um Xamego", "O Babulina", "Destino Traquino", "Tenho Sede" e "Veja", que mostram a habilidade da dupla em abordar temas afetivos com uma delicadeza singular dentro do universo forrozeiro. Duas faixas se destacam por sua particularidade. "Baião Violado", uma composição instrumental solo de Dominguinhos, é um exemplo notável de forró-jazz, onde o artista, Toninho Horta e Wagner Tiso se revezam em improvisos impressionantes, elevando o baião a um patamar de universalidade. Outra peça instrumental, "Gracioso", é uma regravação do tema de Altamiro Carrilho, onde Dominguinhos funde o baião com o choro, demonstrando sua versatilidade e o domínio de diferentes gêneros musicais.

Legado

Domingo Menino Dominguinhos é amplamente considerado uma obra-prima e um clássico da música brasileira. O álbum foi crucial para estabelecer Dominguinhos como um dos maiores sanfoneiros e compositores do Brasil, indo além do legado de Luiz Gonzaga e derrubando as fronteiras musicais do Nordeste para o mundo. Embora tenha sido lançado originalmente pela Philips/Phonogram em 1976 e, infelizmente, tenha ficado fora de catálogo por um tempo, o disco teve reedições em CD no Japão, o que atesta sua importância e busca por colecionadores e amantes da música. É frequentemente listado entre os melhores álbuns de Dominguinhos em plataformas especializadas e continua a ser uma referência e fonte de influência para novas gerações de músicos, como evidenciado por artistas como Mestrinho que o citam como um álbum fundamental em sua formação musical.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo [Base]

Dominguinhos, Gilberto Gil

Arranjo [Strings]

Perinho Albuquerque, Wagner Tiso

Arranjo [Vocals], Arranged By [Flute], Arranged By [Orchestra]

Perinho Albuquerque

Produção

Perinho Albuquerque

Acordeão

Dominguinhos

Violão

Gilberto Gil

Baixo

Moacyr Albuquerque

Bateria

Chiquinho Azevedo, Enéas Costa, Pascoal Meirelles, Paulinho Braga

Piano Elétrico

Wagner Tiso

Guitarra

Toninho Horta

Percussão

Chiquinho Azevedo, Cícero, Jackson Do Pandeiro, Tinda

Corte

Joaquim Figueira

Mixagem

Jairo Gualberto

Gravação

João Moreira, Luis Cláudio Coutinho

Arte

Jorge Vianna, José Paulo

Capa

Aldo Luiz

Layout

Lobianco

Fotografia

José Melo

Referências