Samba Minha Verdade, Minha Raiz
Dona Ivone Lara
1978

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1978, Samba Minha Verdade, Minha Raiz marca a estreia fonográfica solo de Dona Ivone Lara, consolidando-a como uma voz essencial e uma das maiores compositoras do samba brasileiro. Aos 56 anos, já reverenciada no universo do samba, a artista apresentou um trabalho que é um manifesto de sua identidade e da profundidade de sua conexão com o gênero. O álbum transcende a mera coleção de canções, funcionando como uma carta de princípios nobres de uma sambista que abriu caminhos para as mulheres em um ambiente predominantemente masculino. Ele demonstra a capacidade de Dona Ivone Lara em mesclar o lirismo do samba-canção com a autenticidade e a força do partido alto e do samba de terreiro, revelando uma obra de rara beleza e emoção. É um registro que celebra a pureza e a força do samba de raiz, expressando a devoção de Dona Ivone à beleza desse gênero que pautou toda a sua trajetória. A delicadeza de sua interpretação e a profundidade de suas composições solidificam o lugar de Dona Ivone Lara como uma figura ímpar da música popular brasileira.
Contexto
Antes de gravar seu primeiro álbum solo, Dona Ivone Lara já possuía uma longa e respeitada carreira como compositora. Em 1965, ela fez história ao se tornar a primeira mulher a integrar a ala de compositores da tradicional escola de samba Império Serrano, coassinando o samba-enredo "Os cinco bailes da história do Rio", que garantiu o vice-campeonato do Carnaval carioca naquele ano. Paralelamente à sua paixão pelo samba, Yvonne Lara da Costa, seu nome de batismo, dedicou-se por 37 anos a outras profissões: enfermeira e assistente social. Somente após se aposentar em 1977, ela passou a se dedicar integralmente à sua vocação musical. O ano de 1978 foi particularmente significativo, pois foi quando conheceu Délcio Carvalho, que se tornaria seu grande parceiro musical, com quem comporia obras que se eternizariam no cancioneiro brasileiro.
Gravação
O álbum Samba Minha Verdade, Minha Raiz foi produzido por Adelzon Alves e lançado pela gravadora EMI-Odeon em maio de 1978. A produção de Renato Correa também é creditada em algumas faixas, como na canção "Minha Verdade". A capa do disco é um elemento que reforça a proposta do trabalho: Dona Ivone Lara aparece em destaque, cercada por homens de aparência simples, mas de grande reputação no universo do samba, enfatizando sua posição como uma "sambista de raiz" e mulher respeitada entre os bambas. Essa imagem é perfeitamente coerente com o conteúdo musical apresentado, um samba de primeira linha, criado por uma grande poeta.
Músicas
Composto por 12 faixas, o álbum é uma celebração do samba em suas diversas matizes. Abre com "Minha Verdade", uma parceria de Dona Ivone Lara com Délcio Carvalho, já apresentada em disco dois anos antes na voz de Elizeth Cardoso. A parceria com Délcio Carvalho se destaca em várias composições líricas do disco, como as belas e então inéditas "Aprendi a Sofrer", "Espelho da Vida" e "Nas Sombras da Vida". A faixa-título "Samba, Minha Raiz", também composta com Délcio Carvalho, é um dos pontos altos do álbum. Sua letra descreve o samba não apenas como um estilo musical, mas como uma força vital capaz de transformar a tristeza em alegria e unir as pessoas em torno de uma identidade compartilhada. Os versos "O samba é minha raiz, minha herança e meu viver" reforçam o sentimento de pertencimento e a importância do samba na trajetória e identidade da artista. O repertório equilibra sambas líricos com partidos altos e sambas de terreiro, evidenciando a versatilidade e a profundidade da obra de Dona Ivone Lara. Dentre as faixas, também se destacam "Em Cada Canto Uma Esperança" e "Quando a Maré", um samba de linhagem portelense cantado em dueto com Alcides.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Marcelo Fróes
Roberto Ribeiro
Miltinho
Wilson das Neves
Sônia Antunes
Alexandre Sarthou, Luiz Garcia, Mauricio Dias, Zenir Kunz
Luigi Hoffer
Rafael Ayres, Ricardo Leite
João Marcelo
