Gostoso É Sambar
Dóris Monteiro
1963

Porque Merece Estar na Lista
Gostoso É Sambar se destaca como uma obra representativa do sambalanço, um gênero musical que floresceu no Brasil entre as décadas de 1950 e 1960, refletindo as transformações culturais da urbanização pós-Segunda Guerra Mundial. Este estilo, derivado do samba, integrou com maestria elementos do jazz estadunidense e de ritmos caribenhos, resultando em uma sonoridade vibrante, intensamente ritmada e propícia à dança. O álbum, imerso nas características do sambalanço, oferece uma experiência auditiva marcada pelo uso de órgãos e teclados elétricos que ditam o ritmo, além de instrumentos de sopro com uma forte inclinação percussiva. Suas faixas, com temáticas urbanas e letras quase sempre bem-humoradas e extrovertidas, utilizam onomatopeias como "esquindô", "teleco-teco" e "ziriguidum" para expressar o suingue contagiante. Embora o sambalanço tenha, por vezes, permanecido à sombra da bossa nova, este trabalho de Dóris Monteiro é um testemunho da riqueza e da vitalidade de uma vertente musical essencialmente brasileira.
Contexto
O surgimento do sambalanço, e a ambientação para obras como Gostoso É Sambar, está intrinsecamente ligado à efervescência cultural e às profundas mudanças sociais que o Brasil vivenciou após a Segunda Guerra Mundial. A crescente urbanização do país, particularmente nas metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro, alterou o panorama da produção e consumo musical, demandando novas sonoridades que pudessem animar as pistas de dança das boates. Nesse cenário de inovações, o sambalanço emergiu no início da década de 1950, buscando conferir maior impacto rítmico e uma nova estrutura instrumental ao samba tradicional. Ele se consolidou como uma resposta musical à necessidade de um ritmo mais dinâmico e dançante, com influências claras do jazz, adaptando o samba para a evolução dos pares de dançarinos nas pistas da época.
Músicas
As canções presentes em Gostoso É Sambar exibem a linguagem musical característica do sambalanço, gênero que se distingue pela utilização marcante de órgãos e teclados elétricos precursores, como o Sonovox, na condução rítmica. A instrumentação de sopro também assume um papel crucial, com uma marcação acentuada e uma inclinação percussiva, por vezes denotando influências de ritmos caribenhos. A lírica do álbum, fiel à temática do sambalanço, explora o cotidiano urbano com letras predominantemente extrovertidas e bem-humoradas. Uma particularidade notável das composições é o uso frequente de onomatopeias, como "esquindô", "teleco-teco" ou "ziriguidum", que servem para evocar e realçar o balanço e o suingue contagiante do ritmo. As faixas também podem conter incursões em temas que remetem ao samba-exaltação, diversificando o escopo lírico sem perder a leveza e a energia.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Armando Pittigliani
Dóris Monteiro
Walter Wanderley
Paulo Breves
Mafra
