Sambas de Caymmi

Dorival Caymmi

1955

Capa de Sambas de Caymmi
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Sambas de Caymmi, lançado em 1955, é um trabalho seminal que solidificou a imagem de Dorival Caymmi como um dos maiores cronistas da alma brasileira. Através de suas composições, o álbum pinta um painel vibrante da Bahia, de seu povo, de seu mar e de seus costumes, capturando a essência de sua cultura afro-brasileira e do cotidiano dos pescadores e das mulheres de Salvador. Este disco é uma peça fundamental para compreender a evolução da Música Popular Brasileira (MPB), exibindo a modernidade autoral de Caymmi que já se delineava desde a segunda metade da década de 1940. Nele, a simplicidade melódica e lírica do artista se mescla a uma sofisticação sutil, marcando sua contribuição única ao samba e à canção. O álbum é um testemunho da capacidade de Caymmi de transitar entre o brejeiro e o místico, o carioca e o baiano, sem perder a autenticidade de sua voz, que se tornaria uma referência inquestionável para gerações futuras de músicos brasileiros.

Contexto

O lançamento de Sambas de Caymmi em 1955 ocorreu em um período de efervescência para o mercado fonográfico brasileiro, com a consolidação dos LPs de dez polegadas, que começaram a revolucionar a forma como a música era consumida. Este foi o segundo álbum de Caymmi neste formato, sucedendo Canções Praieiras, de 1954. Àquela altura, Dorival Caymmi já era um nome estabelecido na música brasileira, com uma carreira que se iniciara nos anos 1930 e o levara a compor sucessos eternizados por nomes como Carmen Miranda. Em 1952, ele havia retornado à gravadora Odeon, selo pelo qual lançaria Sambas de Caymmi, depois de passagens pela Continental e pela RCA-Victor.

Gravação

O álbum Sambas de Caymmi foi gravado e lançado pela Odeon em 1955, no formato de LP de dez polegadas, contendo oito faixas. A produção musical contou com os arranjos do pianista, arranjador e maestro paulistano Luiz Arruda Paes. Paes empregou cordas na maioria dos arranjos e incluiu a participação de um conjunto vocal não creditado na contracapa do LP, que era o Titulares do Ritmo. Embora um crítico tenha apontado os arranjos como "em sua maioria um tanto melosos e contidos", a instrumentação orquestral marcou uma direção para a MPB, servindo de base para o que viria a ser o estilo orquestral mais elaborado das décadas seguintes.

Músicas

O repertório de Sambas de Caymmi é composto por oito faixas, com todas as canções escritas por Dorival Caymmi, exceto "Sábado em Copacabana" e "Não tem Solução", que foram parcerias com Carlos Guinle. As canções incluem clássicos como "Só Louco", "Nunca Mais", "Rosa Morena", "Requebre que eu dou um doce", "Vestido de Bolero" e "A Vizinha do Lado". O lado A do álbum apresenta quatro exemplares refinados do gênero samba-canção, nos quais Caymmi demonstra sua maestria em depurar o estilo, eliminando os excessos melodramáticos sem esquivar-se dos temas de desilusão amorosa. Já o lado B transita para a animação de temas mais "buliçosos" e "brejeiros", revelando a versatilidade do compositor e sua capacidade de evocar diferentes atmosferas com o samba.

Legado

Sambas de Caymmi, embora não tenha tido uma recepção crítica detalhadamente documentada na época, firmou-se como um marco na discografia de Dorival Caymmi e na música brasileira. Sua relevância foi reafirmada em 2022, quando uma enquete com 162 especialistas musicais, conduzida pelo podcast Discoteca Básica, classificou o álbum na 340ª posição entre os 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos. O álbum foi relançado em CD no ano 2000, permitindo que novas gerações tivessem acesso a este trabalho fundamental. A obra de Caymmi como um todo, da qual este álbum é parte integrante, é amplamente reconhecida por ter pavimentado o caminho para a Bossa Nova e por sua influência em uma vasta gama de artistas, incluindo Antônio Carlos Jobim, que o descreveu como um "gênio universal" e o maior compositor do Brasil. O estilo de Caymmi, com seu "coloquialismo suave e romântico", como elogiado por Carlos Lyra, e sua capacidade de "arquitetar o mundo" com sua guitarra, conforme Jobim, continua a inspirar nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Beth Carvalho, que o citam como uma influência significativa.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Luiz Arruda Paes

Referências

Livros