Edu
Edu Lobo
1967

Porque Merece Estar na Lista
O álbum "Edu", lançado em 1967 pela Philips, é um marco na discografia de Edu Lobo e na evolução da Música Popular Brasileira. Distinguindo-se de trabalhos anteriores, este disco solidifica a transição do artista da pureza da bossa nova para uma sonoridade mais rica e engajada, incorporando elementos da cultura e dos ritmos regionais brasileiros. É um trabalho que reflete a efervescência criativa e a busca por novas expressões musicais que caracterizaram o período. Edu Lobo, já reconhecido por sua sofisticação harmônica e melódica, expande seu universo musical neste álbum, apresentando composições que mantêm a delicadeza e complexidade que lhe são características, ao mesmo tempo em que as dota de um vigor rítmico e temático mais abrangente. A obra consolida Edu Lobo como um dos grandes compositores de sua geração, capaz de dialogar com a tradição e apontar para novos caminhos na canção brasileira. Suas composições transcendem o meramente estético para abraçar narrativas sociais e culturais de profundo significado.
Contexto
No Brasil de 1967, o cenário político era marcado pela ditadura militar, o que impulsionou muitos artistas a adotarem uma postura mais político-social em suas obras, refletindo os anseios de uma geração. Edu Lobo, que já havia participado de festivais de música e composto trilhas para peças teatrais com temáticas engajadas como "Arena Conta Zumbi", estava em um período de grande atividade e maturação artística. Influenciado por nomes como Sérgio Ricardo, João do Vale, Carlos Lyra e Ruy Guerra, Edu Lobo buscava enriquecer suas composições com temas e ritmos da cultura popular, consolidando-se como um dos expoentes da "segunda geração da Bossa Nova" ou do pós-Bossa Nova.
Gravação
O álbum "Edu" foi gravado no estúdio da Companhia Brasileira de Discos (CBD), com João Mello na produção e direção. A equipe de engenharia de som contou com Ary Carvalhaes e Célio Martins. O processo de gravação envolveu uma notável constelação de músicos, incluindo Edu Lobo no violão, Dório Ferreira no contrabaixo, Papão na bateria, Copinha na flauta e Peter Dauelsberg no violoncelo. As orquestrações e arranjos foram divididos entre Edu Lobo, Dori Caymmi, Luiz Eça e Gaya, contribuindo para a diversidade e riqueza sonora do disco.
Músicas
As onze faixas de "Edu" apresentam um repertório rico em parcerias e temáticas. "No Cordão da Saideira", de autoria solo de Edu Lobo, explora a sensação de perda e transformação, retratando o fim de um carnaval e trazendo referências à cultura pernambucana, como a "Rua da Aurora" e o "bonde de Olinda". "Corrida de Jangada", em parceria com Capinan, celebra a vida e a cultura dos jangadeiros do Nordeste, destacando o orgulho pela simplicidade e tradição. "Rosinha" e "Dois Tempos" são outras parcerias com Capinan, enquanto "Jogo de Roda" e "Catarina e Mariana" contam com letras de Ruy Guerra. "Candeias", também de Edu Lobo, utiliza a cidade como símbolo de retorno às origens e à simplicidade do interior nordestino. "Embolada" foi composta com Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, utilizando humor e ironia para abordar a relação entre fartura natural e desejos humanos, com uma crítica social que questiona as limitações da liberdade. "Canto Triste", parceria com Vinicius de Moraes, utiliza a imagem da primavera para simbolizar renovação e felicidade, associando-a à pessoa amada. O álbum ainda inclui "Chorinho de Mágoa", com Capinan, e "Meu Caminho", parceria com Dori Caymmi.
Legado
O álbum "Edu" é considerado um disco de grande importância na discografia de Edu Lobo e na história da MPB. Ele se insere no movimento de constituição da MPB na década de 1960, período em que Edu Lobo, junto a outros artistas, expandiu os horizontes da canção brasileira para além da bossa nova, incorporando ritmos afro e nordestinos e politizando as letras. Embora informações detalhadas sobre vendas ou recepção crítica específica no momento exato do lançamento de 1967 sejam escassas nas fontes consultadas, o reconhecimento posterior do álbum e a regravação de suas músicas por diversos artistas atestam seu valor duradouro. Músicas como "No Cordão da Saideira", "Rosinha", "Canto Triste" e "Jogo de Roda" tornaram-se sucessos e verdadeiros padrões no cancioneiro brasileiro. A presença do álbum em listas e coleções dedicadas à MPB e à discografia de Edu Lobo, bem como a sua disponibilidade em reedições posteriores, reforça seu status como uma obra seminal.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
João Mello
Ary Carvalhaes, Célio Martins
Glauco Rodrigues
Flavio Macedo Soares
Pedro De Moraes
