Edu Lobo

Edu Lobo

1973

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Porque Merece Estar na Lista

Calabar, O Elogio da Traição, lançado em 1973, é o sétimo álbum de estúdio de Chico Buarque e se destaca como a trilha sonora da peça teatral homônima, escrita em parceria com o poeta moçambicano Ruy Guerra. Este trabalho é notável não apenas por sua qualidade musical, mas também por sua profunda relevância histórica e política, servindo como uma crítica velada e corajosa à ditadura militar brasileira da época. A obra aborda a figura histórica de Domingos Fernandes Calabar, mas sua narrativa foi habilmente construída para estabelecer paralelos com a dissidência política e a repressão do regime. Musicalmente, o álbum apresenta um trabalho de arranjos vigoroso e inovador, assinado por Edu Lobo, que incorporou novidades sonoras como sintetizadores, guitarra elétrica e cordas. Essa fusão de elementos tradicionais com sonoridades contemporâneas confere ao disco uma identidade sonora rica e complexa, elevando-o além de uma mera trilha e consolidando-o como um marco na produção musical brasileira.

Contexto

Lançado em pleno auge da ditadura militar brasileira, em 1973, o álbum Calabar, O Elogio da Traição nasceu sob o pesado crivo da censura. Tanto o disco quanto a peça teatral que o inspirou foram alvos de um escrutínio rigoroso, resultando em diversos trechos e conceitos vetados. A visão da censura interpretava o trabalho como provocativo, simpatizante da colonização holandesa em detrimento do domínio português, e, metaforicamente, capaz de incitar a revolta contra o governo militar vigente. Chico Buarque, por sua vez, idealizou a narrativa para traçar paralelos claros com a dissidência política da ditadura, evocando figuras como Carlos Lamarca, capitão que desertou do Exército Brasileiro para engajar-se na guerrilha. A intensificação dos mecanismos de controle, especialmente após a criação do Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP) em 1972, resultou em capas alteradas e títulos proibidos, como o original 'Chico canta Calabar', vetado pelas iniciais que poderiam aludir ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC).

Gravação

A produção musical de Calabar, O Elogio da Traição esteve sob a direção de Roberto Menescal. Os detalhes técnicos da gravação indicam a participação de Sérgio M. de Carvalho na direção de estúdio e Luigi como técnico de gravação. Um aspecto distintivo do álbum foi a contribuição de Edu Lobo, responsável pelos arranjos de cordas, enquanto Mário Tavares ficou encarregado da regência, elementos que adicionaram profundidade e sofisticação à sonoridade do disco.

Músicas

A repressão da censura atingiu diretamente o conteúdo lírico do álbum, com canções tendo suas letras integralmente proibidas ou alteradas. As faixas "Ana de Amsterdam" e "Vence na Vida Quem Diz Sim", por exemplo, foram lançadas apenas em suas versões instrumentais, sem os vocais que lhes dariam pleno sentido. A censura também operou em versos específicos, como em "Bárbara", onde a frase "no poço escuro de nós duas" foi cortada por sugerir uma relação lésbica. Similarmente, em "Não Existe Pecado ao Sul do Equador/Boi Voador Não Pode", o verso "Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor" foi substituído por "Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor". Na canção "Fado Tropical", que conta com um trecho declamado por Ruy Guerra, a frase "além da sífilis, é claro" foi excluída, por aludir ao "sangue português" de um personagem da peça.

Legado

A recepção inicial de Calabar, O Elogio da Traição foi marcada pelas dificuldades impostas pela censura, que levou à retirada de cópias e relançamentos com capas neutras. As vendagens das primeiras tiragens foram tímidas, reflexo direto das intervenções governamentais. Apesar dos desafios, algumas canções do álbum ecoaram com o tempo. "Não Existe Pecado ao Sul do Equador", por exemplo, foi regravada por Ney Matogrosso em 1978, tornando-se o tema de abertura da telenovela Pecado Rasgado. Adicionalmente, o impacto do projeto gráfico original de Regina Vater foi reafirmado, com sua adaptação posterior para a edição do livro da peça e para cartazes teatrais, como o produzido por Elifas Andreato em 1980, evidenciando a persistência e a relevância de sua proposta visual no contexto da resistência simbólica.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Regência

Mario Tavares

Direção [Musical Director]

Lindolfo Gaya

Orquestração

Edu Lobo

Produção

Milton Miranda

Produção [Assistant]

Dori Caymmi

Engenheiro de Som [Diretor Tecnica]

Z. J. Merky

Engenheiro de Som [Tecnico De Laboratorio]

Willy Paiva Moreira

Mixagem [Tecnico De Remixagem]

Jorge Teixeira

Gravação [Técnico de Gravação]

Nivaldo Duarte, Toninho, Zilmar De Araujo

Layout

Cafi

Referências

Livros